A hanseníase é uma doença infectocontagiosa que afeta princ...
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Gabarito comentado
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Tema central: Hanseníase (Mycobacterium leprae) é infecção crônica que acomete principalmente pele e nervos periféricos, com impacto neurológico (perda sensitiva/motora) e transmissão predominante por vias respiratórias, especialmente de casos multibacilares (MB) não tratados.
Alternativa correta: B – A forma multibacilar apresenta maior carga bacilar (baciloscopia frequentemente positiva) e, por isso, tem maior potencial de transmissão. Na classificação operacional da OMS/Ministério da Saúde, MB inclui pacientes com >5 lesões cutâneas,/ou ≥2 troncos nervosos acometidos,/ou baciloscopia positiva. Ao iniciar a poliquimioterapia (PQT/MDT), a infectividade cai rapidamente. Referências: Diretrizes OMS/OPAS; MS-Brasil; Harrison’s; UpToDate.
Por que as demais estão incorretas?
A) “Diagnóstico exclusivamente laboratorial” – Incorreta. O diagnóstico é primariamente clínico, baseado em sinais cardinais: 1) lesões de pele com alteração de sensibilidade; 2) espessamento de nervos periféricos com déficit; 3) baciloscopia positiva (quando disponível). Exames como baciloscopia (esfregaço intradérmico) e biópsia (Fite-Faraco) são complementares. Diretrizes MS/OMS enfatizam o exame dermatoneurológico como pilar.
C) “Tratamento apenas com corticoterapia” – Incorreta. O tratamento de escolha é a PQT/MDT: PB (rifampicina + dapsona por 6 meses) e MB (rifampicina + clofazimina + dapsona por 12 meses), conforme OMS/MS. Corticosteroides não tratam o bacilo; eles são usados para reações hansênicas (Tipo 1/reversa; neurite) e, em Tipo 2 (eritema nodoso hansênico), pode-se usar talidomida (com rigorosas restrições) e/ou corticoide. UpToDate/OMS corroboram.
D) “Transmissão por contato com lesões cutâneas abertas e secreções purulentas” – Incorreta. A principal via é aerossóis nasais, com exposição prolongada a pacientes MB n��o tratados. Lesões cutâneas de hanseníase em geral não são purulentas; secreções purulentas não são a via típica. Após iniciar PQT, a transmissibilidade cai rapidamente. Diretrizes OMS/MS e Harrison’s sustentam esse ponto.
Como interpretar na prova:
- Palavras como “exclusivamente” e “apenas” costumam sinalizar pegadinhas (A e C).
- Associe “multibacilar” a maior carga bacilar + maior transmissão (B).
- Desconfie de enunciados que focam em lesões purulentas para hanseníase (D não condiz com a fisiopatologia).
Resumo prático:
- Diagnóstico: clínico-epidemiológico + baciloscopia/biópsia quando disponíveis.
- Tratamento: PQT/MDT (rifampicina, dapsona, clofazimina); corticoide para reações/neurite; talidomida no ENH (com cautela).
- Transmissão: via respiratória, especialmente MB não tratado.
Referências: Ministério da Saúde – Guia de Vigilância em Saúde (Hanseníase); OMS/OPAS – Guidelines for the diagnosis, treatment and prevention of leprosy; Harrison’s Principles of Internal Medicine; UpToDate (Leprosy: clinical manifestations, diagnosis, and treatment).
Gabarito: B.
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Comentários
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A) O diagnóstico da hanseníase é essencialmente clínico, baseado no exame dermatoneurológico e nos sinais cardinais.
C) Corticoides são utilizados no manejo das reações hansênicas, mas não apenas eles, tem tb a talidomida, que é um imunomodulador.
D) a transmissão ocorre principalmente pelas vias áreas superiores.
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