Puérpera de 26 anos, primípara, no 5º dia pós-parto, em alei...

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Q3792384 Medicina
Puérpera de 26 anos, primípara, no 5º dia pós-parto, em aleitamento materno exclusivo, procura atendimento referindo que as mamas estão "muito cheias, duras e doloridas" desde o dia anterior. Refere dificuldade para o bebê pegar a mama devido à tensão areolar. Nega febre, calafrios ou sinais inflamatórios focais. Parto vaginal sem intercorrências, alta hospitalar no 2º dia pós-parto. Ao exame físico: Tax: 36,8 °C, estado geral bom. Ambas as mamas aumentadas de volume, difusamente endurecidas, quentes, brilhantes, tensas, com dor à palpação. Aréolas distendidas e aplanadas. Mamilos sem fissuras. Sem áreas de eritema localizado ou flutuação. Expressão láctea difícil devido à tensão mamária. Observação da mamada: bebê apresenta dificuldade na pega devido ao aplanamento areolar, sucção fraca e curta, choro após tentativas. Considerando o quadro clínico e o diagnóstico mais provável, qual a conduta inicial mais adequada?
Alternativas

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Gabarito: C

Fundamento decisivo: Ministério da Saúde. Saúde da Criança: Nutrição Infantil: Aleitamento Materno e Alimentação Complementar. Cap. 1.9.4.1 Manejo do ingurgitamento mamário: "Se o ingurgitamento mamário patológico não pode ser evitado, recomendam-se as seguintes medidas: Ordenha manual da aréola, se ela estiver tensa, antes da mamada, para que ela fique macia, facilitando, assim, a pega adequada do bebê; Mamadas freqüentes, sem horários preestabelecidos (livre demanda); Massagens delicadas das mamas, com movimentos circulares, particularmente nas regiões mais afetadas pelo ingurgitamento; [...] Compressas frias (ou gelo envolto em tecido), em intervalos regulares após ou nos intervalos das mamadas;". O enunciado descreve ingurgitamento mamário puerperal típico, com aréola tensa e dificuldade de pega, sem sinais de mastite ou abscesso, o que conduz à alternativa C.

Tema central: Ingurgitamento mamário puerperal
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque introduz antibioticoterapia profilática sem requisito clínico de infecção mamária. A base afirma que, sem sinais de mastite, não há indicação inicial de antibiótico, e o manejo oficial do ingurgitamento é mecânico/fisiológico, com ordenha da aréola, livre demanda, massagem suave e compressas frias.
B
Errada
Está errada porque suspender a amamentação e inibir a prolactina com cabergolina contraria diretamente a conduta oficial. No ingurgitamento, a orientação é manter o aleitamento e o esvaziamento fisiológico com mamadas frequentes em livre demanda, não suprimir a lactação.
C
Certa
A alternativa C é a que traz as medidas expressamente previstas no manejo inicial oficial do ingurgitamento mamário: ordenha manual da aréola antes da mamada quando ela estiver tensa, para facilitar a pega; mamadas frequentes em livre demanda; massagem suave; e compressas frias após ou entre mamadas. Esse é exatamente o quadro clínico descrito no enunciado: congestão difusa bilateral, dor, tensão areolar e dificuldade de sucção, sem febre, sinais focais de inflamação ou flutuação.
D
Errada
Está errada porque propõe ordenha mecânica vigorosa para esvaziamento completo e sutiã compressivo para conter a produção láctea, medidas incompatíveis com o manejo inicial oficial. A base fala em ordenha manual da aréola se tensa, massagem delicada e manutenção do aleitamento, não em intervenção vigorosa nem compressão para suprimir produção.
E
Errada
Está errada porque antecipa ultrassonografia sem sinais clínicos que a justifiquem como conduta inicial. O enunciado afasta mastite/abscesso ao não trazer febre, eritema localizado ou flutuação, e a base é expressa em que, nesse quadro típico, o manejo inicial é clínico imediato.
Pegadinha da questão
A banca explorou a confusão entre ingurgitamento mamário e mastite: mama quente, dolorosa e brilhante pode induzir antibiótico ou investigação por imagem, mas a ausência de febre, sinais focais e flutuação desloca o caso para ingurgitamento, cujo manejo é manter a amamentação e facilitar a pega.
Dica para questões semelhantes
  • Se houver congestão bilateral difusa, aréola tensa e dificuldade de pega no 3º ao 5º dia pós-parto, pense primeiro em ingurgitamento mamário.
  • No ingurgitamento, procure na alternativa o núcleo do manejo oficial: ordenha manual da aréola, livre demanda, massagem suave e compressas frias.
  • Sem sinais infecciosos ou foco localizado, elimine antibiótico profilático, suspensão da amamentação e exame de imagem como conduta inicial.

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