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Q3792388 Medicina
Paciente de 53 anos, menopausa há 2 anos, procura consultório com queixa de fogachos intensos (12- 15 episódios/dia), sudorese noturna, insônia, irritabilidade e dispareunia. Sintomas interferem significativamente em sua qualidade de vida e trabalho. Refere também secura vaginal importante. Nega sangramento vaginal. História ginecológica: G3P3, último parto aos 32 anos, não amamentou (opção pessoal). Histerectomia total aos 46 anos por miomatose uterina (benigna), ovários preservados. História familiar: mãe diagnosticada com câncer de mama aos 58 anos (RE positivo, tratada com cirurgia e hormonioterapia, atualmente com 78 anos, sem recidiva). Irmã saudável, 55 anos. Tia paterna com câncer de ovário aos 65 anos. História pessoal: hipertensão arterial controlada (losartana 50 mg/dia), sem diabetes. Nega tabagismo. IMC: 27 kg/m². Exame físico: PA: 128/82 mmHg. Exame ginecológico: atrofia vulvovaginal acentuada. Mamas sem nódulos ou alterações. Mamografia realizada há 6 meses: mamas heterogeneamente densas (ACR tipo C), sem nódulos ou microcalcificações, BI-RADS 1. Considerando os sintomas climatéricos intensos e a história familiar de câncer de mama, qual a melhor orientação sobre terapia hormonal?
Alternativas

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Gabarito: B

Fundamento decisivo: As diretrizes técnico-assistenciais oficiais indicam que, em mulher histerectomizada, a terapia hormonal sistêmica adequada é estrogênio isolado, e que história familiar de câncer de mama, sem câncer de mama pessoal, não constitui contraindicação absoluta, mas fator de avaliação individualizada de risco-benefício. Como a paciente não tem útero, apresenta sintomas vasomotores intensos com importante repercussão funcional e não há contraindicação absoluta descrita, a conduta correta é admitir terapia hormonal sistêmica com estrogênio isolado, com monitoramento adequado.

Tema central: Terapia hormonal menopausal
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque converte a história familiar materna de câncer de mama em contraindicação formal à terapia hormonal sistêmica. A base é expressa em afirmar que antecedente familiar isolado não equivale a vedação absoluta; ele impõe aconselhamento e avaliação individualizada, não proibição automática.
B
Certa
A alternativa B aplica corretamente os dois critérios decisivos da questão. Primeiro, a paciente é histerectomizada, de modo que a regra terapêutica é o uso de estrogênio isolado, sem necessidade de progestagênio para proteção endometrial. Segundo, o antecedente familiar de câncer de mama é elemento de estratificação e aconselhamento, mas não proíbe, por si só, a terapia hormonal menopausal. Somando-se a isso o fato de que os fogachos são intensos e interferem na qualidade de vida e no trabalho, há suporte técnico para terapia sistêmica, com avaliação individual de riscos e benefícios e seguimento apropriado.
C
Errada
Está errada por dois motivos jurídicos-técnicos da base. O primeiro é que, sem útero, a regra é estrogênio isolado, pois o progestagênio tem função principal de proteção endometrial. O segundo é que a justificativa apresentada para acrescentar progesterona não sustenta a conduta proposta segundo a base, que não autoriza substituir a regra da histerectomizada por essa alegação comparativa de risco.
D
Errada
Está errada porque cria condição prévia não exigida pela base para decidir a terapia hormonal. A avaliação genética pode ter lugar em contexto próprio de investigação de risco hereditário, mas não há requisito técnico obrigatório de testar BRCA antes de qualquer decisão terapêutica sobre menopausa no caso descrito.
E
Errada
Está errada porque o estrogênio vaginal tópico tem escopo local, adequado para atrofia vulvovaginal, mas não substitui tratamento sistêmico quando há sintomas vasomotores intensos. Além disso, repete o erro de tratar a história familiar de câncer de mama como fundamento para afastar qualquer terapia sistêmica, o que a base não admite.
Pegadinha da questão
A banca explorou duas confusões reais: equiparar história familiar a câncer de mama pessoal como se fosse contraindicação absoluta e presumir que toda terapia hormonal exige progesterona, mesmo após histerectomia.
Dica para questões semelhantes
  • Separe sempre história familiar de câncer de mama de história pessoal: a primeira é fator de risco para aconselhamento; a segunda pode configurar contraindicação relevante.
  • Em paciente sem útero, verifique primeiro a regra do esquema hormonal: em regra, usa-se estrogênio isolado.
  • Não confunda tratamento local da atrofia vulvovaginal com controle de fogachos intensos, que pode exigir terapia sistêmica.
  • Teste genético pode ser tema de avaliação de risco hereditário, mas não trate isso como exigência automática prévia para toda decisão sobre terapia hormonal.

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