🎯 Saiba o que estudar

Avançado com Treinador a partir de R$ 0,76/dia

Paciente de 34 anos, nuligesta, com história de dismenorrei...

Próximas questões
Com base no mesmo assunto
Q3792373 Medicina
Paciente de 34 anos, nuligesta, com história de dismenorreia progressiva grave (EVA 9/10) refratária a anti-inflamatórios e anticoncepcionais combinados contínuos há 3 anos, dispareunia profunda e disquezia cíclica intensa. Refere dois episódios de hematoquezia durante menstruação. Ao exame físico: espessamento e nodulações dolorosas em fundo de saco posterior, útero retrovertido e fixo. Ressonância magnética de pelve: múltiplos implantes endometrióticos no septo retovaginal, ligamentos uterossacros espessados e retração do fundo de saco posterior, além de lesão nodular em parede anterior do retossigmoide (8 cm da borda anal) medindo 3,5 cm, com envolvimento da camada muscular própria e alcançando até camada submucosa, determinando estenose luminal de aproximadamente 60%. Endometriomas bilaterais (direito: 4 cm, esquerdo: 3 cm). Colonoscopia: compressão extrínseca em retossigmoide com mucosa íntegra. CA-125: 185 U/mL. Considerando a complexidade do quadro e as melhores evidências atuais, qual a conduta mais adequada?
Alternativas

Gabarito comentado

Confira o gabarito comentado por um dos nossos professores

Gabarito: B

Fundamento decisivo: Pelas diretrizes ESHRE 2022 e recomendações ESGE/ESHRE/WES para endometriose profunda, lesão retossigmoide extensa, profunda e estenosante, após falha de tratamento clínico, favorece ressecção segmentar quando a técnica conservadora não é factível; no caso, há nódulo de 3,5 cm a 8 cm da borda anal, com invasão até submucosa, estenose de 60% e doença pélvica multicompartimental refratária, o que sustenta cirurgia completa em equipe multidisciplinar.

Tema central: Endometriose profunda intestinal
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque propõe nova etapa de tratamento hormonal isolado em paciente já refratária ao tratamento clínico padrão e com doença intestinal profunda estenosante. Análogo de GnRH pode aliviar sintomas, mas não corrige de forma confiável a estenose de 60% nem resolve adequadamente a doença fibromuscular avançada do retossigmoide. O erro médico é postergar a cirurgia em quadro anatômico já cirúrgico.
B
Certa
A alternativa correta é a que trata o problema decisivo do caso: endometriose profunda multicompartimental com acometimento retossigmoide volumoso, infiltrativo e estenosante, já refratário a AINEs e anticoncepcional contínuo por 3 anos. Nessa anatomia, o componente fibromuscular e a retração tecidual não costumam ser adequadamente revertidos com terapia hormonal, e técnicas conservadoras intestinais perdem adequação quando a lesão é maior, profunda e com estreitamento luminal importante. Além disso, há endometriomas bilaterais e doença posterior extensa, o que reforça tratamento cirúrgico completo por equipe experiente, incluindo cistectomia dos endometriomas e ressecção das lesões profundas.
C
Errada
Está errada porque shaving é técnica mais compatível com doença superficial ou seromuscular sem estenose importante. O caso traz nódulo de 3,5 cm, infiltração até submucosa e redução luminal relevante, além de doença pélvica posterior extensa. Nesse cenário, shaving aumenta a inadequação técnica e a chance de tratamento incompleto da lesão intestinal.
D
Errada
Está errada porque a ressecção discoide tende a ser opção para lesões unifocais menores e factíveis para excisão localizada em espessura total. Aqui a lesão mede 3,5 cm e causa estenose de 60%, o que desfavorece essa estratégia frente à ressecção segmentar. Além disso, a neurectomia pré-sacral não é a conduta de escolha nas melhores evidências atuais para endometriose profunda complexa e não resolve o componente anatômico intestinal estenosante.
E
Errada
Está errada por dois motivos independentes. Primeiro, histerectomia total com anexectomia bilateral é inadequada em mulher de 34 anos, nuligesta, sem indicação oncológica e sem base no enunciado para abolir a função reprodutiva. Segundo, associa shaving para uma lesão intestinal que, pelo tamanho, profundidade e estenose, não é a melhor candidata a técnica conservadora.
Pegadinha da questão
A banca explora a ideia de que técnicas conservadoras intestinais ou nova supressão hormonal seriam sempre preferíveis. Neste caso, o dado que muda a decisão é anatômico: lesão retossigmoide de 3,5 cm, até submucosa e com estenose de 60%, em doença multicompartimental refratária. Outra confusão real é achar que colonoscopia com mucosa íntegra enfraquece o diagnóstico intestinal, o que não ocorre na endometriose profunda.
Dica para questões semelhantes
  • Em endometriose colorretal, primeiro classifique a lesão intestinal pela anatomia: tamanho, profundidade e grau de estenose são os dados que pesam na escolha entre técnica conservadora e ressecção segmentar.
  • Falha de tratamento clínico prolongado somada a lesão profunda estenosante desloca a conduta para cirurgia, porque hormonioterapia não costuma reverter a distorção fibromuscular importante.
  • Mucosa íntegra na colonoscopia não exclui endometriose intestinal, já que o acometimento costuma ser seroso e muscular.
  • Em doença multicompartimental, procure a alternativa que combine tratamento completo das lesões com equipe multidisciplinar e preserve função reprodutiva quando não há indicação de cirurgia ablativa radical.

Clique para visualizar este gabarito

Visualize o gabarito desta questão clicando no botão abaixo