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Ano: 2015 Banca: BIO-RIO Órgão: Prefeitura de Mangaratiba - RJ
Q1230817 Português
A instituição escolar em tempos de intolerância
Conceituar a educação como bem de consumo ajuda a promover uma mentalidade consumista em seus usuários, professorado e alunado; estimula-os a abraçarem o trabalho escolar e as ofertas de formação pensando como consumidores, ou seja, em seu valor de intercâmbio com o mercado ou nos benefícios que podem auferir ao cursarem uma disciplina, especialidade ou titulação. A instituição escolar aparece como imprescindível somente enquanto proporcionadora de recursos para se obterem, no dia de amanhã, benefícios estritamente privados, visando ao enriquecimento a título individual.
Contudo, ao mesmo tempo que se produz esta aposta na mercantilização do sistema educativo, surgem diagnósticos acerca da degradação das sociedades atuais, da decadência moral, violência e egoísmo das pessoas que habitam os países desenvolvidos. Vivemos uma época que algumas pessoas, bem como grupos sociais, definem como de pânico moral; para alguns grupos, a educação é responsável por tudo e, ao mesmo tempo, quase todo mundo a considera tábua de salvação capaz de nos conduzir a um futuro social diferente.
Uma população atemorizada, que vive em situação de pânico moral, surge da constatação de que aquilo que até determinado momento eram ideais compartilhados, estilos de vida que serviam de modelo e parâmetros de avaliação da convivência e do modo de viver de uma comunidade, está sendo destruído. Insegurança e medo do desconhecido se convertem em pânico à medida que alguns meios de comunicação amplificam os delitos cometidos pelas pessoas, especialmente as de determinados grupos sociais – que são absolutamente rotuladas como perigosas. Assim, algumas etnias minoritárias – como a cigana, os imigrantes marroquinos ou nigerianos, ou grupos juvenis específicos, como os punks, cabeças raspadas, roqueiros, hooligans etc. – acabam convertendo-se nos principais inimigos da sociedade e acusadas de toda a violência que existe em nosso entorno, devido à forma como os meios de comunicação de massa relatam suas ações, destacando-as, normalmente, com exagero. Dessa maneira, gera-se na sociedade uma forte hostilidade contra estes grupos sociais marginalizados, vistos como ameaça à paz social, capazes de destruir o mundo de valores hegemônicos e de levarem os cidadãos a submergirem em um ambiente de caos e destruição.
SANTOMÉ, Jurjo Torres. A instituição escolar em tempos de intolerância. TEIAS: Revista da Faculdade de Educação / UERJ – n. 3, jun. 2001.
O suposto perigo representado pelas etnias minoritárias, em tempos de pânico moral, é resultado, segundo o texto:
Alternativas

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Comentário do Gabarito – Interpretação de Texto

Tema central: A questão trabalha interpretação de texto, mais especificamente a identificação da causa de determinada percepção social conforme o texto. O aluno precisa compreender a relação de causa e efeito apresentada pelo autor e distinguir o que é opinião do narrador, dado do texto ou inferência errônea.

Justificativa para a alternativa correta (D):

A alternativa D) do ataque dos meios de comunicação a esses grupos é a correta porque o texto destaca que “alguns meios de comunicação amplificam os delitos cometidos pelas pessoas, especialmente as de determinados grupos sociais – que são absolutamente rotuladas como perigosas”. O papel da mídia, portanto, está em exagerar e reforçar a imagem de perigo dessas minorias, gerando medo, pânico moral e hostilidade social. Segundo Ingedore Koch e Irandé Antunes, interpretação de texto exige identificar conexões explícitas e implícitas; nesse caso, a ligação está clara: a mídia constrói a percepção de perigo.

Por que as demais alternativas estão incorretas?

A) dos movimentos migratórios de desempregados: O texto não aponta a migração de desempregados como causa para o “perigo” social atribuído às minorias.

B) do comportamento marginal dos seus indivíduos: A ideia central não está no comportamento real dos indivíduos, mas sim na forma como a mídia generaliza e rotula os grupos.

C) do ambiente de caos e destruição em que vivem: Não há menção a ambientes de caos vivido por esses grupos nem relação causal estabelecida no texto.

E) de condutas morais e sociais inaceitáveis desses grupos: Novamente, o texto destaca o rótulo atribuído pela mídia, não uma conduta intrinsecamente inaceitável.

Estratégia para questões desse tipo: Procure localizar no texto as conexões de causa e efeito (verbos como “provocar”, “resultar”, “fazer com que”) e evite respostas baseadas em senso comum, generalizações ou juízos de valor não explicitados pelo autor.

Referência normativa: Manual de Redação da Presidência da República e Bechara destacam que a clareza e a lógica textual são essenciais para a boa interpretação.
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