Mulher de 33 anos com MCPP ( miocardiopatia periparto ) diag...

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Q3834050 Medicina
Mulher de 33 anos com MCPP ( miocardiopatia periparto ) diagnosticada há 5 anos, acompanhada em ambulatório. Recuperou FEVE para 58% após 6 meses do evento inicial e manteve estabilidade desde então. Deseja nova gestação e está assintomática. Ecocardiograma atual: FEVE 58%, sem dilatação importante do VE. Sem arritmias.

Qual é a orientação mais adequada sobre gestação subsequente ? 
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Gabarito: B

Fundamento decisivo: Na miocardiopatia periparto, a função ventricular esquerda antes de nova gestação é o principal marcador prognóstico: nesta paciente, a FEVE recuperada para 58% e a estabilidade clínica permitem considerar gestação subsequente, mas com risco residual de recorrência de disfunção ventricular/insuficiência cardíaca e necessidade de aconselhamento e seguimento especializado em cardio-obstetrícia.

Tema central: Gestação após MCPP
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada por afirmar contraindicação absoluta universal. A base é explícita em que história de MCPP, isoladamente, não proíbe toda futura gestação; o risco depende sobretudo da função ventricular residual e do estado clínico antes da concepção. Nesta questão, a FEVE recuperada e a estabilidade afastam essa generalização.
B
Certa
A alternativa B está correta porque traduz o critério decisivo da questão: na MCPP, recuperação da função ventricular muda o cenário de contraindicação ampla para possibilidade condicionada. FEVE normalizada antes da concepção indica prognóstico melhor do que disfunção persistente, mas ainda existe risco de recorrência de disfunção ventricular e insuficiência cardíaca na gestação subsequente. Por isso, a paciente pode considerar nova gestação, desde que com aconselhamento claro sobre risco residual, estratificação pré-concepcional e seguimento especializado.
C
Errada
Está errada porque a FEVE pré-gestação tem utilidade prognóstica central na MCPP. É justamente um dos principais elementos para estimar risco de recorrência de queda da FEVE, insuficiência cardíaca e descompensação em gestação subsequente. Ignorar esse dado contraria o critério de estratificação usado no caso.
D
Errada
Está errada porque FEVE recuperada não equivale a risco desprezível nem a cura definitiva. A gestação impõe sobrecarga hemodinâmica e, em paciente com antecedente de cardiomiopatia periparto, persiste risco residual de recaída ou nova disfunção ventricular. Por isso, dispensar seguimento especializado é tecnicamente inadequado.
E
Errada
Está errada por incompatibilidade fisiopatológica. Os desfechos adversos esperados após MCPP relacionam-se à recorrência de disfunção ventricular, insuficiência cardíaca, arritmias e eventos materno-fetais associados. Estenose mitral reumática é outra entidade, sem relação causal com a miocardiopatia periparto descrita.
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre FEVE recuperada e risco zero: a recuperação permite considerar gestação, mas não autoriza dizer que toda paciente está curada nem que o seguimento especializado é desnecessário.
Dica para questões semelhantes
  • Em MCPP, use a função ventricular esquerda antes da concepção como eixo da estratificação de risco.
  • Recuperação da FEVE reduz risco, mas não elimina possibilidade de nova disfunção ventricular na gestação subsequente.
  • Antecedente de cardiomiopatia com potencial de descompensação na gestação exige avaliação pré-concepcional e seguimento em cardio-obstetrícia.
  • Desconfie de alternativas absolutas: nem proibição universal, nem liberação sem ressalvas, costumam refletir o manejo correto nesses casos.

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