O tracoma é uma doença inflamatória ocular, uma conjuntivit...

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Q3191758 Medicina
O tracoma é uma doença inflamatória ocular, uma conjuntivite, causada pela bactéria Chlamydia trachomatis que ocorre em áreas de maior concentração de pobreza, deficientes condições de saneamento básico e acesso à água. O tracoma é a principal causa de cegueira infecciosa e é responsável por prejuízos visuais em 1,9 milhões de pessoas, das quais 450 mil apresentam cegueira irreversível. Estima-se que 190,2 milhões de pessoas vivem em áreas endêmicas com risco de cegueira por tracoma. O tratamento com antibiótico é indicado para portadores das formas ativas do tracoma (TF e/ou TI) de qualquer sexo, a partir dos 6 meses de idade, comprovado clinicamente por exame ocular externo de acordo com a padronização de diagnóstico da OMS. Qual o Antibiótico preconizado para este tratamento?
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Tema central: Tracoma é uma conjuntivite crônica causada pela Chlamydia trachomatis (sorotipos A-C), bactéria intracelular obrigatória. As formas ativas (TF/TI) acometem principalmente crianças e, sem tratamento, evoluem para cicatrizes, triquíase e opacidade corneana (cegueira). Diretriz OMS adota a estratégia SAFE (Surgery, Antibiotics, Facial cleanliness, Environmental improvement).

Alternativa correta: B — Azitromicina

Justificativa: A azitromicina é o antibiótico de escolha nas formas ativas do tracoma, por seu excelente espectro contra Chlamydia e boa penetração intracelular. Regime preconizado pela OMS: dose única oral de 20 mg/kg (máx. 1 g) em campanha ou tratamento individual. Alternativa quando indisponível: tetraciclina 1% tópica, 2x/dia por 6 semanas. No Brasil, MS segue essas recomendações para ≥6 meses de idade. Fontes: OMS (Guidelines for the management of trachoma), Ministério da Saúde (Guia de Vigilância), UpToDate.

Estratégia de prova: Palavras-chave como “formas ativas TF/TI” e “padrão OMS” apontam para azitromicina em dose única. Lembre: doença por bactéria intracelular → preferência por macrolídeo.

Análise das alternativas incorretas

A) Gentamicina — Aminoglicosídeo com baixa penetração intracelular e uso tópico/sistêmico voltado a Gram-negativos. Não é eficaz contra Chlamydia nem recomendada pela OMS para tracoma.

C) Ceftriaxona — Útil para conjuntivite gonocócica e IST por N. gonorrhoeae, mas não trata infecção por Chlamydia trachomatis no tracoma. Cephalosporinas não têm ação adequada contra patógeno intracelular.

D) Cloranfenicol — Opção tópica para conjuntivites bacterianas inespecíficas. Evidência e diretrizes não o recomendam para tracoma, pois a eficácia contra Chlamydia é limitada e não há benefício em programa populacional.

E) Cefalexina — Cefalosporina de 1ª geração para infecções de pele/tecidos moles por Gram-positivos. Não tem atividade clinicamente relevante contra Chlamydia e não é indicada em tracoma.

Diagnóstico em prova (resumo): Classificação simplificada OMS: TF (≥5 folículos ≥0,5 mm em conjuntiva tarsal superior), TI (inflamação intensa), TT (triquíase), CO (opacidade corneana). Antibiótico indicado nas formas TF/TI.

Gabarito: B — Azitromicina.

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