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Q3194162 Medicina
Um paciente de 45 anos, com insuficiência renal crônica, foi selecionado para receber um transplante renal de um doador vivo. Durante a cirurgia, houve um atraso de 12 minutos entre o clampeamento da artéria renal do doador e o início da infusão da solução de preservação a 4ºC. Após a cirurgia, o paciente apresentou função renal lenta, necessitando de diálise por alguns dias antes do órgão começar a funcionar adequadamente. Com base no caso clínico e no conceito de isquemia quente inicial, assinale a alternativa correta:
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Tema central: Isquemia quente inicial no transplante renal e sua relação com disfunção inicial do enxerto (Delayed Graft Function – DGF). A isquemia quente inicial é o intervalo entre o clampeamento da artéria do órgão no doador e o início da perfusão com solução fria (≈4°C). Nesse período, o rim sofre hipóxia sem proteção do resfriamento, predispondo à lesão tubular aguda e DGF.

Alternativa correta: D – Define corretamente a isquemia quente inicial (do clampeamento até o início do resfriamento) e reconhece que >10 minutos podem aumentar o risco de disfunção inicial do enxerto, como no caso (necessidade de diálise nos primeiros dias = DGF). Em doador vivo, recomenda-se que esse tempo seja mínimo (idealmente <5–10 min). Prolongamentos elevam a chance de necrose tubular aguda e DGF. Evidências: o UpToDate e diretrizes KDIGO indicam tempos prolongados de isquemia (quente e fria) como fatores de risco consistentes para DGF.

Estratégia de prova: Identifique os “três tempos” de isquemia no transplante renal para não confundir termos: - Isquemia quente inicial (do doador): clampeamento → perfusão fria. - Isquemia fria: perfusão fria → saída do gelo no receptor. - Isquemia quente final (do receptor): saída do gelo → reperfusão (término da anastomose). A questão trata da primeira.

Análise das alternativas incorretas:

A – Diz que começa quando o órgão é removido e termina quando é transplantado. Isso mistura isquemia fria e a isquemia quente final, não definindo a isquemia quente inicial (que termina no início do resfriamento).

B – Afirma limite “aceitável” de 20 minutos. Para isquemia quente inicial em doador vivo, isso é excessivo; recomenda-se <10 minutos (idealmente <5). Tempos maiores associam-se a DGF e lesão tubular (KDIGO; UpToDate).

C – Considera o período irrelevante se houver bom resfriamento posterior. Falso: a injúria hipóxica antes do resfriamento já desencadeia lesão de isquemia-reperfusão e aumenta risco de DGF (Harrison’s; UpToDate).

E – Sugere até 35 minutos como aceitável. Esse número é mais lembrado em contexto de isquemia quente final (tempo de anastomose), não para a isquemia quente inicial em doador vivo. Para a inicial, 35 min é inadequado e arriscado.

Fisiopatologia resumida: A hipóxia sem proteção térmica leva a depleção de ATP, disfunção de bombas iônicas, edema celular e necrose tubular. Na reperfusão, há estresse oxidativo e inflamação, manifestando-se como DGF (necessidade de diálise na 1ª semana).

Fontes: KDIGO Clinical Practice Guideline for the Care of Kidney Transplant Recipients; UpToDate – Delayed graft function after kidney transplantation; Harrison’s Principles of Internal Medicine – Transplantation.

Resumo para a prova: “Clampeamento → perfusão fria” define a isquemia quente inicial. Em doador vivo, mantenha <10 min. Atrasos favorecem DGF.

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