O jornal e suas metamorfoses ...
O jornal e suas metamorfoses
Um senhor pega um bonde após comprar um jornal e pô-lo debaixo do braço. Meia hora depois, desce com o mesmo jornal debaixo do mesmo braço.
Mas já não é o mesmo jornal, agora é um monte de folhas impressas que o senhor abandona no banco da praça.
Mal fica sozinho na praça, o monte de folhas impressas se transforma outra vez em jornal quando um rapaz o descobre, o lê e o deixa transformado num monte de folhas impressas.
Mal fica sozinho no banco, o monte de folhas impressas se transforma outra vez em jornal quando uma velha o encontra, o lê e o deixa transformado num monte de folhas impressas. A seguir, leva-o para casa e no caminho aproveita-o para embrulhar um molho de acelga, que é para o que servem os jornais após essas excitantes metamorfoses.
(CORTÁZAR, Julio. Histórias de cronópios e de famas. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2011. Adaptado).
Conforme a visão que se constrói nesse conto, para que o monte de folhas impressas converta-se no jornal, é preciso que ocorra
Gabarito comentado
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Gabarito comentado – Interpretação de Texto (Alternativa B)
Tema central: Esta questão cobra interpretação textual, mais especificamente a coerência e a construção do sentido a partir da relação entre o leitor e o texto. Trata-se de identificar o que transforma um monte de folhas impressas em "jornal", de acordo com o conto de Julio Cortázar.
Justificativa da alternativa correta (B):
"A interação entre o leitor e suas informações."
O texto mostra que o objeto "jornal" deixa de ser apenas um monte de folhas impressas somente quando alguém interage com ele lendo-o. Ao ser lido, volta à condição de jornal; sem leitor, retorna à condição de simples papel impresso. É esse ato de leitura — a interação — que ativa sua função comunicativa.
Segundo Celso Cunha & Lindley Cintra, o significado contextual depende de como o sujeito se relaciona com o texto. Evanildo Bechara também destaca que a coerência textual se constrói a partir desse tipo de relação ativa.
Análise das alternativas incorretas:
A) "O deslocamento da sua finalidade original": O texto menciona outros usos para o jornal (embrulhar acelga), mas o ponto central é a função informativa ativada pela leitura, não a mudança de utilidade após lido.
C) "A passagem da edição de pessoa para pessoa": Não é o repasse físico que o transforma em jornal, mas o ato de ler, independentemente de quantas pessoas o recebam.
D) "A conferência da veracidade de seu conteúdo": O texto não fala em verificar se a notícia é verdadeira ou falsa, apenas no uso/leitura.
E) "O contato sensorial entre seu papel e o homem": O contato físico por si só não transforma o jornal; a função informativa só se concretiza mediante leitura.
Estratégia para futuras questões: Atenção ao contexto: palavras-chave e mudanças de significado de termos conforme as ações dos personagens são centrais na interpretação de textos.
Resumo: O jornal só adquire sua identidade plena quando é lido, ou seja, quando há interação do leitor com seu conteúdo. É disso que trata o texto de Cortázar.
Resposta correta: B) a interação entre o leitor e suas informações.
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Comentários
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Gabarito letra B.
No texto a expressão "monte de folhas impressas" leva o leitor a concluir que não existiu uma interação entre os personagens e o jornal impresso. Assim, não houve transmissão de notícias.
Gabarito B: quando ocorre a interação entre o leitor e as informações do jornal.
"Mal fica sozinho na praça, o monte o monte de folhas impressas se transforma outra vez em jornal QUANDO um rapaz, o descobre, O LÊ e o deixa transformado num monte de folhas impressas. "
Erro da B: a pessoa que pega o jornal para fins diversos da leitura (ex: embrulhar acelga), o vê como um monte de folhas impressas, não como um jornal de fato. Logo, a mera passagem da edição de uma pessoa para outra não faz a conversão de folhas impressas em jornal.
Erro da C: similar à justificativa da B. A pessoa que no toca/pega no jornal sem o intuito de lê, não o vê como jornal, mas como um conjunto de folhas impressas. Logo, o contato sensorial (no caso, o tato) não é o gabarito da questão.
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