Homem de 70 anos, com fibrilação atrial e doença coronariana...

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Q3834049 Medicina
Homem de 70 anos, com fibrilação atrial e doença coronariana crônica, encontra-se em uso de um DOAC ( anticoagulante oral direto ) e aspirina. Foi submetido à ATC ( angioplastia ) com stent farmacológico há 18 meses. Seu geriatra questiona a necessidade de manter terapia antiplaquetária associada nesse momento.

Sobre isso, assinale a alternativa CORRETA. 
Alternativas

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Gabarito: C

Fundamento decisivo: A diretriz 2023 ACC/AHA/ACCP/HRS para fibrilação atrial recomenda, em paciente com FA e doença coronariana crônica além de 1 ano da revascularização, sem história de trombose de stent, a monoterapia com anticoagulante oral em vez da associação com antiplaquetário; no caso, o paciente está 18 meses após ATC com stent farmacológico, em uso de DOAC e aspirina, o que favorece manter apenas o DOAC.

Tema central: Antitrombose pós-ATC tardia
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque não há sustentação, nesse cenário de FA anticoagulada e DAC estável 18 meses após PCI, para afirmar redução de mortalidade com manutenção de aspirina em longo prazo. A base informa o oposto do raciocínio prático: a combinação DOAC + aspirina aumenta sangramento e não demonstra vantagem clínica líquida rotineira após 1 ano.
B
Errada
Está errada porque a associação DOAC + antiagregante não mostrou superioridade para reduzir eventos trombóticos tardios em DAC estável além de 1 ano da revascularização. O critério decisivo é que, nesse contexto tardio e estável, o DOAC isolado preserva eficácia isquêmica comparável e melhora a segurança hemorrágica.
C
Certa
A alternativa C traduz o critério aplicável ao caso. Após 12 meses da angioplastia, na ausência de trombose prévia de stent ou outra indicação independente de antiplaquetário, o benefício líquido favorece anticoagulante oral isolado. A base cita a diretriz 2023 ACC/AHA/ACCP/HRS e o estudo AFIRE: em FA com DAC estável, a monoterapia com DOAC mantém desfechos isquêmicos semelhantes aos da combinação com antiagregante e reduz sangramento. Como o paciente está 18 meses após o stent e o enunciado não descreve exceção de alto risco isquêmico, essa é a estratégia correta.
D
Errada
Está errada porque generaliza um risco que não sustenta a conduta nesse cenário. Após 18 meses de stent, sem história de trombose prévia de stent ou outra exceção descrita, a suspensão do antiplaquetário não é tratada pelas diretrizes como fator que obrigatoriamente eleva o risco de trombose tardia a ponto de justificar dupla terapia contínua. O caso é de fase estável, não do período precoce pós-PCI.
E
Errada
Está errada porque a evidência atual não contraindica DOAC isolado nesse contexto; ela o recomenda. A diretriz 2023 ACC/AHA/ACCP/HRS citada na base favorece anticoagulante oral isolado em FA com DAC crônica além de 1 ano da revascularização, desde que não haja trombose prévia de stent.
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre a fase inicial pós-angioplastia, em que a associação com antiplaquetário pode ser necessária por tempo limitado, e a fase tardia estável após 12 meses, em que o padrão passa a ser DOAC isolado.
Dica para questões semelhantes
  • Em FA com PCI prévia, primeiro localize o tempo desde a revascularização: após 12 meses, muda o eixo da decisão.
  • Se o enunciado trouxer DAC estável e não mencionar trombose prévia de stent ou síndrome coronariana recente, pense em monoterapia com anticoagulante oral.
  • Não use a necessidade de antiagregação do pós-stent precoce como indicação indefinida ao longo dos anos.
  • Separe os objetivos: na FA, a proteção principal é do anticoagulante; o antiplaquetário só se mantém se houver indicação coronariana específica.

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