Gestante de 32 anos, G1P0, com 31 semanas e 4 dias de gestaç...
•Biometria fetal: DBP: 74 mm (percentil 20), CC: 274 mm (percentil 15), CA: 228 mm (percentil 3), CF: 53 mm (percentil 8)
•Peso fetal estimado: 1.280 g (percentil 3 - abaixo de 2 desvios-padrão)
•Relação CC/CA: 1,20 (aumentada - normal < 1,0 após 32 semanas)
•Índice de líquido amniótico: 6,2 cm (reduzido - normal 8-24 cm)
•Placenta: grau II, localização fúndica
•Anatomia fetal: sem malformações detectadas
•Dopplervelocimetria:
oSístole: Pico de velocidade normal (fluxo anterógrado)
oDiástole: AUSENTE - o fluxo retorna completamente à linha de base (diástole zero)
oÍndice de Pulsatilidade (IP): 2,8 (muito elevado - normal < 1,2 no 3º trimestre)
oÍndice de Resistência (IR): 1,0 (muito elevado - normal < 0,6-0,7)
oRelação S/D: Infinita (diástole = 0)
•Outros Dopplers realizados:
oArtéria cerebral média: IP 1,2 (normal: 1,4-1,8) - vasodilatação cerebral (centralização)
oRelação cerebroplacentária: 0,43 (< 1,0 - anormal, confirma centralização fetal)
oDucto venoso: onda "a" positiva (normal)
•Cardiotocografia: BCF basal 145 bpm, variabilidade moderada, 2 acelerações em 20 minutos, sem desacelerações (reativa).
Considerando o quadro de CIUR grave com os achados dopplervelocimétricos apresentados, qual a conduta mais adequada?
Gabarito comentado
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Gabarito: C
Fundamento decisivo: A base decisiva é a diretriz ISUOG 2020 para restrição de crescimento fetal precoce: em FGR grave, a artéria umbilical com fluxo diastólico ausente exige vigilância intensiva em centro terciário, mas a interrupção imediata é reservada à piora hemodinâmica, sobretudo alterações do ducto venoso ou da cardiotocografia. Neste caso, a diástole zero na artéria umbilical coexistindo com ducto venoso de onda a positiva e CTG reativa indica comprometimento importante, porém ainda não terminal.
- Em FGR precoce, não decida o parto só pela artéria umbilical: integre ducto venoso e cardiotocografia para definir se há descompensação terminal.
- Diástole zero em artéria umbilical é achado grave que pede internação e monitorização intensiva, mas não significa automaticamente cesariana imediata se DV e CTG estão preservados.
- Antes de 34 semanas, se o parto é provável e ainda não há sinal terminal, a conduta correta costuma combinar corticoterapia antenatal e vigilância seriada em centro terciário.
- Centralização fetal confirma adaptação à insuficiência placentária; o gatilho de interrupção é a progressão para deterioração venosa, fluxo reverso ou CTG não tranquilizadora.
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