A uveíte pediátrica representa de 5 a 10% de todos os casos ...

Próximas questões
Com base no mesmo assunto
Ano: 2025 Banca: UFPR Órgão: UFPR Prova: UFPR - 2025 - UFPR - Médico - Oftalmologista |
Q3507351 Medicina
A uveíte pediátrica representa de 5 a 10% de todos os casos de uveíte, e cerca de 60% das crianças com uveíte têm uma doença sistêmica associada, geralmente de natureza reumatológica. Sabendo disso, considere uma paciente de 14 anos, do sexo feminino, com artrite idiopática juvenil (AIJ) oligoarticular FAN positivo e reação de câmara anterior bilateral crônica sem controle, sendo tratada com prednisolona (colírio) 4 vezes ao dia e metotrexato oral. Além disso, a paciente também apresenta, à biomicroscopia, sinéquias posteriores, pressão intraocular normal e acuidade visual corrigida de 20/40 em ambos os olhos. Qual deve ser a conduta nesse caso? 
Alternativas

Gabarito comentado

Confira o gabarito comentado por um dos nossos professores

Tema central: uveíte anterior crônica associada à AIJ oligoarticular em adolescente ANA+, ativa e sem controle apesar de corticoide tópico e metotrexato (MTX). Esse fenótipo é de alto risco e requer terapia poupadora de corticoide efetiva para prevenir complicações (sinéquias, catarata, glaucoma, edema macular).

Alternativa correta: DIniciar adalimumabe SC mantendo o MTX.

Justificativa: Em uveíte de AIJ refratária a MTX e corticoide tópico, o adalimumabe (anti-TNF) é a escada terapêutica preferencial, em associação ao MTX. Evidência de alto nível: ensaio SYCAMORE (NEJM 2017) demonstrou menor falha terapêutica com adalimumabe+MTX vs placebo+MTX. Diretrizes ACR/Arthritis Foundation 2022 e recomendações SHARE (2018) recomendam anti-TNF monoclonal (adalimumabe) como primeira escolha biológica, mantendo o MTX para potencializar eficácia e reduzir imunogenicidade. Após controle inflamatório, o corticoide tópico deve ser desmame gradual para minimizar efeitos adversos.

Análise das incorretas:

A) Infliximabe IV e suspender MTX – O infliximabe é alternativa válida quando falha/contraindicação ao adalimumabe, mas não é a primeira escolha. Além disso, não se deve suspender o MTX, pois sua manutenção reduz formação de anticorpos anti-droga e melhora resposta (ACR 2022, UpToDate).

B) Ciclosporina e suspender corticoide tópico – Ciclosporina isolada tem eficácia inferior aos anti-TNF para uveíte da AIJ. Corticoide tópico não deve ser interrompido abruptamente; deve ser mantido e taper após controle com o biológico (AAO/UpToDate).

C) Cirurgia de catarata – Não há indicação: o caso descreve acuidade 20/40 com inflamação ativa e sinéquias posteriores; cirurgia de catarata é considerada quando há catarata visualmente significativa e o olho permanece quieto por ≥3 meses. Prioridade é controlar a inflamação (AAO Preferred Practice Pattern).

E) Pulsoterapia e implante de dexametasona – Pulsos sistêmicos e implante intravítreo não são primeira linha para uveíte anterior crônica da AIJ. Implantes esteroidais em crianças aumentam risco de catarata e glaucoma e oferecem controle temporário, sem estratégia poupadora adequada; preferir biológico sistêmico (ACR 2022, SHARE 2018).

Estratégia de prova: Identifique o “tripé” que pede biológico: AIJ oligoarticular + ANA positiva + uveíte anterior crônica sem controle em MTX/corticoide. Lembre que o anti-TNF de escolha é adalimumabe (etanercepte é ineficaz para uveíte) e que o MTX deve ser mantido. Sinéquias posteriores indicam inflamação persistente, reforçando a necessidade de escalonamento.

Referências essenciais: ACR/Arthritis Foundation Guideline for JIA-Associated Uveitis (2022); SHARE Recommendations for Uveitis in JIA (2018); Ramanan et al. NEJM 2017 (SYCAMORE); UpToDate e AAO PPP Uveitis.

Gabarito: D

Gostou do comentário? Deixe sua avaliação aqui embaixo!

Clique para visualizar este gabarito

Visualize o gabarito desta questão clicando no botão abaixo