Paciente de 58 anos, nuligesta, procura atendimento referind...

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Q3792369 Medicina
Paciente de 58 anos, nuligesta, procura atendimento referindo aumento do volume abdominal há 3 meses, associado a desconforto pélvico e dispneia aos moderados esforços. Nega febre ou perda ponderal. Ao exame físico: massa pélvica palpável até cicatriz umbilical, macicez móvel em flancos e abdome distendido. Realizada ultrassonografia transvaginal que evidencia massa anexial direita complexa, multiloculada, com septos espessos e vegetações papilares, medindo 12 x 10 cm, associada a ascite moderada. CA-125: 680 U/mL. Tomografia de abdome e pelve demonstra implantes peritoneais < 2 cm em epíplon e ausência de doença extra-abdominal. CEA e AFP normais. Considerando o estadiamento e os critérios de ressecabilidade, qual a melhor conduta para esta paciente? 
Alternativas

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Gabarito: C

Fundamento decisivo: Pela classificação FIGO, implantes peritoneais extrapelvicos macroscópicos menores que 2 cm, sem doença extra-abdominal, caracterizam doença avançada estágio IIIB. Nesse cenário, a conduta inicial depende da possibilidade de citorredução completa; quando a viabilidade de ressecção ótima é incerta, admite-se laparoscopia diagnóstica para estratificar a ressecabilidade e direcionar cirurgia primária ou quimioterapia neoadjuvante. Por isso, a alternativa correta é a C.

Tema central: Ressecabilidade no ovário avançado
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque institui quimioterapia neoadjuvante diretamente, sem prévia demonstração de irressecabilidade ou de baixa probabilidade de citorredução completa. Pela base, no estágio IIIB presumido, a quimioterapia neoadjuvante não é automática; depende de avaliação de ressecabilidade.
B
Errada
Está errada por dois fundamentos concretos: presume cirurgia citorredutora primária como melhor conduta sem a etapa prévia de avaliação de ressecabilidade, e ainda impõe linfadenectomia pélvica e para-aórtica sistemática como rotina, o que a base afasta no cenário de doença avançada com linfonodos não suspeitos.
C
Certa
A alternativa C é a correta porque foi a única que adotou o critério decisivo do caso: selecionar a estratégia inicial com base na ressecabilidade. A base informa que, em câncer epitelial de ovário avançado presumido, a escolha entre cirurgia citorredutora primária e quimioterapia neoadjuvante depende da viabilidade de citorredução completa, e que a laparoscopia diagnóstica é método aceito para essa estratificação quando a possibilidade de ressecção ótima é incerta. Portanto, a resposta certa não é a que escolhe de imediato cirurgia ou quimioterapia, mas a que primeiro avalia objetivamente a ressecabilidade.
D
Errada
Está errada porque, embora acerte ao não exigir linfadenectomia sistemática na ausência de linfonodos aumentados, fixa cirurgia citorredutora primária como melhor conduta sem realizar a etapa que a questão cobra expressamente: a definição pela ressecabilidade. O vício da alternativa é pular o critério decisivo do caso.
E
Errada
Está errada porque prevê linfonodo sentinela com tecnécio-99 como parte da estratégia cirúrgica, e a base é expressa em afirmar que essa técnica não integra a conduta padrão no câncer epitelial de ovário avançado.
Pegadinha da questão
A banca explorou a confusão entre estadiamento e conduta inicial: o quadro é compatível com estágio IIIB, mas isso não autoriza escolher automaticamente cirurgia primária nem quimioterapia neoadjuvante; o critério decisivo é a ressecabilidade. Também tentou induzir erro com linfadenectomia sistemática rotineira e com linfonodo sentinela.
Dica para questões semelhantes
  • Em câncer de ovário avançado, primeiro identifique o estágio, mas decida a conduta inicial pela chance de citorredução macroscópica completa.
  • Se a possibilidade de ressecção completa não estiver claramente definida, procure a alternativa que inclui avaliação objetiva de ressecabilidade, inclusive por laparoscopia diagnóstica.
  • Não trate linfadenectomia sistemática em linfonodos clinicamente negativos como etapa obrigatória da citorredução no cenário avançado.
  • Desconfie de alternativa com linfonodo sentinela no câncer epitelial de ovário avançado, porque a base não reconhece essa técnica como padrão.

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