Como se classifica a oração subordinada destacada no trecho...

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Ano: 2012 Banca: FUNCAB Órgão: SESC-BA Prova: FUNCAB - 2012 - SESC-BA - Auxiliar de Classe |
Q690977 Português

Texto 1:                                                           

                                                       Passe adiante

    Tenho vários DVDs de shows, e houve uma época em que os assistia atenta ou simplesmente deixava rodando como um som ambiente enquanto fazia outras coisas pela casa. Até que os esqueci de vez. Conhecedor do meu acervo, meu irmão outro dia pediu:

    - Posso pegar emprestado uns shows aí da tua coleção?

    Claro!Ele escolheu quatro e levou com ele. E subitamente me deu uma vontade incontrolável de voltar a assistir aqueles shows. Aqueles quatro, não é estranho?

   Logo a vontade passou, mas fiquei com o alerta na cabeça. Me lembrei de uma amiga que uma vez disse que havia comprado um vestido que nunca usara, ele seguia pendurado no guarda-roupa. Um dia ela me mostrou o tal vestido e intimou:

    - Pega pra ti, me faz esse favor. Jamais vou usar.

   Trouxe-o para casa. Muito tempo depois ela me confidenciou, às gargalhadas, que não havia dormido aquela noite. Passou a ver o vestido com outros olhos. Por que ela não dera uma chance a ele?

   Maldita sensação de posse, que faz com que a gente continue apegada ao que deixou de ser relevante. Incluindo relacionamentos.

   Uma outra amiga vivia reclamando do namorado, dizia que eles não tinham mais nada em comum e que ela estava pronta para partir para outra. E porque não partia?

   - Porque não quero deixá-lo dando sopa por aí.

   Como é que é?

  Ela não terminava com o cara porque não queria que ele tivesse outra namorada, dizia que não suportaria. Reconhecia a mesquinhez da sua atitude, mas, depois de tantos anos juntos, ela ainda não se sentia preparada para admitir que ele não seria mais dela.

   DVDs, roupas, amores: claro que não é tudo a mesma coisa, mas o apego irracional se parece. É a velha e surrada história de só darmos valor àquilo que perdemos. Será que existe solução para essa neura? Atribuir ao nosso egoísmo latente talvez seja simplista demais, porém, não encontro outra justificativa que explique essa necessidade de “ter” o que já nem levamos mais em consideração.

  É preciso abrir espaço. Limpara papelada das gavetas, doar sapatos e bolsas que estão mofando, passar adiante livros que jamais iremos abrir. É uma forma de perder peso e convidar a tão almejada “vidanova” para assumir o posto que lhe é devido. Fácil? Bref. Um pedaço da nossa história vai embora junto. Somos feitos - também - de ingressos de shows, recortes de jornal, fotos de formatura, bilhetes de amor.

  Sem falar no medo de não reconhecermos a nós mesmos quando o futuro chegar, de não ter lá na frente emoções tão ricas nos aguardando, de a nostalgia vir a ser mais potente do que a tal “vida nova”.

  Qual é a garantia? Um ano para geladeiras, três anos para carros 0km, cinco anos para apartamentos. Pra vida, não tem. É se desapegar e ver no que dá, ou ficar velando para sempre os cadáveres das vontades que passaram.

(Medeiros , Martha. Revista O Globo, 20/05/2012.)

 
Como se classifica a oração subordinada destacada no trecho: “Ela não terminava com o cara porque não queria QUE ELE TIVESSE OUTRA NAMORADA [...]”?
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: D

Fundamento decisivo: No trecho "Ela não terminava com o cara porque não queria que ele tivesse outra namorada", a oração destacada é introduzida por "que" e completa diretamente o verbo "queria", sem preposição; por isso, exerce função de objeto direto e se classifica como oração subordinada substantiva objetiva direta.

Tema central: orações subordinadas substantivas
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque a oração destacada não retoma nem explica nenhum substantivo antecedente. Orações adjetivas explicativas modificam um nome anterior; aqui, a oração completa o verbo "queria". O "que" do trecho não introduz uma oração relativa, mas uma estrutura de valor substantivo.
B
Errada
Está errada pelo mesmo critério essencial: a oração não restringe o sentido de nenhum termo nominal anterior. Não há substantivo antecedente sendo determinado pela oração. Sua função sintática é de complemento verbal, não de modificação de nome.
C
Errada
Está errada porque a oração destacada não exerce função de sujeito. O sujeito de "queria" é "ela", já expresso/referível no período; por isso, a oração não pode ser subjetiva. Aqui, ela ocupa a posição de complemento do verbo, e não de sujeito do predicado.
D
Certa
A alternativa D está correta porque a oração destacada funciona como complemento verbal de "queria". No contexto, "querer" é transitivo direto, e o conteúdo querido aparece na forma de oração desenvolvida introduzida por "que": "não queria que ele tivesse outra namorada". Como essa oração equivale ao objeto direto de "queria" e não vem precedida de preposição, a classificação correta é subordinada substantiva objetiva direta.
E
Errada
Está errada porque não há preposição entre "queria" e a oração destacada. A classificação como objetiva indireta exigiria complemento verbal preposicionado. No trecho, a ligação é direta: "não queria que ele tivesse outra namorada".
Pegadinha da questão
A banca combinou duas fontes reais de confusão: o período tem uma oração causal introduzida por "porque", mas a oração pedida é a destacada, interna a essa estrutura; além disso, o "que" pode induzir leitura de oração adjetiva, quando aqui ele apenas introduz a oração que completa o verbo "queria".
Dica para questões semelhantes
  • Localize a oração pedida dentro do período e identifique a que termo ela se liga: aqui, ela depende de "queria", não de "porque".
  • Teste a função sintática da oração subordinada: se ela responde ao que alguém quer, pensa, diz ou vê, pode estar funcionando como complemento verbal.
  • Verifique se há preposição exigida antes da oração; sem preposição, não é objetiva indireta.
  • Não classifique pela presença de "que" apenas; primeiro confira se ele introduz complemento de verbo ou oração que modifica um substantivo.

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Gabarito: letra D (para aqueles que só podem ler 10 por dia)

 “Ela não terminava com o cara porque não queria QUE ELE TIVESSE OUTRA NAMORADA [...]”

→ Temos uma conjunção subordinativa integrante que introduz uma oração subordinada substantiva objetiva direta.

GABARITO. D

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