Sobre construção textual, pode-se afirmar que, no TEXTO, há ...

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Ano: 2019 Banca: IDECAN Órgão: IF-PB Prova: IDECAN - 2019 - IF-PB - Professor - Pedagogia |
Q2005750 Português
TEXTO PARA A QUESTÃO

FILOSOFIA DOS EPITÁFIOS

          Saí, afastando-me dos grupos, e fingindo ler os epitáfios. E, aliás, gosto dos epitáfios; eles são, entre a gente civilizada, uma expressão daquele pio e secreto egoísmo que induz o homem a arrancar à morte um farrapo ao menos da sombra que passou. Daí vem, talvez, a tristeza inconsolável dos que sabem os seus mortos na vala comum (*); parece-lhes que a podridão anônima os alcança a eles mesmos. 

(Machado de Assis, Memórias Póstumas de Brás Cubas)
Sobre construção textual, pode-se afirmar que, no TEXTO, há predominância de
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Comentário da questão – Interpretação de texto e tipologia textual

Tema central: tipologia textual (identificação dos tipos e gêneros presentes em um texto literário e sua predominância)

O que o texto apresenta?

O trecho analisado inicia narrando uma ação do personagem: "Saí, afastando-me dos grupos, e fingindo ler os epitáfios.". Além da narração desse ato, em seguida há uma reflexão do narrador, que discorre sobre o sentido dos epitáfios, sua relação com a memória dos mortos e o sentimento de egoísmo humano — elementos típicos de argumentação filosófica.

É comum, em textos literários, haver mais de um tipo textual; o essencial é identificar aquele que organiza o trecho e qual é o efeito predominante de sentido. A narração serve como ponto de partida para a reflexão argumentativa e filosófica, o que caracteriza a predominância de uma narração argumentativo-filosófica.

Justificativa da alternativa correta (A):

A opção A) narração argumentativo-filosófica é a correta. O texto traz a narração de um movimento físico do protagonista seguido de uma análise filosófica, argumentando sobre o significado dos epitáfios e o sentimento das pessoas diante da morte. Esse tipo de construção é típico em obras de Machado de Assis, onde a ação introduz uma profunda reflexão.

Análise das alternativas incorretas:

B) narração meramente expositiva: Incorreta porque a narração não se limita a informar ou expor fatos; ela introduz argumentação subjetiva e filosófica.

C) narração injuntiva-expositiva: Equivocada; o texto não usa injunções (ordens, conselhos ou instruções), nem prevalece a exposição.

D) argumentação exclusivamente persuasiva: Inadequada, pois apesar de argumentar, o texto não tem como propósito central persuadir, nem há exclusividade argumentativa.

E) descrição argumentativa-narrativa: Errada, pois não há foco em descrever ambientes, personagens ou sensações, e sim em narrar e refletir.

Estratégias para identificar tipos textuais:

Procure pelo objetivo maior do texto (narrar, expor, argumentar, instruir ou descrever). Atenção a verbos de ação (narração), juízos e opiniões (argumentação), instruções (injunção) e enumeração de características (descrição). Evite a escolha automática de alternativas amplas; repare sempre no propósito comunicativo.

Referências: Obras como Nova Gramática do Português Contemporâneo (Cunha & Cintra) e Moderna Gramática Portuguesa (Bechara) detalham os tipos textuais e suas predominâncias em textos literários.

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Epitáfio significa “sobre o túmulo”, vem do grego epitáfios. Este termo se refere às frases que são escritas, geralmente em placas de mármore ou de metal e colocadas sobre o túmulo, ou mausoléus nos cemitérios, com o fim de homenagear seus mortos sepultados naquele local. Estas placas são chamadas de lápides.

narração argumentativo-filosófica. 

Argumentativo-Filosófica: Imediatamente após a ação, o narrador interrompe o fluxo dos acontecimentos para refletir sobre a natureza dos epitáfios.

Ele apresenta uma tese (que os epitáfios são uma expressão de "pio e secreto egoísmo") e desenvolve um raciocínio para justificá-la, transformando o fato narrado em uma meditação filosófica sobre a morte e a vaidade humana.

E onde está a narração?

O fragmento inicia com uma ação ("Saí", "afastando-me"), situando o leitor em um momento específico da história.

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