Paciente de 42 anos, nuligesta, com história de menorragia ...

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Q3792375 Medicina
Paciente de 42 anos, nuligesta, com história de menorragia progressiva há 2 anos, anemia ferropriva crônica refratária a tratamento oral (Hb: 8,2 g/dL, ferritina: 8 ng/mL), apesar de uso de ácido tranexâmico e sistema intrauterino liberador de levonorgestrel (SIU-LNG) há 18 meses. Refere fadiga intensa e limitação nas atividades diárias. Nega desejo de gravidez futura. Ao exame físico: útero aumentado de volume, equivalente a 14 semanas, móvel. Ultrassonografia transvaginal: útero com 480 cm³, mioma submucoso tipo 1 (FIGO) de 6 cm em parede anterior do corpo uterino, projetando-se 80% para cavidade, com pedículo de 2,5 cm de diâmetro. Outros 3 miomas intramurais entre 2-4 cm. Endométrio com 8 mm. Ressonância magnética confirma achados e não evidencia adenomiose. Histeroscopia diagnóstica: mioma submucoso ocupando 60% da cavidade uterina. Considerando o desejo de preservação uterina e as características do mioma submucoso, qual a melhor abordagem terapêutica?
Alternativas

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Gabarito: E

Fundamento decisivo: Protocolos Febrasgo nº 42/2018 – Sangramento uterino anormal: “De acordo com a proporção de componente submucoso ou intramural, define-se a melhor abordagem cirúrgica. Nos casos em que a maior parte da lesão encontra-se intracavitária, a exérese pode ser exclusivamente histeroscópica, enquanto que lesões com grande componente intramural devem ser realizadas por laparoscopia ou laparotomia. Em miomas muito grandes, pode ser utilizado análogo de GnRH previamente à cirurgia, para redução do volume.” A paciente tem falha do tratamento clínico e mioma submucoso tipo 1 com predomínio intracavitário, o que conduz à miomectomia histeroscópica, sem obrigatoriedade de GnRH.

Tema central: Mioma submucoso intracavitário
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque propõe embolização, embora a base indique que, quando a maior parte da lesão encontra-se intracavitária, a exérese pode ser exclusivamente histeroscópica.
B
Errada
Está errada porque torna obrigatório o uso de análogo de GnRH, mas a base afirma apenas que ele pode ser utilizado previamente à cirurgia em miomas muito grandes.
C
Errada
Está errada porque indica laparotomia com abertura da cavidade uterina, embora a base reserve laparoscopia ou laparotomia para lesões com grande componente intramural.
D
Errada
Está errada porque desloca a via principal para laparoscopia, apesar de o mioma causal ser submucoso e predominantemente intracavitário, cenário em que a exérese pode ser exclusivamente histeroscópica.
E
Certa
A alternativa E está correta porque, após falha do tratamento clínico, a abordagem passa a ser cirúrgica e a escolha da via depende do número, da localização, do tamanho do mioma e do desejo de preservação uterina. Na hipótese, o mioma dominante é submucoso e predominantemente intracavitário, o que autoriza exérese exclusivamente histeroscópica. A alternativa também acerta ao reservar o segundo tempo apenas para ressecção incompleta.
Pegadinha da questão
A banca tentou confundir o candidato ao sugerir que o uso prévio de GnRH seria obrigatório e que a presença de miomas intramurais menores afastaria a via histeroscópica, embora o mioma dominante seja submucoso com predomínio intracavitário.
Dica para questões semelhantes
  • Se houver falha do tratamento clínico, escolha a via cirúrgica conforme localização e componente predominante do mioma.
  • Mioma submucoso com maior parte intracavitária aponta para exérese histeroscópica.
  • Análogo de GnRH antes da cirurgia é possibilidade em miomas muito grandes, não requisito universal.
  • Segundo tempo cirúrgico é eventual, reservado para ressecção incompleta ou dificuldade técnica.

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