No que diz respeito ao manejo das uveítes, o infliximabe:
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Tema central: manejo das uveítes com agentes biológicos, em especial o infliximabe. Trata-se de um anticorpo monoclonal quimérico anti-TNF-α, de infusão intravenosa, com ação rápida e útil em uveítes não infecciosas graves, sobretudo na Doença de Behçet com acometimento ocular ameaçador à visão.
Alternativa correta (B): Indicado como primeira escolha em panuveíte aguda grave na Doença de Behçet. Nas formas graves (panuveíte, vasculite retiniana, edema macular/coroidite extensa), recomenda-se corticoterapia sistêmica associada a anti-TNF (infliximabe ou adalimumabe) como terapia inicial para controle rápido da inflamação e preservação visual. Evidência e diretrizes: EULAR 2018 e atualização 2023 para Behçet; AAO Preferred Practice Pattern Uveitis (2023); UpToDate: Management of noninfectious uveitis. O infliximabe tem início de ação em dias e posologia típica de 5–10 mg/kg IV nas semanas 0, 2, 6 e depois a cada 4–8 semanas.
Análise das incorretas:
A) Não há aprovação da Anvisa para infliximabe em uveíte anterior idiopática. No Brasil, a indicação regulatória para uveítes não infecciosas é do adalimumabe (intermediária, posterior e panuveíte). Infliximabe é amplamente usado off-label em uveítes refratárias, especialmente na Behçet.
C) “Deve ser evitado com outros imunossupressores por hepatotoxicidade” — falso. Na prática, associa-se a metotrexato ou azatioprina para reduzir formação de anticorpos anti-droga e aumentar a durabilidade do efeito. Exige-se monitorização hepática e rastreamento prévio de hepatites/TB, mas não é contraindicação geral (UpToDate; AAO).
D) “Início mais lento que metotrexato” — inversão conceitual. O infliximabe é mais rápido que csDMARDs como o metotrexato (semanas a meses). Por isso, é preferido para indução em quadros graves; para manutenção, pode-se manter infliximabe ou migrar para adalimumabe/csDMARD conforme resposta e logística de infusão.
E) “Administrado via oral” — errado. O infliximabe é um anticorpo monoclonal anti–TNF-α de uso intravenoso. Não há formulação oral de anticorpos; vias orais são típicas de pequenas moléculas (ex.: inibidores de JAK), não de mAbs.
Estratégia para a prova: Diante de panuveíte aguda grave na Behçet, pense em anti-TNF de rápida ação (infliximabe/adalimumabe) + corticoide sistêmico. Lembre-se das pegadinhas: infliximabe é IV (não oral), adalimumabe é o aprovado para NIU, e a associação com imunossupressores é comum. Sempre rastrear TB e hepatites antes do anti-TNF e evitar em insuficiência cardíaca classe III/IV ou doenças desmielinizantes.
Referências: EULAR Recommendations for Behçet’s syndrome (2018, 2023 update); AAO PPP Uveitis (2023); UpToDate – Noninfectious uveitis: Treatment with biologics; Informes Anvisa sobre indicações de biológicos.
Gabarito: B
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