Em pacientes com disfunção miccional de origem neurológica,...

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Q3954366 Medicina
Em pacientes com disfunção miccional de origem neurológica, o padrão urodinâmico observado depende do nível e da extensão da lesão no sistema nervoso. Considerando essa correlação neurofisiológica, assinale a alternativa que descreve corretamente a relação entre o sítio da lesão neurológica e o achado urodinâmico esperado. 
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: B

Fundamento decisivo: O critério decisivo é que lesões suprassacrais/infrapontinas, entre a ponte e os centros sacrais, interrompem as vias descendentes da micção e produzem hiperatividade do detrusor com dissinergia detrusor-esfíncter, que é exatamente o achado descrito na alternativa B.

Tema central: Bexiga neurogênica topográfica
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque lesões suprapontinas não têm como padrão predominante detrusor arreflexo com grande resíduo. Nessa topografia, o centro pontino da micção permanece íntegro e o principal efeito é a perda de inibição cortical, levando a hiperatividade do detrusor, em geral com coordenação esfincteriana relativamente preservada.
B
Certa
A alternativa B está correta porque a lesão suprassacral/infrapontina rompe a coordenação descendente da micção entre o centro pontino e os centros sacrais. Com isso, surgem contrações involuntárias do detrusor e perda da sinergia entre detrusor e esfíncter, caracterizando dissinergia detrusor-esfíncter. Esse é o padrão urodinâmico clássico dessa topografia de lesão.
C
Errada
Está errada porque lesões do cone medular e da cauda equina acometem o arco reflexo sacral ou vias periféricas, padrão de neurônio motor inferior. O esperado é detrusor hipoativo ou arreflexo, com esvaziamento ineficaz e retenção/resíduo elevado, e não detrusor hiperativo como achado típico. Baixa complacência pode ocorrer em alguns casos crônicos, mas não define essa correlação topográfica.
D
Errada
Está errada porque lesões medulares altas, quando suprassacrais, não costumam produzir detrusor hipoativo com coordenação preservada. O mecanismo fisiopatológico é justamente a interrupção das vias descendentes pontino-sacrais, o que favorece hiperatividade do detrusor e dissinergia detrusor-esfíncter.
E
Errada
Está errada porque lesões suprapontinas não impedem tipicamente a contração do detrusor. Ao contrário, a retirada da inibição central desinibe o reflexo miccional e favorece contrações involuntárias do detrusor. Retenção urinária crônica por arreflexia é mais compatível com lesão sacral ou periférica.
Pegadinha da questão
A banca explora a troca entre lesão suprapontina e suprassacral: ambas podem cursar com hiperatividade do detrusor, mas a dissinergia detrusor-esfíncter é o marcador topográfico da lesão suprassacral, não da suprapontina.
Dica para questões semelhantes
  • Separe mentalmente três níveis: suprapontino = hiperatividade do detrusor; suprassacral = hiperatividade do detrusor + dissinergia detrusor-esfíncter; sacral/periférico = detrusor hipoativo ou arreflexo.
  • Se a alternativa trouxer dissinergia detrusor-esfíncter, pense primeiro em interrupção entre a ponte e o centro sacral.
  • Se o enunciado associar cone medular ou cauda equina a detrusor hiperativo como padrão típico, descarte: o clássico é falha contrátil com retenção e resíduo elevado.

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