A biopolítica do corpo dançante, à luz de Michel Foucault, ...
I.A biopolítica se refere às estratégias e mecanismos pelos quais o poder moderno passa a gerir a vida, não mais por meio da soberania (que decide sobre a morte), mas pela administração da vida, o "fazer viver e deixar morrer".
II.No caso do corpo dançante, isso se manifesta por meio das pedagogias do movimento, dos sistemas de treinamento e das codificações corporais que moldam o corpo segundo ideais estéticos e produtivos específicos. O balé clássico, por exemplo, encarna de modo exemplar o corpo biopoliticamente regulado: ereto, simétrico, controlado e belo segundo padrões hegemônicos que expressam o ideal de civilidade e racionalidade do Ocidente moderno. Cada gesto é resultado de um adestramento, de uma técnica disciplinar que torna o corpo legível, útil e esteticamente aceitável.
III.O corpo dançante, quando subverte o controle e a norma, pode tornar-se um corpo político que se insurge contra as formas de sujeição. Práticas contemporâneas de dança (como a dança contemporânea, o butô, as danças urbanas e afro-diaspóricas) deslocam o corpo da função disciplinada e performam uma estética da diferença, da vulnerabilidade e da presença. Tais práticas desestabilizam o ideal de corpo eficiente e harmonioso, valorizando o movimento como experiência, potência e expressão singular.
Está(ão) CORRETA(S) a(s) seguinte(s) proposição(ões).