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Q3792392 Medicina
Gestante de 28 anos, G3P2, com 34 semanas de gestação, dá entrada no pronto-socorro obstétrico trazida pelo SAMU com queixa de dor abdominal intensa de início súbito há 1 hora, associada a sangramento vaginal moderado de cor vermelho-escuro. Refere que estava em repouso quando iniciou dor "em pontada" no abdome, contínua, que não alivia. Nega trauma abdominal. Nega perda de líquido amniótico. Movimentação fetal presente mas diminuída segundo a paciente. Pré-natal irregular (4 consultas), hipertensão arterial crônica em uso irregular de metildopa. Tabagista (10 cigarros/dia). Gestações anteriores: 2 partos vaginais, último há 2 anos. Nega uso de cocaína ou outras drogas ilícitas. Ao exame físico: paciente agitada, queixando-se de dor intensa. PA: 160/105 mmHg, FC: 108 bpm, Tax: 37,1 °C. Palidez cutâneo-mucosa 2+/4+. Abdome gravídico: útero hipertônico ("em tábua"), doloroso à palpação difusamente, altura uterina: 31 cm. Não é possível palpar partes fetais. Genitália externa: sangramento vaginal moderado, vermelho-escuro com coágulos. Ao toque vaginal: colo posterior, 2 cm de dilatação, 50% de apagamento. BCF detectado ao Sonar: 165 bpm, sem variabilidade. Não foi possível realizar cardiotocografia por agitação materna. Ultrassonografia à beira do leito: feto único, cefálico, BCF presente 168 bpm, diminuição do líquido amniótico, imagem sugestiva de hematoma retroplacentário. Considerando o quadro clínico e a hipótese diagnóstica mais provável, qual a conduta imediata mais adequada?
Alternativas

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Gabarito: D

Fundamento decisivo: Ministério da Saúde, Gestação de Alto Risco - Manual Técnico, 3ª ed., item 2.2.2 Descolamento prematuro de placenta, p. 55 do PDF: "A conduta obstétrica é sempre a resolução do parto. A escolha da via de parto depende das condições de vitalidade fetal e condições maternas. Na situação de feto vivo, o parto vaginal só é admitido se for iminente. Caso contrário, deve se sempre fazer cesárea." O caso descreve DPP grave, com feto vivo, sofrimento fetal e parto vaginal não iminente, impondo estabilização materna imediata e cesariana de urgência.

Tema central: Descolamento prematuro de placenta
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque transforma ultrassonografia/Doppler em requisito de confirmação antes da conduta. A base afirma que o diagnóstico do DPP é eminentemente clínico, e a ultrassonografia é método auxiliar, não condição prévia para indicar a interrupção. Além disso, propor observação em quadro com gravidade materno-fetal contraria a regra de resolução imediata.
B
Errada
Está errada porque propõe ampliar investigação e vigilância antes da resolução, apesar de já haver elementos clínicos suficientes de DPP grave com sofrimento fetal. Os exames laboratoriais são adequados, mas como parte da estabilização e do preparo para a interrupção imediata, não para postergar a cesariana.
C
Errada
Está errada porque prevê tocólise e espera de 48 horas para completar corticoterapia, o que é incompatível com DPP grave. A base é expressa ao indicar resolução da gestação, e não manejo expectante. Em DPP com sofrimento fetal e risco materno, não há espaço para prolongamento da gestação com nifedipina.
D
Certa
A alternativa D corresponde à conduta indicada para DPP grave: estabilização materna imediata com acessos venosos, reposição, tipagem, prova cruzada e exames, seguida de resolução imediata da gestação. Como o feto está vivo, há sinais de comprometimento fetal e o parto vaginal não é iminente, a via adequada é cesariana de urgência. A correção da alternativa decorre desse núcleo: estabilizar e interromper imediatamente a gestação por cesárea.
E
Errada
Está errada porque indica parto vaginal por indução/amniotomia sem que o parto seja iminente. A base fixa a exceção de forma restrita: com feto vivo, o parto vaginal só é admitido se for iminente. Aqui o colo está com 2 cm e 50% de apagamento, portanto não há iminência. Além disso, o caso já tem sinais de sofrimento fetal, o que reforça a necessidade de cesárea.
Pegadinha da questão
A banca explorou a confusão entre exame confirmatório e conduta: no DPP grave, o diagnóstico é clínico e a ultrassonografia apenas auxilia; não se pode adiar a resolução para Doppler, cardiotocografia ou corticoterapia. Também testou a exceção da via vaginal, que só cabe se o parto for iminente.
Dica para questões semelhantes
  • Em DPP, primeiro identifique o padrão clínico: dor súbita, sangramento vermelho-escuro e útero hipertônico/doloroso apontam para diagnóstico essencialmente clínico.
  • Se o feto está vivo, pergunte se o parto vaginal é iminente; se não for, a regra da base é cesariana.
  • Exames como hemograma, coagulograma e imagem podem ser necessários, mas não servem para atrasar a interrupção quando já há DPP grave com comprometimento materno-fetal.

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