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Q3792391 Medicina
Gestante de 30 anos, G2P1, com 26 semanas de gestação, comparece à consulta de pré-natal de rotina. Primeira gestação sem intercorrências, parto vaginal há 3 anos, recém-nascido com 4.200 g. Nega diabetes mellitus prévia. História familiar: mãe com diabetes tipo 2 diagnosticado aos 55 anos. IMC pré-gestacional: 31 kg/m² (obesidade grau I). Ganho ponderal atual: 8 kg. Nega sintomas de hiperglicemia. Glicemia de jejum no primeiro trimestre: 88 mg/dL (normal). Exame físico: PA: 120/75 mmHg, AU: 26 cm, BCF: 145 bpm. Foi solicitado teste oral de tolerância à glicose com 75g (TOTG75g) conforme protocolo de rastreamento. Paciente retorna com o resultado: TOTG-75g realizado com 26 semanas: Jejum: 88 mg/dL, 1 hora: 192 mg/dL, 2 horas: 163 mg/dL. Nega sintomas. Nega uso de corticoides ou outras medicações. Ultrassonografia obstétrica (26 semanas): feto único, biometria compatível com idade gestacional, percentil 60, líquido amniótico normal, placenta posterior grau 0. Considerando os resultados do TOTG-75g e as diretrizes atuais para diagnóstico e manejo do diabetes mellitus gestacional, qual a conduta mais adequada?
Alternativas

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Gabarito: C

Fundamento decisivo: OPAS/Ministério da Saúde. Rastreamento e Diagnóstico de Diabetes Mellitus Gestacional no Brasil, Figura 2, p. 24: "TOTG 75g
Dosagens: jejum, 1ª hora e 2ª hora
Ao menos um valor de:
Jejum: 92 a 125 mg/dL
1ª hora ≥ 180 mg/dL
2ª hora: 153 a 199 mg/dL". No caso, o TOTG-75g com 26 semanas mostrou 1 hora = 192 mg/dL e 2 horas = 163 mg/dL, ambos em faixa diagnóstica, o que confirma o diabetes mellitus gestacional.

Tema central: Diagnóstico e conduta no DMG
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque cria requisito inexistente: não é necessária repetição do TOTG-75g para confirmar o diagnóstico quando o exame, realizado entre 24 e 28 semanas, já apresenta ao menos um valor alterado nos pontos de corte adotados. A glicemia de jejum normal não afasta o diagnóstico, porque os valores de 1 hora e 2 horas são autônomos para esse fim.
B
Errada
Está errada por usar HbA1c como exame confirmatório em situação já resolvida pelo TOTG-75g. A base é expressa em afirmar que, nesse contexto, o exame decisivo é o TOTG-75g, sem necessidade de confirmação por HbA1c. Além disso, a alternativa vincula HbA1c ≥ 6,5% à confirmação de DMG e à insulinoterapia imediata, o que não corresponde à lógica diagnóstica e terapêutica descrita na base para este caso.
C
Certa
A alternativa C aplica corretamente as duas etapas decisivas da questão. Primeiro, reconhece o diagnóstico de diabetes mellitus gestacional porque o TOTG-75g foi feito no período adequado e apresentou valores diagnósticos em 1 hora e 2 horas, sendo suficiente ao menos um valor alterado. Segundo, adota a conduta inicial indicada na base: terapia nutricional/orientação dietética e automonitorização glicêmica, com reavaliação precoce para verificar se haverá necessidade de insulina. A alternativa não exige confirmação indevida e não antecipa insulinoterapia sem demonstração de necessidade clínica no enunciado.
D
Errada
Está errada porque, embora reconheça corretamente o diagnóstico de DMG, erra na conduta ao impor insulinoterapia imediata sem que o enunciado demonstre falha das medidas iniciais ou outro critério clínico específico para esse início imediato. Há ainda erro factual relevante: a alternativa fala em macrossomia fetal, mas o ultrassom descrito mostra percentil 60 e líquido amniótico normal, o que não corresponde a macrossomia.
E
Errada
Está errada porque reduz o tratamento a restrição calórica rigorosa isolada e dispensa automonitorização glicêmica, contrariando a conduta inicial mínima indicada na base após confirmação do DMG. Também erra ao presumir baixo risco apenas porque a glicemia de jejum está normal, ignorando que o diagnóstico decorreu dos valores alterados de 1 hora e 2 horas no TOTG-75g.
Pegadinha da questão
A banca explorou a confusão entre critério que exigiria mais de um valor alterado e o critério atual do TOTG-75g, no qual basta ao menos um valor alterado; também tentou induzir erro com a ideia de que jejum normal impediria o diagnóstico e com a falsa menção a macrossomia, apesar de o ultrassom indicar percentil 60.
Dica para questões semelhantes
  • No TOTG-75g entre 24 e 28 semanas, confira separadamente jejum, 1 hora e 2 horas: um único valor em faixa diagnóstica já basta para DMG.
  • Depois de confirmado o DMG pelo TOTG-75g, elimine alternativas que exijam repetição do teste ou HbA1c como confirmação obrigatória.
  • Não antecipe insulinoterapia apenas pelo diagnóstico, salvo se o enunciado trouxer dado específico que imponha isso; a sequência inicial padrão é dieta orientada, automonitorização e reavaliação.
  • Confronte sempre a justificativa da alternativa com os dados objetivos do enunciado; aqui, afirmar macrossomia era incompatível com ultrassom em percentil 60.

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