Mulher de 71 anos, independente funcionalmente, sem DAC conh...

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Q3834068 Medicina
Mulher de 71 anos, independente funcionalmente, sem DAC conhecida, apresenta escore de risco cardiovascular global baixo. Não faz uso de antiagregantes. Questiona se deveria iniciar aspirina após ter lido reportagens sobre “prevenção de infarto”.

Considerando dados de longo prazo em idosos saudáveis, a orientação mais alinhada às evidências está indicada na alternativa 
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: C

Fundamento decisivo: Em prevenção primária, a USPSTF 2022 e o ASPREE não recomendam iniciar aspirina em adultos com 60 anos ou mais, pois não há benefício cardiovascular líquido e há aumento de hemorragia maior; em uma paciente de 71 anos, isso favorece a alternativa C.

Tema central: Aspirina na prevenção primária
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque afirma neutralidade quanto a sangramento, e isso contraria o dado decisivo do cenário: em idosos saudáveis, a aspirina aumenta sangramento maior/significativo. Mesmo que se tente resgatar alguma redução isolada de desfecho não fatal, isso não sustenta benefício líquido nesta paciente, porque o risco hemorrágico cresce após os 70 anos e o perfil é de baixo risco cardiovascular.
B
Errada
Está errada porque não há base para afirmar benefício especial na redução de AVC isquêmico após os 70 anos em prevenção primária de idosos saudáveis. No perfil do enunciado, a evidência global é de ausência de benefício líquido e aumento de sangramento, razão pela qual não se justifica iniciar aspirina com esse argumento.
C
Certa
A alternativa C é a única compatível com a evidência específica para o cenário descrito. A paciente está em prevenção primária, tem 71 anos, não tem DAC conhecida e apresenta baixo risco cardiovascular basal. Nesse perfil, o ensaio ASPREE mostrou ausência de benefício cardiovascular relevante com aspirina em idosos saudáveis e aumento de sangramento maior. Essa mesma lógica é incorporada pela USPSTF 2022, que não recomenda iniciar aspirina para prevenção primária em adultos com 60 anos ou mais. Portanto, a conclusão correta é ausência de benefício cardiovascular líquido com aumento de dano hemorrágico.
D
Errada
Está errada porque não há demonstração de redução de mortalidade cardiovascular em idosos saudáveis usando aspirina para prevenção primária, inclusive com uso prolongado. A duração maior do uso não corrige a ausência de benefício comprovado nesse contexto nem elimina o risco hemorrágico.
E
Errada
Está errada porque a associação com estatina não cria indicação automática para aspirina. Os mecanismos e o balanço benefício-risco são próprios de cada intervenção; no perfil descrito, a aspirina continua sem benefício líquido demonstrado e com risco de sangramento aumentado, independentemente de eventual uso concomitante de estatina.
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre benefício da aspirina na prevenção secundária ou em dados históricos mais antigos e o cenário real da questão: prevenção primária em idosa saudável, de baixo risco, em que o risco hemorrágico supera a ausência de benefício cardiovascular relevante.
Dica para questões semelhantes
  • Antes de avaliar aspirina, separe prevenção primária de prevenção secundária; o raciocínio muda completamente.
  • Em pacientes com 60 anos ou mais, especialmente acima de 70 anos, o risco hemorrágico passa a ser critério decisivo contra iniciar aspirina em prevenção primária.
  • Se o enunciado trouxer idoso saudável e baixo risco cardiovascular, procure a conclusão de ausência de benefício líquido da aspirina.
  • Não aceite como correta alternativa que prometa redução de mortalidade, AVC ou benefício com estatina sem respaldo específico para o perfil descrito.

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