A semiologia da ceratoconjuntivite sicca inclui sintomas com...

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Ano: 2025 Banca: UFPR Órgão: UFPR Prova: UFPR - 2025 - UFPR - Médico - Oftalmologista |
Q3507344 Medicina
A semiologia da ceratoconjuntivite sicca inclui sintomas como secura, ardência, sensação de corpo estranho, visão turva e, em alguns casos, lacrimejamento excessivo. Em relação à ceratoconjuntivite sicca, qual das seguintes alterações no exame oftalmológico é mais específica de dano epitelial ocular?
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Tema central: Ceratoconjuntivite sicca (olho seco). O enunciado pede o achado mais específico de dano epitelial ocular na avaliação semiológica do olho seco.

Alternativa correta: B – Tingimento corneano com rosa bengala

O rosa bengala cora células epiteliais desvitalizadas e áreas desprotegidas por mucina, evidenciando diretamente a lesão da superfície ocular (epitélio corneano e conjuntival). É, portanto, o achado mais específico de dano epitelial na ceratoconjuntivite sicca. O verde lisamina é alternativa moderna, menos irritante, com a mesma finalidade. Referências: TFOS DEWS II (2017, updates); AAO Preferred Practice Pattern – Dry Eye Syndrome; UpToDate.

Estratégia de prova: quando a pergunta destacar “dano epitelial”, pense em tingimento da superfície ocular (rosa bengala/verde lisamina/fluoresceína). Testes de produção ou estabilidade do filme lacrimal não são específicos para lesão epitelial.

Por que as demais estão incorretas?

A) Teste de Schirmer I < 10 mm/5 min: sugere deficiência aquosa do filme lacrimal, útil no diagnóstico, porém não mede dano epitelial. Pode estar reduzido sem lesão corneana visível. (TFOS DEWS II)

C) Aumento do tempo de ruptura do filme lacrimal (TBUT): no olho seco o esperado é diminuição do TBUT (p.ex., < 10 s). “Aumento” é uma pegadinha. Além disso, TBUT avalia estabilidade, não especificidade para dano epitelial.

D) Secreção mucopurulenta: indica conjuntivite infecciosa (bacteriana) e não olho seco. No olho seco pode haver filamentos mucosos, mas não secreção purulenta típica.

E) Sensibilidade corneana diminuída: achado de ceratopatia neurotrófica, herpes, pós-cirúrgico ou diabetes. Não é característica da ceratoconjuntivite sicca e não indica diretamente dano epitelial por secura.

Resumo diagnóstico prático:

  • Sintomas: secura, ardor, corpo estranho, flutuação visual; pode haver lacrimejamento reflexo (armadilha).
  • Sinais: tingimento corneano/conjuntival (rosa bengala/verde lisamina/fluoresceína), TBUT reduzido, Schirmer baixo (se componente aquoso).
  • Interpretação: lesão epitelial é melhor demonstrada por tingimento da superfície ocular.

Aplicação clínica: Identificar e graduar o dano epitelial guia a conduta (lubrificantes, controle ambiental, anti-inflamatórios tópicos como ciclosporina/lifitegraste, oclusão puntal nos casos aquosos, conforme AAO/TFOS DEWS II).

Referências: TFOS DEWS II Report; American Academy of Ophthalmology – Preferred Practice Pattern: Dry Eye Syndrome; UpToDate: Dry eye disease (clinical features, diagnosis, and treatment).

Gabarito: B) Tingimento corneano com rosa bengala.

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