Plausível, mas não compreendido: o leitor na era da automação do sentido
A dificuldade contemporânea já não está em acessar informação, nem apenas em desconfiar
dela. O problema tornou-se mais profundo: interpretar adequadamente o que se lê em um ambiente de respostas instantâneas e processos opacos.
O que emerge desse cenário é uma nova assimetria cognitiva. Historicamente, as assimetrias
de informação baseavam-se na exclusão digital, no abismo entre quem detinha o acesso ao
dado e quem dele era privado. Hoje, a desigualdade se desloca do acesso para a inteligibilidade. A nova assimetria não separa mais quem lê de quem não lê, mas distingue o leitor que
consegue reconstruir o percurso lógico de um enunciado daquele que tende a aceitar a fluidez
de uma resposta sintética como evidência de verdade. É a distância entre o consumo da forma
e a compreensão da substância. (Suzy Azevedo)