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A narradora do texto "A bola amarela" mostrase:

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Q4196831 Português
Leia o texto a seguir para responder à questão.


A bola amarela


    Outro dia, chegando ao quintal pela manhã, me deparei com uma bola amarela. Imediatamente me lembrei do poema de Cecília Meireles, Jogo de bola. “Bola amarela, / a da Arabela. / A do Raul, / azul. / Rola a amarela / e pula a azul."

    Peguei a bola e reportei-me à infância, em que brincávamos com a bola emprestada dos meninos da Rua Nova. Vez por outra, a bola caía no quintal da vizinha, Dona Guilé (Guilhermina), ficávamos torcendo para tê-la de volta. Qual nada! Sempre nervosa, sem dó nem piedade, ela cortava a bola e jogava os pedaços de volta para a rua. Parecia até que ela ficava do outro lado do muro, esperando a redonda, pois, no melhor da brincadeira, um toque forte e certeiro de alguém, quase sempre, fazia a bola cair no quintal de Dona Guilé e a brincadeira acabava. Inventávamos outras brincadeiras para preencher as horas livres daquelas tardes.

    Fotografei a bola amarela, ainda recordando os jogos de queimada e de futebol da nossa infância. Lembrei-me da tristeza com que ficávamos quando Dona Guilé nos devolvia, por cima do muro, a bola cortada... Logo, voltei meu pensamento para a alegria dos momentos em que jogávamos bola na rua, sem medo e sem preocupação. Coisa rara hoje em dia!

    Então, me veio à mente aquela crônica de Luis Fernando Veríssimo, A bola, que descreve a decepção de um pai, nos dias atuais, que dá uma bola de presente ao filho e ele pergunta: como é que liga? E vai procurar no embrulho o manual de instrução. Sem se encantar com a bola, a criança volta para a frente da televisão para jogar, usando o controle remoto do vídeo game. (...)

    Pensamentos e considerações à parte. Abri o portão na esperança de encontrar o dono da bola. Era cedo ainda e não havia crianças na rua. Precisava sair para trabalhar, não poderia prender o brinquedo das crianças, resolvi deixar a bola na calçada para ela encontrar seu dono ou dona.

    
  Naquele mesmo dia, no final da tarde, quando estava regando as plantas, ouvi o barulho de crianças brincando. Fui olhar e lá estavam quatro meninos, ensaiando embaixadinhas e brincando com a bola amarela.


MELO, Merandolina Pereira de. A bola amarela. Portal escritores. Disponível em .<https://portalescritores.com.br/texto/7375/a-bolaamarela>.
A narradora do texto "A bola amarela" mostrase:
Alternativas

Gabarito comentado

Confira o gabarito comentado por um dos nossos professores

Gabarito: C

Fundamento decisivo: O critério decisivo é textual-semântico: a questão pede a atitude da narradora, e o trecho obrigatório “Peguei a bola e reportei-me à infância, em que brincávamos com a bola emprestada dos meninos da Rua Nova.” ativa explicitamente um movimento de rememoração afetiva; somado a marcas como “recordando”, “Lembrei-me” e ao contraste “Coisa rara hoje em dia!”, isso conduz ao tom saudosista e, portanto, ao gabarito C.

Tema central: saudosismo da narradora
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque a narradora não é indiferente às crianças do tempo atual. Ela reflete sobre o universo infantil e age concretamente para não privá-las da bola: “não poderia prender o brinquedo das crianças” e, por isso, deixa a bola na calçada. A referência à crônica de Veríssimo funciona como contraste entre épocas, não como desinteresse pelas crianças de hoje.
B
Errada
Está errada porque o texto inteiro desmente a ideia de indiferença ao passado. A narradora afirma “reportei-me à infância”, “recordando” e “Lembrei-me”, além de detalhar lembranças e sentimentos ligados às brincadeiras antigas. Há envolvimento emocional explícito com as experiências passadas.
C
Certa
A alternativa C está correta porque a narradora constrói sua imagem por meio de lembranças afetivas da infância. Ela retoma brincadeiras antigas, recupera emoções daquele tempo e valoriza esse passado ao associá-lo à “alegria” de jogar bola “sem medo e sem preocupação”, além de contrastá-lo com o presente em “Coisa rara hoje em dia!”. Esse conjunto de marcas de memória e valoração positiva caracteriza saudosismo.
D
Errada
Está errada porque a menção ao trabalho não aparece como valor superior aos sentimentos das crianças. No trecho final, a relação de sentido é outra: mesmo precisando sair, a narradora decide não reter a bola, justamente porque “não poderia prender o brinquedo das crianças”. O período mostra consideração pelas crianças, não prioridade afetiva do trabalho.
E
Errada
Está errada porque não há no texto marcas de postura progressista nem de elaboração de planos para o futuro. O foco temático recai sobre a recordação da infância e sobre o contraste entre passado e presente. A expectativa de que a bola encontre o dono ou dona é apenas uma ação circunstancial, não um projeto de futuro.
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre crítica ao presente e indiferença às crianças atuais, além da tentação de isolar a frase sobre o trabalho e ignorar que a narradora age para devolver a bola às crianças.
Dica para questões semelhantes
  • Quando o comando perguntar como o narrador se mostra, procure verbos de memória, avaliação e comentário, porque eles revelam a atitude discursiva.
  • Diferencie lembrança afetiva de simples relato de fatos: expressões como “reportei-me”, “recordando” e “Lembrei-me” sinalizam construção memorial.
  • Observe se o texto valoriza um tempo em comparação com outro; contraste entre passado positivo e presente empobrecido costuma indicar saudosismo.

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