Paciente de 62 anos, nuligestas, hipertensa e diabética tip...

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Q3792372 Medicina
Paciente de 62 anos, nuligestas, hipertensa e diabética tipo 2 em tratamento, IMC 36 kg/m², apresenta sangramento vaginal irregular há 4 meses. Nega terapia hormonal. Ultrassonografia transvaginal: endométrio espessado medindo 18 mm, heterogêneo, útero com 280 cm³. Biópsia de endométrio: adenocarcinoma endometrioide grau 2. Ressonância magnética de pelve: lesão restrita ao endométrio sem invasão miometrial visível, colo uterino livre, ovários sem alterações. CA-125: 28 U/mL. Tomografia de tórax e abdome sem evidências de doença metastática. Paciente é submetida a histerectomia total com salpingo-ooforectomia bilateral e linfadenectomia pélvica. Anatomopatológico da peça cirúrgica: adenocarcinoma endometrioide grau 2, invasão de 8 mm em miométrio com espessura total de 10 mm (80% de invasão), sem invasão linfovascular, sem comprometimento cervical. Foram ressecados 18 linfonodos pélvicos, todos negativos. Segundo os critérios de risco para metástases linfonodais e a classificação FIGO atual, qual o estadiamento e a conduta adjuvante mais adequada?
Alternativas

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Gabarito: D

Fundamento decisivo: ESGO/ESTRO/ESP Guidelines for the management of patients with endometrial carcinoma (Policy Review, 2025), Figure 4 e seção 'Intermediate risk': "IB Low-grade endometrioid, myoinvasion ≥50%, no or focal lymphovascular space invasion". O caso descreve adenocarcinoma endometrioide grau 2, invasão miometrial de 80%, sem comprometimento cervical, sem invasão linfovascular e sem doença linfonodal, o que o enquadra em estádio IB de risco intermediário.

Tema central: Estadiamento e adjuvância
Análise das alternativas
A
Errada
Incorreta porque classifica o caso como risco intermediário-alto, quando a base o enquadra como risco intermediário: carcinoma endometrioide grau 2, invasão miometrial ≥ 50% e ausência de LVSI substancial. Além disso, transforma braquiterapia vaginal isolada em conduta fechada, mas a base afirma que, para risco intermediário, a não realização de adjuvância também é opção aceitável.
B
Errada
Incorreta porque erra a estratificação de risco e impõe radioterapia pélvica externa sem suporte na base para esse perfil. O caso não foi classificado como grupo que exija EBRT; ao contrário, a base o coloca no risco intermediário, em que observação é admissível e não há obrigatoriedade de radioterapia externa.
C
Errada
Incorreta porque chama o caso de alto risco sem preencher os requisitos indicados na base. A histologia é endometrioide grau 2, não há invasão cervical, não há metástase linfonodal e não há LVSI; por isso, não se sustenta a migração para alto risco. A associação de radioterapia pélvica externa com braquiterapia também representa intensificação terapêutica sem fundamento no quadro descrito.
D
Certa
Correta porque o caso é estádio IB e, na estratificação indicada na base, corresponde a risco intermediário. Nesse grupo, a observação clínica sem adjuvância é admitida, de modo que a alternativa permanece compatível com o gabarito oficial.
E
Errada
Incorreta porque também enquadra indevidamente o caso como alto risco e acrescenta quimioterapia adjuvante sistêmica sem base no cenário apresentado. A base é expressa ao afastar indicação de quimioterapia adjuvante para estádio IB endometrioide grau 2 sem fatores adicionais de alto risco.
Pegadinha da questão
A banca explorou a confusão entre invasão miometrial ≥ 50% e alto risco automático. Esse dado define o estádio IB, mas, sem LVSI substancial, sem histologia agressiva, sem comprometimento cervical e sem doença nodal, o caso não vira alto risco; além disso, não há obrigatoriedade de adjuvância.
Dica para questões semelhantes
  • Separe sempre estadiamento de estratificação de risco: invasão miometrial ≥ 50% leva a IB, mas não resolve sozinha a classe de risco.
  • Em carcinoma endometrioide grau 1-2, confira primeiro LVSI, colo uterino e linfonodos antes de aceitar rótulos como alto risco ou intermediário-alto.
  • Se o enunciado não trouxer classificação molecular, não reclassifique o caso por hipóteses não informadas.
  • Quando a diretriz admitir observação no grupo descrito, elimine alternativas que tratem radioterapia ou quimioterapia como obrigatórias.

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