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Q3792389 Medicina
Gestante de 34 anos, G2P1, com 35 semanas de gestação, é admitida no pronto-socorro com queixa de dor em hipocôndrio direito de forte intensidade há 6 horas, associada a náuseas e vômitos. Refere cefaleia occipital intensa e "visão embaçada" há 2 dias. Nega contrações uterinas ou perda de líquido. Pré-natal irregular, última consulta há 1 mês quando foi diagnosticada hipertensão arterial (PA: 150/100 mmHg) e iniciado metildopa 500 mg 8/8h. Ao exame físico: PA: 170/110 mmHg, FC: 98 bpm, Tax: 37,2 °C. Consciente, orientada, hiperreflexia patelar 3+/4+ com clônus aquileu. Dor intensa à palpação de hipocôndrio direito. AU: 32 cm, BCF: 152 bpm, tônus uterino normal. Exames laboratoriais: Hemoglobina: 9,2 g/dL (prévia: 12,1 g/dL há 1 mês), plaquetas: 68.000/mm³, TGO: 198 U/L, TGP: 176 U/L, DHL: 890 U/L, bilirrubina total: 2,8 mg/dL (indireta: 2,1 mg/dL), creatinina: 1,4 mg/dL, proteinúria 24h: 4,2 g. Esfregaço de sangue periférico: esquizócitos presentes. Ultrassonografia obstétrica: feto único, cefálico, peso estimado 2.100 g (percentil 15), líquido amniótico normal, placenta grau II de localização fúndica. Considerando o quadro clínico e laboratorial, qual a melhor conduta?
Alternativas

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Gabarito: A

Fundamento decisivo: FEBRASGO. Protocolo Obstetrícia nº 20/2024 – Síndrome HELLP: "5. Programar resolução da gestação independentemente da idade gestacional ."

Tema central: Síndrome HELLP
Análise das alternativas
A
Certa
A alternativa A é a correta porque o caso descreve pré-eclâmpsia grave com síndrome HELLP, quadro em que a gestação deve ser resolvida sem conduta expectante. Além disso, a estabilização materna é mandatória com sulfato de magnésio, conforme a base: "Assim sendo, o sulfato de magnésio (MgSO4) deve ser incluído nessa questão, pois reconhecidamente é a melhor alternativa para prevenir e tratar eclâmpsia." Também é compatível com a base a definição da via de parto conforme a segurança obstétrica, pois "Entretanto, em casos de pré-eclâmpsia com deterioração clínica e/ou laboratorial e colo uterino desfavorável, muitas vezes nos vemos em situações pouco seguras para aguardar a evolução do trabalho de parto, sendo a cesárea justificável."
B
Errada
Está errada porque impõe aguardar 48 horas para completar corticoterapia antes da interrupção da gestação. Na HELLP, a regra da base é a resolução imediata da gestação independentemente da idade gestacional, sem postergação obrigatória para esse fim.
C
Errada
Está errada porque propõe tratamento conservador e postergação até 37 semanas, o que contraria a necessidade de resolução imediata da gestação na HELLP. Também erra ao exigir plaquetas acima de 100.000/mm³ como condição para o parto.
D
Errada
Está errada porque transforma a indução vaginal com misoprostol em regra obrigatória independentemente das condições cervicais. A base afirma que a via de parto depende da indicação obstétrica e que a cesárea é justificável em caso de deterioração clínica/laboratorial e colo desfavorável.
E
Errada
Está errada porque propõe plasmaférese de urgência e tratamento conservador até 36-37 semanas, o que não corresponde à conduta da HELLP obstétrica típica. A base central é estabilização materna e resolução da gestação, não postergação.
Pegadinha da questão
A banca explorou a confusão entre duas ideias verdadeiras em abstrato, mas inaplicáveis aqui como regra de espera: benefício potencial da corticoterapia antenatal e preferência relativa por parto vaginal. Na HELLP com deterioração materna, nenhuma delas autoriza conduta expectante; o critério que resolve a questão é a necessidade de resolução imediata da gestação, com via definida pela segurança obstétrica.
Dica para questões semelhantes
  • Se o quadro trouxer hipertensão grave, sintomas neurológicos, dor em hipocôndrio direito, hemólise, enzimas hepáticas elevadas e plaquetopenia, pense em HELLP e descarte conduta expectante prolongada.
  • Em HELLP, a pergunta principal não é se dá para esperar o corticoide completar; a regra da base é resolver a gestação independentemente da idade gestacional.
  • Não trate a via vaginal como obrigatória: em deterioração clínico-laboratorial e colo desfavorável, a cesariana é justificável.
  • Plaquetopenia importante não significa adiar o parto até normalização ampla; significa ajustar a estratégia anestésico-cirúrgica se a cesariana for indicada.

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