Um idoso de 80 anos é admitido após atropelamento, apresent...

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Ano: 2026 Banca: Avança SP Órgão: SES - SP Prova: Avança SP - 2026 - SES - SP - Médico I |
Q3833136 Medicina
Um idoso de 80 anos é admitido após atropelamento, apresentando PA 90×60 mmHg, pulso 110 bpm e enchimento capilar lento. A reposição rápida com cristaloides é iniciada, mas o paciente evolui com crepitações pulmonares difusas e dessaturação. Com base nos princípios do ATLS, a conduta mais adequada é:
Alternativas

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Gabarito: E

Fundamento decisivo: Na ressuscitação do trauma, a infusão de cristaloides deve ser titulada à resposta clínica. O surgimento de crepitações pulmonares difusas e dessaturação durante a expansão volêmica indica intolerância/sobrecarga hídrica, exigindo reduzir a infusão e monitorar perfusão e congestão; por isso, a alternativa E é a correta.

Tema central: Sobrecarga volêmica no trauma
Análise das alternativas
A
Errada
Manter reposição agressiva apesar de crepitações pulmonares e dessaturação contraria o critério clínico decisivo do caso. Esses achados indicam sobrecarga hídrica durante a expansão volêmica; insistir em cristaloide tende a piorar edema pulmonar e troca gasosa.
B
Errada
Aumentar a taxa de infusão é ainda mais inadequado, porque o paciente já demonstrou má tolerância ao volume. Hipotensão isolada não autoriza escalonamento de fluidos quando há sinais objetivos de congestão pulmonar. A dessaturação e as crepitações contraindicam acelerar cristaloides.
C
Errada
Suspender todos os líquidos e administrar vasodilatadores não se sustenta no contexto de trauma com PA 90x60 mmHg e hipoperfusão. Vasodilatadores tenderiam a agravar a hipotensão. A presença de congestão pulmonar exige redução e titulação dos fluidos, não vasodilatação em cenário de choque traumático.
D
Errada
Não há base suficiente no enunciado para indicar transfusão imediata de sangue total em grande volume. O caso não documenta hemorragia maciça nem critério específico para protocolo transfusional. A questão cobra o reconhecimento da complicação da infusão de cristaloides; diante disso, a medida indicada é ajustar o volume infundido e monitorar, não iniciar grande volume de sangue automaticamente.
E
Certa
A alternativa E é a única compatível com a evolução do caso. O paciente era inicialmente hipoperfundido, mas após a reposição rápida com cristaloides passou a apresentar crepitações pulmonares difusas e dessaturação, sinais de congestão pulmonar por excesso de fluidos ou intolerância cardiopulmonar à expansão volêmica. Em idoso, esse risco é maior pela menor reserva cardiopulmonar. Pelos princípios do atendimento inicial ao trauma, a reposição não deve ser cega nem ilimitada: deve ser reavaliada continuamente conforme perfusão e efeitos adversos. Assim, a conduta correta é reduzir a infusão e monitorar rigorosamente sinais de congestão e de perfusão.
Pegadinha da questão
A banca desloca o foco do estado inicial de choque para a evolução após a infusão. O erro esperado é continuar raciocinando apenas pela hipotensão do trauma e ignorar o dado que realmente decide a questão: crepitações pulmonares difusas com dessaturação após cristaloide.
Dica para questões semelhantes
  • Em trauma, reavalie a conduta após a resposta ao fluido; o achado evolutivo pode mudar a decisão imediata.
  • Crepitações difusas e dessaturação durante expansão volêmica apontam intolerância ao volume e exigem reduzir/titular a infusão.
  • Não use pressão arterial isoladamente para guiar ressuscitação; integre sinais de perfusão e sinais de congestão.
  • Trauma com hipotensão não significa automaticamente indicação de transfusão em grande volume sem critério clínico específico.

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