Josué e Marcelo, durante o final de semana, no horário do al...

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Q4231781 Direito Penal
Josué e Marcelo, durante o final de semana, no horário do almoço, após romperem a corrente da cerca, invadem uma grande Fazenda situada no Estado do Mato Grosso, focada na produção de leite e criação de gado Nelore. Ali, Josué e Marcelo abatem 3 animais da raça Nelore no local apropriado da fazenda e realizam o corte, colocando os pedaços da carne em um veículo refrigerado, fugindo dali em seguida e comercializando a carne para açougues da região. Na esteira do Código Penal, Josué e Marcelo responderão, em tese, por crime de:
Alternativas

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Gabarito: C

Fundamento decisivo: O Código Penal, art. 155, § 6º, caput e inciso I, com redação dada pela Lei nº 15.397/2026, estabelece: “§ 6º A pena é de reclusão, de 4 (quatro) a 10 (dez) anos, e multa, se a subtração for: I – de semovente domesticável de produção, ainda que abatido ou dividido em partes no local da subtração, ou de animal doméstico;”. Como a regra abrange os bovinos de produção subtraídos, inclusive abatidos e fracionados no local, conduz à alternativa C.

Tema central: Abigeato e pena aplicável
Análise das alternativas
A
Errada
Há dois erros: os agentes praticaram a própria subtração, e não receptação do produto de crime antecedente; além disso, a pena da receptação de animal prevista no art. 180-A, na redação considerada pela base, é de 3 a 8 anos de reclusão e multa, não de 2 a 8 anos.
B
Errada
O enquadramento como furto qualificado por abigeato está correto, mas a pena de 1 a 6 anos contraria o art. 155, § 6º, do Código Penal, que, na redação pressuposta pelo gabarito, estabelece reclusão de 4 a 10 anos e multa.
C
Certa
A posterior venda da carne pelos próprios autores não transforma o furto em receptação. Ressalva temporal: como não há data dos fatos nem da prova, o gabarito pressupõe a redação vigente desde 4 de maio de 2026, que prevê reclusão de 4 a 10 anos e multa; essa pena mais grave não pode ser aplicada retroativamente a fatos anteriores à sua vigência.
D
Errada
A pena de 3 a 8 anos e multa corresponde à receptação de animal do art. 180-A, mas os agentes são os autores da subtração. A comercialização posterior do que eles próprios furtaram não os torna receptadores desse mesmo produto.
E
Errada
Embora identifique corretamente o abigeato, indica pena de 2 a 8 anos, incompatível com a redação do art. 155, § 6º, pressuposta pelo gabarito: reclusão de 4 a 10 anos e multa.
Pegadinha da questão
A venda posterior pode induzir à classificação como receptação, mas os vendedores são os próprios autores da subtração. Além disso, retirar apenas a carne não afasta o abigeato: o dispositivo abrange expressamente o animal abatido ou dividido em partes no local.
Dica para questões semelhantes
  • Distinga a subtração originária da receptação: a venda posterior pelo próprio autor do furto não altera esse enquadramento.
  • Verifique se o objeto é semovente domesticável de produção; o abate e o fracionamento no local não excluem a qualificadora.
  • Confira separadamente o crime indicado e sua faixa penal: uma alternativa pode acertar o enquadramento e errar a pena.
  • Observe a data dos fatos antes de aplicar alteração penal mais grave; a faixa de 4 a 10 anos considerada nesta questão pressupõe a vigência da redação indicada pela base.

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Alternativa C

Legislação Anterior (Lei nº 13.330/2016)

Anteriormente, o abigeato (subtração de semovente de produção ou de carga) estava previsto no art. 155, § 6º, do CP, com pena de reclusão de 2 a 5 anos. Caso fossem aplicadas as qualificadoras gerais (concurso de pessoas e rompimento de obstáculo - § 4º), a pena-base ficava na faixa de 2 a 8 anos. 

Novo Panorama Legal (Lei nº 15.397/2026)

A Lei nº 15.397/2026 promoveu um endurecimento nas penas de diversos crimes contra o patrimônio. Entre as principais mudanças: Furto de Animais (Abigeato): A subtração de animais (sejam de produção ou domésticos) teve sua reprimenda elevada e enquadrada em patamar qualificado superior, com pena cominada de 04 a 10 anos de reclusão, e multa. 

Impacto Processual: Com a pena mínima fixada em 4 anos, essa modalidade qualificada passa a afastar o Acordo de Não Persecução Penal (ANPP - art. 28-A do CPP, que exige pena mínima inferior a 4 anos).

Furto

Base Legal:

 CP Art. 155 - Subtrair, para si ou para outrem, coisa alheia móvel:

    Pena – reclusão, de 1 (um) a 6 (seis) anos, e multa. (...)

Furto qualificado

§ 6º A pena é de reclusão, de 4 (quatro) a 10 (dez) anos, e multa, se a subtração for:  (Redação dada pela Lei nº 15.397, de 2026)

I – de semovente domesticável de produção, ainda que abatido ou dividido em partes no local da subtração, ou de animal doméstico;

GAB C

155 CP § 6º A pena é de reclusão, de 4 (quatro) a 10 (dez) anos, e multa, se a subtração for:   

I – de semovente domesticável de produção, ainda que abatido ou dividido em partes no local da subtração, ou de animal doméstico;   

II – de aparelho de telefonia celular, de computador, inclusive portátil ou do tipo prancheta, ou de qualquer dispositivo eletrônico ou informático semelhante.    

§ 6º A pena é de reclusão, de 4 (quatro) a 10 (dez) anos, e multa, se a subtração for:  

I –de semovente domesticável de produção, ainda que abatido ou dividido em partes no local da subtração, ou de animal doméstico;   

Obs: Com a alteração legislativa de 2026 se alguém subtrair um cachorro de estimação, por exemplo, incorrerá na previsão do aludido parágrafo, já que agora há expressa previsão de “animal doméstico”!

 

Anteriormente, com a redação prévia, apenas aplicava-se a qualificadora a animais destinados à reprodução/produção, com valor econômico atribuído. 

ACRESCENTANDO:

"O fato de o agente ter sido surpreendido no INTERIOR DO ESTABELECIMENTO da vítima, portando consigo, acondicionados numa mochila, os bens que objetivava subtrair, demonstra tão somente o ITER CRIMINIS PERCORRIDO, mas NÃO A EFETIVA INVERSÃO DA POSSE, configurando TENTATIVA DE FURTO. (...) O TEMA 934 DO STJ dispensou a POSSE TRANQUILA, mas NÃO ELIMINOU A NECESSIDADE DE INVERSÃO DA POSSE. ESTAR COM O OBJETO ESCONDIDO DENTRO DA LOJA, POR SI SÓ, NÃO BASTA PARA CONSUMAR O FURTO."

STJ – AgRg no AgRg no AREsp 3.063.890-MS, Rel. Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, julgado em 3/3/2026, DJEN 10/3/2026. INFORMATIVO 886.

Eu sabia o PRECEITO SECUNDÁRIO DO ABIGEATO, porque, na época em que houve a mudança, vi uma crítica do PROF. EVINIS TALON, que fazia uma comparação, MUTATIS MUTANDIS, no sentido de que, com a alteração legislativa, FURTAR UMA GALINHA PASSOU A TER PENA MAIOR DO QUE A DE MUITOS CRIMES DE COLARINHO BRANCO.

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