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Ano: 2013 Banca: FGV Órgão: TJ-AM Prova: FGV - 2013 - TJ-AM - Juiz |
Q359253 Direito da Criança e do Adolescente - Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) - Lei nº 8.069 de 1990
Com relação ao trabalho do menor, assinale a afirmativa correta.
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Interpretação do tema jurídico: A questão aborda o trabalho do menor, mais especificamente do adolescente, e a sua regulação nos Direitos Fundamentais previstos na legislação brasileira, em especial a Constituição Federal de 1988 e o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), com foco nas restrições, exceções e proteções à aprendizagem.

Legislação de apoio:
Constituição Federal, art. 7º, XXXIII: “proibição de trabalho noturno, perigoso ou insalubre a menores de dezoito e de qualquer trabalho a menores de dezesseis anos, salvo na condição de aprendiz, a partir de quatorze anos”.
ECA, art. 60: “É proibido qualquer trabalho a menores de quatorze anos de idade, salvo na condição de aprendiz”.
ECA, art. 67, IV: veda trabalho em horários/locais incompatíveis com a frequência à escola.

Jurisprudência relevante:
STF – ADI 2096: Supremo Tribunal Federal confirmou a vedação do trabalho a menores de 16 anos, exceto como aprendiz a partir de 14 anos.

Tema central e exemplo prático:
O tema está relacionado à proteção integral ao adolescente no ambiente de trabalho, garantindo acesso à educação e ao desenvolvimento seguro e não prejudicial. Exemplo: Um adolescente de 15 anos pode ser contratado como aprendiz em empresa, desde que matriculado e frequentando escola regular, recebendo todos os direitos trabalhistas e previdenciários.

Justificativa da alternativa correta (D):
A alternativa (D) reflete exatamente o prescrito nos dispositivos constitucionais e no ECA: trabalho como aprendiz somente a partir dos 14 anos, com obrigatoriedade de acesso escolar.

Análise das alternativas incorretas:

A) Errada. O trabalho como aprendiz só é permitido a partir dos 14 anos, não dos 13.
B) Errada. É vedado trabalho noturno a menores de 18 anos (ECA, art. 67, I).
C) Errada. É proibido trabalho que prejudique a frequência escolar (ECA, art. 67, IV).
E) Errada. Não é só até os 16 anos: a proibição de trabalho perigoso ou insalubre vai até os 18 anos (CF, art. 7º, XXXIII).

Pegadinhas: Atenção aos limites mínimos de idade, condições e restrições. Questões frequentemente tentam confundir o aluno trocando a idade ou flexibilizando proteções.

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resposta D - art. 60, 61, 62 e 63 do ECA

ECA: Art. 67. Ao adolescente empregado, aprendiz, em regime familiar de trabalho, aluno de escola técnica, assistido em entidade governamental ou não-governamental, é vedado trabalho:

I - noturno, realizado entre as vinte e duas horas de um dia e as cinco horas do dia seguinte;

II - perigoso, insalubre ou penoso;

III - realizado em locais prejudiciais à sua formação e ao seu desenvolvimento físico, psíquico, moral e social;

IV - realizado em horários e locais que não permitam a freqüência à escola.


Deve-se atentar que, pelo texto frio do art. 60 do ECA, a alternativa A estaria correta.
Entretanto, a Constituição Federal, após a Emenda Constitucional 20 de 1998, passou a estabelecer que é proibido qualquer trabalho aos menores de 16 (dezesseis) anos, salvo na condição de aprendiz, a partir de 14 (quatorze) anos, conforme art. 7º, XXXIII, da Constituição Federal.
Assim, havendo conflito entre a norma infraconstitucional e a Constituição, deve esta prevalecer, concluindo-se que o art. 60 do ECA não foi recepcionado pelo novo texto constitucional introduzido pela EC 20/98.

O fundamento da letra "e" não está no ECA e sim na CF, no seu artigo 7º, inciso XXXIII. Ou seja, o trabalho noturno, perigoso ou insalubre é proibido não só dos 14 aos 16 anos e sim até os 18 anos. Lembrando que ao menor de 14 anos não é permitido qualquer trabalho e que entre 14 e 16 só é permitido na condição de aprendiz.

ECA:

Do Direito à Profissionalização e à Proteção no Trabalho

Art. 60. É proibido qualquer trabalho a menores de quatorze anos de idade, salvo na condição de aprendiz. (Vide Constituição Federal)

Art. 61. A proteção ao trabalho dos adolescentes é regulada por legislação especial, sem prejuízo do disposto nesta Lei.

Art. 62. Considera-se aprendizagem a formação técnico-profissional ministrada segundo as diretrizes e bases da legislação de educação em vigor.

Art. 63. A formação técnico-profissional obedecerá aos seguintes princípios:

I - garantia de acesso e freqüência obrigatória ao ensino regular;

II - atividade compatível com o desenvolvimento do adolescente;

III - horário especial para o exercício das atividades.

Art. 64. Ao adolescente até quatorze anos de idade é assegurada bolsa de aprendizagem.

Art. 65. Ao adolescente aprendiz, maior de quatorze anos, são assegurados os direitos trabalhistas e    previdenciários.

Art. 66. Ao adolescente portador de deficiência é assegurado trabalho protegido.

Art. 67. Ao adolescente empregado, aprendiz, em regime familiar de trabalho, aluno de escola técnica, assistido em entidade governamental ou não-governamental, é vedado trabalho:

I - noturno, realizado entre as vinte e duas horas de um dia e as cinco horas do dia seguinte;

II - perigoso, insalubre ou penoso;

III - realizado em locais prejudiciais à sua formação e ao seu desenvolvimento físico, psíquico, moral e social;

IV - realizado em horários e locais que não permitam a freqüência à escola.

Art. 68. O programa social que tenha por base o trabalho educativo, sob responsabilidade de entidade governamental ou não-governamental sem fins lucrativos, deverá assegurar ao adolescente que dele participe condições de capacitação para o exercício de atividade regular remunerada.

§ 1º Entende-se por trabalho educativo a atividade laboral em que as exigências pedagógicas relativas ao desenvolvimento pessoal e social do educando prevalecem sobre o aspecto produtivo.

§ 2º A remuneração que o adolescente recebe pelo trabalho efetuado ou a participação na venda dos produtos de seu trabalho não desfigura o caráter educativo.

Art. 69. O adolescente tem direito à profissionalização e à proteção no trabalho, observados os seguintes aspectos, entre outros:

I - respeito à condição peculiar de pessoa em desenvolvimento;

II - capacitação profissional adequada ao mercado de trabalho.

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