Em uma sala de aula de Ensino Médio, uma professora de Língu...

Próximas questões
Com base no mesmo assunto
Q4152834 Pedagogia
Em uma sala de aula de Ensino Médio, uma professora de Língua Portuguesa constatou que suas alunas negras se autodeclaravam pardas. Ela também observou que seus alunos, de forma geral e recorrentemente, reproduziam visões colonialistas historicamente difundidas. Para refletir sobre essas questões, ela elaborou um plano de aula centrado em textos de autoras africanas que enfatizavam a mesma perspectiva que a escritora moçambicana Paulina Chiziane trabalha no seguinte poema.

Liberta-te
As campanhas coloniais colocaram-te uma venda nos olhos
Resiste. Não te deixes apagar e luta com o que te ofusca
Reconhece-te. Estás presente em todas as maravilhas do mundo.

A maior intenção da escravatura era esta
Reduzir-te. Animalizar-te. Diabolizar-te
O interesse do colonialismo, racismo, era este
Apagar-te para que nunca te levantes do chão
Reconheça-te, africano, nas religiões que dominam o mundo

Na riqueza do mundo. Nas matérias-primas de todas as tecnologias
Mata os fantasmas e anula o estigma com que te descrevem
Que determinava a raça de Deus e o espaço geográfico da sabedoria.
CHIZIANE, P. O canto dos escravizados. Belo Horizonte: Nandyala, 2018. p. 124-125.
A partir de uma correlação entre a situação apresentada e o poema, para que a professora cumpra seu propósito, o plano de aula deve
Alternativas

Gabarito comentado

Confira o gabarito comentado por um dos nossos professores

Gabarito: D

Fundamento decisivo: A decisão estava na comparação entre o enunciado, que mostra autonegação racial e visões colonialistas, e o poema, que denuncia o apagamento e convoca ao "reconhece-te". Assim, o plano de aula deve valorizar identidades e vozes silenciadas, como faz a alternativa D.

Tema central: Leitura decolonial da educação
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque introduz uma perspectiva biológica de raça e defende a criação de categorias raciais como essencial para superar o colonialismo. Isso contraria o critério da questão, que pede enfrentamento do apagamento colonial por valorização identitária e cultural.
B
Errada
Está errada porque atribui ao poema uma ideia que ele não sustenta. O verso sobre "a raça de Deus" aparece como crítica à ideologia colonial que estigmatiza e define quem ocupa o lugar da sabedoria, não como afirmação positiva sobre registros históricos da libertação dos escravos.
C
Errada
Está errada porque naturaliza a supremacia dos saberes e práticas culturais europeias, isto é, a mesma hierarquia colonial que o poema denuncia. Assim, contraria diretamente o eixo da questão, que é anticolonial e de valorização das vozes silenciadas.
D
Certa
A alternativa D está certa porque corresponde ao núcleo do poema e da situação apresentada: enfrentar o colonialismo por meio da valorização de identidades e culturas silenciadas. O texto de Paulina Chiziane denuncia o apagamento e a inferiorização produzidos pelo colonialismo e pelo racismo ("Apagar-te", "Animalizar-te", "Diabolizar-te") e convoca ao reconhecimento de si e à anulação do estigma ("Reconhece-te", "Mata os fantasmas e anula o estigma").
Pegadinha da questão
Confundir a crítica ao colonialismo com a aceitação de suas categorias e hierarquias, seja pela biologização da raça, seja pela naturalização da supremacia europeia.
Dica para questões semelhantes
  • Quando o texto denuncia apagamento, estigma e silenciamento colonial, a resposta deve apontar valorização identitária e visibilização de culturas subalternizadas.
  • Se a proposta pedagógica centra autoras africanas ou outras vozes historicamente marginalizadas, isso indica movimento anti-hegemônico.
  • Em itens sobre colonialismo e racismo, elimine alternativas que biologizam raça ou tratam hierarquias culturais como naturais.

Clique para visualizar este gabarito

Visualize o gabarito desta questão clicando no botão abaixo