Neste parágrafo, o narrador do romance:
O parágrafo reproduzido a seguir foi extraído do romance Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis. Considere-o para responder à questão seguinte.
“Que me conste, ainda ninguém relatou o seu próprio delírio; faço-o eu, e a ciência mo agradecerá. Se o leitor não é dado à contemplação destes fenômenos mentais, pode saltar o capítulo; vá direto à narração. Mas, por menos curioso que seja, sempre lhe digo que é interessante saber o que se passou na minha cabeça durante uns vinte a trinta minutos”.
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Assunto central: Interpretação de Texto — abordagem das intenções do narrador e da relação estabelecida entre ele e o leitor. É fundamental analisar a compreensão global do trecho e a coerência textual das alternativas propostas.
A interpretação exige, conforme Celso Cunha e Lindley Cintra, “a apreensão do sentido global que o autor quis transmitir, levando em conta não apenas as palavras, mas seu contexto e as relações entre elas”. Assim, o núcleo da questão está em perceber a estratégia narrativa adotada por Machado de Assis ao dialogar diretamente com o leitor.
Análise da alternativa correta:
B) Convida o leitor a adentrar ao seu universo imaginativo, dando a entender, porém, que isso não é fundamental para que o leitor entenda a história.
Essa alternativa captura com precisão a proposta do narrador: ao dizer “pode saltar o capítulo; vá direto à narração”, ele expõe a liberdade de escolha do leitor, sinalizando que o entendimento dos devaneios não é obrigatório para acompanhar a história principal. O convite existe, mas sem imposição. Isso envolve uma relação flexível e participativa com o leitor, marca da narrativa machadiana (cf. Bechara, p. 134).
Análise das alternativas incorretas:
A) A palavra “imprescindível e obrigatório” não está no texto, nem é sugerida. O narrador explicitamente dispensa o leitor da leitura detalhada deste capítulo, o que nega qualquer obrigatoriedade.
C) Não há demonstração de aborrecimento ou crítica a romances da época, nem preferência por devaneios mentais sobre desventuras físicas. O texto fala apenas sobre sua própria experiência.
D) O enunciado “a ciência mo agradecerá” não revela desprezo pelas ciências; trata-se, possivelmente, de ironia ou humor, muito comum em Machado, e jamais superioridade autêntica nesse contexto.
Estratégias para provas:
• Atente-se à intenção comunicativa do narrador: foco no que é explicitamente facultativo, obrigatório ou opinativo.
• Cuide com extrapolações de sentido e termos absolutos nas alternativas (“sempre”, “nunca”, “obrigatório”).
• Procure pelas palavras-chave e pela coerência interna do texto.
Para aperfeiçoar sua leitura, vale revisar as explicações sobre coesão e intenção do narrador em obras como as de Cunha & Cintra e Bechara.
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✅ Gabarito: B
✓ “Que me conste, ainda ninguém relatou o seu próprio delírio; faço-o eu, e a ciência mo agradecerá. Se o leitor não é dado à contemplação destes fenômenos mentais, pode saltar o capítulo; vá direto à narração. Mas, por menos curioso que seja, sempre lhe digo que é interessante saber o que se passou na minha cabeça durante uns vinte a trinta minutos”.
➥ A parte em negrito marca o convite ao leitor para que possa adentrar ao seu universo imaginativo, o autor considera como interessante saber sobre isso, mas não necessário, tanto que convida o leitor até mesmo a saltar o capítulo e ir direto à história.
➥ FORÇA, GUERREIROS(AS)!!
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