Paciente refere cefaleia em pressão, holocraniana, de leve...

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Q3571579 Medicina
Paciente refere cefaleia em pressão, holocraniana, de leve intensidade, há cerca de 1 semana. Refere que a dor geralmente aparece ao fim do dia e melhora durante a atividade física. Nega náuseas e vômitos. O exame neurológico é normal, mas há hipertonia e hiperestesia da musculatura pericraniana. Assinale a alternativa que apresenta o diagnóstico correto. 
Alternativas

Gabarito comentado

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Tema central: Classificação de cefaleias primárias com base em critérios clínicos (ICHD-3/IHS). O enunciado descreve uma cefaleia pressiva, holocraniana, de leve intensidade, sem náuseas/vômitos, que não piora (e até melhora) com atividade física e com hipertonia/hiperestesia pericraniana. Isso orienta fortemente para cefaleia do tipo tensional.

Alternativa correta: B – Cefaleia do tipo tensional

Justificativa clínica: Segundo a ICHD-3 (International Classification of Headache Disorders), a cefaleia tipo tensional caracteriza-se por: (1) dor bilateral/holocraniana; (2) qualidade pressiva/“em aperto” (não pulsátil); (3) intensidade leve a moderada; (4) não agravada por atividades físicas rotineiras. Além disso, há ausência de náuseas e vômitos e pode haver, no máximo, uma entre fotofobia ou fonofobia. A duração típica é de 30 minutos a 7 dias. A sensibilidade/hipertonia da musculatura pericraniana é um achado frequente e reforça o diagnóstico. O padrão de surgir ao fim do dia sugere tensão muscular/estresse. Referências: ICHD-3 (IHS), UpToDate, Harrison’s.

Análise das alternativas incorretas

A – Enxaqueca com aura: Exigiria aura típica (sintomas visuais/sensitivos/da linguagem, transitórios, 5–60 min) antecedendo a dor. O caso não descreve aura. Além disso, enxaqueca costuma ser pulsátil, moderada a intensa, piora com atividade física, e frequentemente associa náuseas/vômitos e foto/fonofobia – características ausentes aqui.

C – Cefaleia em salvas (cluster): Dor unilateral, excruciante, orbitária/temporal, com sintomas autonômicos ipsilaterais (lacrimejamento, congestão nasal, ptose, miose), crises de 15–180 min, paciente inquieto. O quadro apresentado é leve, holocraniano, sem sinais autonômicos – incompatível com salvas.

D – Enxaqueca sem aura: Mantém o fenótipo migranoso: pulsátil, moderada a severa, piora com atividade física, comumente com náuseas/vômitos. O caso mostra justamente o oposto (pressiva, leve, melhora com atividade, sem náuseas), afastando enxaqueca.

Dicas de prova (evite pegadinhas): Palavras-chave para tensional: pressão/aper­to, bilateral/holocraniana, leve, sem náuseas/vômitos, não piora com esforço, dor ao palpar músculos pericranianos. Para enxaqueca: pulsátil, piora com atividade, náuseas, foto/fonofobia, (± aura). Para salvas: unilateral severa + autonômicos.

Conduta resumida na APS: Analgesia de resgate (paracetamol, AINEs), medidas não farmacológicas (sono, hidratação, ergonomia, pausa/alongamento, manejo do estresse, fisioterapia da musculatura cervical/temporal). Profilaxia se frequente/crônica: amitriptilina é opção de 1ª linha. Sem sinais de alarme e exame neurológico normal, em geral não há necessidade de neuroimagem. Fontes: ICHD-3/IHS; UpToDate; Harrison’s.

Gabarito: B – Cefaleia do tipo tensional

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