Na história, o Poeta é vítima do cirurgião-dentista porque ...

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Q2522423 Português
O maçarico



           Naqueles longes tempos, ele era vítima de um cirurgião- -dentista que, de repente do outro lado da sala de café, da outra extremidade do bonde, da calçada oposta, lançava intempestivamente o seu vozeirão:


         – Como vai a poesia?


       Todas as cabeças que se achavam de permeio1 voltavam-se então para o Poeta. O Poeta, nu, desmascarado, em meio à multidão! Para evitar esses atentados ao pudor, ele afinal descobriu um meio de fazer a pergunta antes que o outro a fizesse. Mal avistava o dentista, e antes que o mesmo erguesse as trombetas da sua voz, que não soavam propriamente como as trombetas da Fama, mas como as cornetas fanhas da Difamação, bradava o alvissareiro Poeta: – Como vai o maçarico? As cabeças de permeio voltavam-se então escandalizadas ou irônicas para o cirurgião-dentista. Não porque fosse uma vergonha utilizar esse útil instrumento, mas porque maçarico era mesmo uma palavra muito engraçada, uma palavra que rimava com a dança do sarapico-pico-pico e com surubico. O resultado de tudo isso foi que os papéis se inverteram: o dentista pegou medo do poeta.   


(Mario Quintana. Da preguiça como método de trabalho, 2013)


1 permeio: no meio
Na história, o Poeta é vítima do cirurgião-dentista porque este
Alternativas

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Interpretação do Texto: A questão envolve a interpretação de um trecho do texto de Mário Quintana, onde o Poeta é apresentado como uma figura que, de alguma forma, é alvo da zombaria do cirurgião-dentista. O objetivo é entender a relação entre os dois personagens e o porquê de o Poeta ser considerado uma "vítima".

Alternativa Correta: A alternativa C afirma que o cirurgião-dentista "expunha a presença daquele em público, normalmente o constrangendo". Essa opção é correta porque o texto destaca como o dentista, ao perguntar como vai a poesia, expõe o Poeta de maneira constrangedora em meio a uma multidão, que se volta para ele, criando uma situação de desconforto. O Poeta, por sua vez, sente-se nu e desmascarado, o que reforça a ideia de que ele é vítima dessa exposição.

Justificativa das Alternativas Incorretas:

  • A - "queria ouvir novas poesias e aquele era tímido para recitá-las ao público": Esta alternativa é incorreta porque não menciona o aspecto de constrangimento ou exposição em público, que é central na dinâmica entre o Poeta e o dentista.
  • B - "sofria nos atendimentos que aquele lhe prestava como profissional": A opção não se refere ao contexto do texto, que foca na relação de poder e exposição, e não em uma relação de atendimento profissional.
  • D - "denunciava que aquele estava nu, e a multidão repudiava a falta de pudor": Embora mencione a nudez do Poeta, essa alternativa distorce a intenção do texto, que não se trata de uma denúncia, mas sim de uma inversão de papéis e da reação irônica da multidão.

Estratégia para Interpretação: Ao responder questões de interpretação, é essencial identificar palavras-chave e a dinâmica entre os personagens. O uso de expressões como "nu" e "desmascarado" no texto é crucial para entender como o Poeta se sente em relação ao dentista e à multidão.

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