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Quando se quer chamar a atenção para o objeto direto que pre...

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Q4231736 Português
Atenção: Considere o texto do filósofo latino Sêneca para responder à questão. 


    A vida divide-se em três períodos: o que se foi, o que está sendo e o que há de vir. Desses, o que estamos atravessando é breve, o que havemos de atravessar é duvidoso, o que já atravessamos é certo. É este último de fato aquele sobre o qual a fortuna perdeu seu direito, o qual não pode ser reconduzido ao arbítrio de ninguém. Esse período os ocupados o perdem, pois não lhes sobra tempo para examinar o passado, e, se lhes sobrasse, seria desagradável a recordação de algo que lhes causaria arrependimento. Ninguém voltará de bom grado seu olhar ao passado, exceto quem submete todos os seus atos à própria censura, que nunca se deixa enganar. Quem avidamente muito cobiçou, desprezou com soberba, venceu com insolência, enganou com insídias, roubou por cupidez, prodigamente dissipou, é forçoso que tema a própria memória. Ora, essa é a parte sagrada e intocável de nosso tempo, posta acima de todos os reveses humanos, subtraída ao reino da Fortuna, e que nem a penúria, nem o medo, nem o ataque de doenças podem atingir. Ela não pode ser conturbada nem tirada: a posse dela é perpétua e sem receios. Somente um a um os dias se mostram presentes para nós, e ainda fracionados em momentos. Porém, todos os dias do passado, tão logo ordenares, estarão diante de ti, a teu arbítrio irão deixar-se examinar detidamente; isso os ocupados não têm tempo de fazer. É próprio de uma mente segura e tranquila percorrer todos os períodos de sua vida; as almas dos ocupados, como se estivessem atadas sob o jugo, não podem virar-se e olhar para trás. Portanto, a vida deles desaparece num abismo e, tal como de nada adianta verter líquido até a borda de um recipiente, se embaixo não há fundo que o receba e conserve, assim também não importa quanto tempo nos é concedido, se não há lugar onde ele possa depositar-se, se ele vaza por trincas e perfurações de nossas almas.


(Adaptado de: Sêneca. Sobre a brevidade da vida. São Paulo: Companhia das Letras, 2017, p.21-22)
Quando se quer chamar a atenção para o objeto direto que precede o verbo, costuma-se repeti-lo. É o que se chama objeto direto pleonástico. Nele, uma das formas é sempre um pronome pessoal átono.
(Adaptado de: CUNHA, Celso. Gramática essencial. Rio de Janeiro: Lexikon, 2013, p. 86

Ocorre objeto direto pleonástico em:
Alternativas

Comentários

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Esse período os ocupados o perdem

Esse período = Objeto direto

os ocupados = Sujeito

o = Objeto direto pleonástico. Retoma o termo "esse período". Morfologicamente, esse "o" é classificado como um pronome pessoal oblíquo átono (de 3ª pessoa do singular).

perdem = Verbo

A FCC é uma mãe por trazer o conceito na questão kkk

Só acertei porque a FCC deu a dica kkkk

E — “Esse período os ocupados o perdem.”

O objeto direto pleonástico ocorre quando o objeto direto aparece antecipado e depois é retomado por um pronome pessoal oblíquo átono.

No trecho:

“Esse período os ocupados o perdem.”

Temos:

  • “Esse período” → objeto direto antecipado;
  • “os ocupados” → sujeito;
  • “o” → pronome pessoal oblíquo que retoma “esse período”;
  • “perdem” → verbo transitivo direto.

A estrutura fica:

Objeto direto + sujeito + pronome oblíquo + verbo

“Esse período” + “o” → os dois representam o mesmo objeto direto.

Resumo:

Objeto direto pleonástico = OD antecipado + pronome pessoal oblíquo átono que o retoma.

Exemplo para memorizar:

“Este livro, eu o comprei.”

Este livro = OD

o = retoma o OD

→ juntos = objeto direto pleonástico.

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