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Q3955251 História
Igreja cobra taxa na região onde bispo Sardinha foi devorado

Ari Cipola da Agência Folha, em Coruripe
A Igreja Católica recebe taxas dos moradores do pequeno município de Coruripe, em Alagoas. O local foi terra dos índios caetés, lembrados por terem promovido o mais conhecido “banquete antropofágico” do país. Segundo o pároco local, Pedro Silva, atualmente o valor arrecadado com os “impostos territoriais” é de cerca de R$ 1,2 mil por ano. Em 16 de junho de 1556, os caetés devoraram o primeiro bispo do Brasil, dom Pedro Fernandes de Sardinha, e 90 tripulantes que naufragaram com ele na região.
Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/fol/brasil500/report_1.htm. Acesso em: 8 fev. 2026.


O episódio do naufrágio e morte do bispo dom Pedro Fernandes de Sardinha (1556), nas terras dos caetés, foi amplamente registrado pelos cronistas coloniais e permanece como uma narrativa marcante.
A partir do fragmento jornalístico e à luz da historiografia crítica sobre o século XVI, é correto afirmar que 
Alternativas

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Gabarito: C

O que precisava saber: Era necessário saber que, na historiografia crítica sobre o século XVI, a narrativa colonial sobre a antropofagia não é tomada como relato neutro. No caso dos caetés, a morte do bispo e a acusação de antropofagia foram mobilizadas para construir a imagem de 'selvageria' indígena e legitimar guerra, repressão, escravização e ocupação territorial portuguesa, sob argumentos morais e jurídicos ligados à ordem cristã e à colonização.

Critério decisivo: A alternativa correta é a que interpreta o episódio como instrumento de legitimação da violência colonial: a acusação de antropofagia e a morte do bispo foram mobilizadas para justificar guerra, repressão, extermínio e escravização indígena, dentro da lógica de dominação territorial portuguesa.

Tema central: Conquista colonial, acusação de antropofagia e uso político-religioso da narrativa sobre os caetés no século XVI.
Análise das alternativas
A
Errada
Está incorreta porque a base afirma que o erro está em atribuir exclusividade aos caetés na prática de antropofagia ritual e em reduzir a represália portuguesa a essa justificativa única. O ponto central, segundo a base, não é uma violência explicada apenas pelo ritual, mas o uso político da narrativa para legitimar repressão e dominação.
B
Errada
Está incorreta porque a base diz expressamente que a acusação contra os caetés não foi um acontecimento isolado. Ao contrário, ela se inseriu na lógica colonial de ocupação, conflito e interesse na região, articulando dimensões religiosas, políticas e econômicas.
C
Certa
A alternativa C está correta porque identifica exatamente a função política do episódio de Sardinha segundo a base: a morte do bispo foi convertida em símbolo de agressão indígena e usada como justificativa moral e legal para ampliar a violência colonial sobre os caetés. Isso se vincula diretamente aos fundamentos sobre guerra justa e dominação, segundo os quais episódios interpretados como hostilidade indígena serviam de base para ações militares, escravização e expropriação de terras, inseridas na estratégia portuguesa de controle do território.
D
Errada
Está incorreta porque a base rejeita a leitura de que o episódio seria o ápice de uma guerra religiosa prolongada iniciada pelos caetés. O fundamento dado é outro: trata-se de um episódio apropriado pela colonização como justificativa para intensificar a violência e a dominação territorial portuguesa.
E
Errada
Está incorreta porque contraria diretamente a historiografia crítica indicada na base. Não houve uso exclusivamente pacífico do fato nem integração harmoniosa dos caetés à sociedade colonial; a narrativa foi mobilizada para legitimar repressão, escravização e extermínio.
Pegadinha da questão
A principal pegadinha é tratar a narrativa colonial como fato neutro e suficiente em si mesmo, sem considerar seu uso político. A questão exige perceber que a acusação de antropofagia e a morte do bispo não aparecem como simples descrição de um acontecimento, mas como construção ideológica empregada para justificar a violência colonial.
Dica para questões semelhantes
  • Em questões sobre o século XVI, verifique se a alternativa lê os relatos coloniais de forma crítica, e não como descrição neutra dos indígenas.
  • Quando aparecerem acusações de 'selvageria' ou antropofagia, observe se a alternativa reconhece sua função de legitimar guerra, escravização e ocupação territorial.
  • Priorize alternativas que articulem interesses religiosos, políticos e econômicos da colonização, em vez de isolar o episódio como fato desconectado da dominação portuguesa.

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Comentários

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c) o episódio serviu como justificativa moral e legal para a guerra de extermínio e de escravização dos caetés, inserindo-se na estratégia colonial de dominação territorial.

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