O poema “Tomara”, de Vinicius de Moraes,
apresenta uma estrutura em que o uso reiterado do
termo “Tomara” não apenas expressa um desejo,
mas reflete uma postura linguística de impotência do
eu lírico frente à possibilidade de afastamento da
pessoa amada. Tal construção reforça
semanticamente que o sujeito poético reconhece a
inexistência de qualquer controle racional ou objetivo
sobre os rumos da relação amorosa, sendo essa ideia
corroborada em passagens como “Que você não se
despeça nunca mais do meu carinho”, na qual a
súplica expõe tanto a esperança quanto a fragilidade
afetiva