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Ano: 2019 Banca: IDECAN Órgão: IF-PB Prova: IDECAN - 2019 - IF-PB - Professor - Pedagogia |
Q2005748 Português
TEXTO PARA A QUESTÃO

FILOSOFIA DOS EPITÁFIOS

          Saí, afastando-me dos grupos, e fingindo ler os epitáfios. E, aliás, gosto dos epitáfios; eles são, entre a gente civilizada, uma expressão daquele pio e secreto egoísmo que induz o homem a arrancar à morte um farrapo ao menos da sombra que passou. Daí vem, talvez, a tristeza inconsolável dos que sabem os seus mortos na vala comum (*); parece-lhes que a podridão anônima os alcança a eles mesmos. 

(Machado de Assis, Memórias Póstumas de Brás Cubas)
A obra de Machado de Assis é uma das mais respeitadas da literatura nacional, principalmente pelas sutilezas estilísticas de construção textual sob a natureza sintático-filosófica. Acerca de tal lógica e de acordo com seus conhecimentos pressupostos, pode-se afirmar que, no título do TEXTO, a locução “DOS EPITÁFIOS” confere ao substantivo “FILOSOFIA” 
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Tema central da questão: Interpretação de texto, com foco na análise e função da locução adjetiva como restrição e especificação semântica do substantivo em um título literário.

Justificativa da alternativa correta (C):

No título “Filosofia dos Epitáfios”, a expressão dos Epitáfios é uma locução adjetiva, formada por preposição + substantivo, que atua como adjunto adnominal de “Filosofia”. Segundo Evanildo Bechara (“Moderna Gramática Portuguesa”), locuções adjetivas restringem ou especificam o núcleo ao qual se referem.

A alternativa C destaca dois pontos essenciais:

  • Natureza restritiva: delimita que tipo de filosofia será abordada (aquela ligada aos epitáfios, e não uma filosofia genérica).
  • Lógica de agente: sugere que há uma filosofia que advém dos epitáfios, pois são eles que inspiram as reflexões do texto.

Ou seja, a expressão não só restringe o campo semântico de “filosofia”, como também indica a origem da reflexão: é uma filosofia que parte dos epitáfios, postura comum ao estilo machadiano.

Análise das alternativas incorretas:

  • A) Paciente: Equivocada, pois “epitáfios” atuam mais como fonte de reflexão, não meramente como objeto passivo. Não há sentido de passividade pura na relação, mas sim de inspiração ativa.
  • B) Expletividade textual: Incorreta. “Dos epitáfios” não é dispensável; é essencial para entender que tipo de filosofia é discutida, promovendo especificidade.
  • D) Explicação do núcleo: Incorreta. Não é mero aposto explicativo. Não há adição de informação acessória, mas delimitação fundamental.
  • E) Restrição de contemporaneidade: Incorreta. O texto e a expressão não restringem o sentido a modernidade; a reflexão transcende o momento atual, não havendo marca temporal explícita.

Dica de estratégia: Sempre observe se a locução adjetiva tem sentido restritivo (delimita, qualifica) ou explicativo (apenas acrescenta uma informação). Nos títulos literários, geralmente há restrição.

Referências: Celso Cunha & Lindley Cintra; Evanildo Bechara. Adjunto adnominal restritivo: importante para identificação de sentido específico do núcleo ao qual se refere.

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