No fragmento do texto, “Lemos as biografias de pessoas extra...

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Q4039990 Português

Como ensinar. (Rubem Alves).


Se eu fosse ensinar a uma criança a arte da jardinagem, não começaria com as lições das pás, enxadas e tesouras de podar. Eu a levaria a passear por parques e jardins, mostraria flores e árvores, falaria sobre suas maravilhosas simetrias e perfumes; a levaria a uma livraria para que ela visse, nos livros de arte, jardins de outras partes do mundo. Aí, seduzida pela beleza dos jardins, ela me pediria para ensinar-lhe as lições das pás, enxadas e tesouras de podar.


Se fosse ensinar a uma criança a beleza da música, não começaria com partituras, notas e pautas. Ouviríamos juntos as melodias mais gostosas e lhe falaria sobre os instrumentos que fazem a música. Aí, encantada com a beleza da música, ela mesma me pediria que lhe ensinasse o mistério daquelas bolinhas pretas escritas sobre cinco linhas. Porque as bolinhas pretas e as cinco linhas são apenas ferramentas para a produção da beleza musical. A experiência da beleza tem de vir antes.


Se fosse ensinar a uma criança a arte da leitura, não começaria com as letras e as sílabas. Simplesmente leria as estórias mais fascinantes que a fariam entrar no mundo encantado da fantasia. Aí então, com inveja dos meus poderes mágicos, ela desejaria que eu lhe ensinasse o segredo que transforma letras e sílabas em estórias.


É muito simples. O mundo de cada pessoa é muito pequeno. Os livros são a porta para um mundo grande. Pela leitura vivemos experiências que não foram nossas e então elas passam a ser nossas. Lemos a estória de um grande amor e experimentamos as alegrias e dores de um grande amor. Lemos estórias de batalhas e nos tornamos guerreiros de espada na mão, sem os perigos das batalhas de verdade. Viajamos para o passado e nos tornamos contemporâneos dos dinossauros. Viajamos para o futuro e nos transportamos para mundos que não existem ainda. 


Lemos as biografias de pessoas extraordinárias que lutaram por causas bonitas e nos tornamos seus companheiros de lutas. Lendo, fazemos turismo sem sair do lugar. E isso é muito bom. 



No fragmento do texto, “Lemos as biografias de pessoas extraordinárias que lutaram por causas bonitas e nos tornamos seus companheiros de lutas. Lendo, fazemos turismo sem sair do lugar. E isso é muito bom”. As orações grifadas são:
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: A

Fundamento decisivo: A presença explícita da conjunção coordenativa “e” nos trechos “e nos tornamos seus companheiros de lutas. [...] E isso é muito bom” afasta a assíndese e indica coordenação sindética; no contexto, “e” acrescenta informação, não explica nem conclui, o que leva à alternativa A.

Tema central: coordenação sindética aditiva
Análise das alternativas
A
Certa
A alternativa A está correta porque as duas orações grifadas são ligadas por conjunção expressa, o que as torna sindéticas, e essa conjunção é “e”, que no contexto acrescenta conteúdo ao que vinha sendo dito. Em “e nos tornamos seus companheiros de lutas”, soma-se à ação de ler biografias a experiência decorrente dessa leitura. Em “E isso é muito bom”, acrescenta-se uma avaliação positiva ao enunciado anterior. Em ambos os casos, a relação sintático-semântica é de adição.
B
Errada
Está errada porque oração coordenada assindética é a que aparece sem conjunção. Aqui, nas duas passagens destacadas, há conjunção explícita: “e”. A presença desse conectivo exclui a assíndese.
C
Errada
Está errada porque não há relação de explicação entre as orações grifadas e as anteriores. “E” não introduz justificativa nem esclarecimento; apenas acrescenta novo conteúdo. Portanto, não se trata de coordenação sindética explicativa.
D
Errada
Está errada porque não aparece conectivo conclusivo nem estrutura de conclusão lógica típica. Em “E isso é muito bom”, pode haver impressão de fechamento avaliativo, mas, para a classificação sintática pedida, o que vale é que “e” adiciona uma avaliação ao enunciado anterior; não introduz conclusão em sentido classificatório tradicional.
Pegadinha da questão
A banca explora a tendência de ler “E isso é muito bom” como fecho do raciocínio e, por isso, marcá-la como conclusiva. Mas a classificação cobrada é sintática: como a oração vem introduzida por “e” com valor de acréscimo, ela é sindética aditiva.
Dica para questões semelhantes
  • Verifique primeiro se há conjunção expressa: se houver, a oração não é assindética.
  • Depois identifique o valor da conjunção no contexto: aqui, “e” soma informações, não explica nem conclui.
  • Não classifique pela impressão geral de fechamento do período; classifique pela ligação sintática efetiva entre as orações.

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