Roberto exerceu o cargo de auditor fiscal estadual por mais ...

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Q4327746 Direito Administrativo
Roberto exerceu o cargo de auditor fiscal estadual por mais de três décadas e, após preencher os requisitos legais, aposentou-se voluntariamente. Anos depois, foi concluída ação de improbidade administrativa referente a fatos ocorridos quando ele ainda estava em atividade, sendo reconhecida a prática de ato ímprobo e aplicada a sanção de perda da função pública. Roberto, ao ser intimado do ato administrativo que cumpriu a ordem judicial de cassação de sua aposentadoria, sustentou que a medida seria incompatível com a ausência de previsão expressa na Lei de Improbidade Administrativa, além de afrontar o caráter contributivo do regime próprio de previdência dos servidores públicos. Considerando o entendimento do Superior Tribunal de Justiça (STJ), assinale a afirmativa correta.
Alternativas

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Gabarito: D

Fundamento decisivo: O art. 12, incisos I e II, da Lei nº 8.429/1992 prevê a perda da função pública, sanção aplicada a Roberto por fatos praticados quando estava em atividade. A questão é se essa sanção pode ser cumprida após a aposentadoria; conforme o STJ no MS 26.106/DF, sim, o que torna correta a alternativa D.

Tema central: Cassação de aposentadoria por improbidade
Análise das alternativas
A
Errada
Exige previsão expressa de cassação na LIA como condição para a medida, contrariando o entendimento do STJ. A sanção legal de origem é a perda da função pública; sua execução mediante cassação da aposentadoria é admitida pela interpretação jurisprudencial sem violação ao princípio da legalidade.
B
Errada
A aposentadoria não torna ineficaz a sanção de perda da função pública nem restringe a responsabilização às sanções patrimoniais. Segundo o STJ, o cumprimento da perda da função pode ser adequado à inatividade mediante cassação da aposentadoria.
C
Errada
O caráter contributivo do regime e o preenchimento dos requisitos para aposentadoria não impedem a cassação decorrente da perda da função pública. O STJ considera essa consequência compatível com a natureza contributiva e solidária do regime previdenciário.
D
Certa
O art. 12, incisos I e II, da Lei nº 8.429/1992 prevê a perda da função pública. A possibilidade de concretizar essa sanção pela cassação da aposentadoria decorre de interpretação jurisprudencial, e não de previsão literal de cassação na LIA. No MS 26.106/DF, julgado pela Primeira Seção em 05/06/2025, o STJ admitiu essa adequação do cumprimento da sanção à condição de aposentado e reconheceu sua compatibilidade com o regime previdenciário contributivo e solidário. A alternativa D reúne essas duas conclusões.
Pegadinha da questão
Confundir a ausência de previsão expressa de cassação na LIA com a impossibilidade de executar a perda da função pública sobre a aposentadoria, além de tratar a contributividade previdenciária como impedimento à medida.
Dica para questões semelhantes
  • Verifique se foi aplicada a sanção de perda da função pública: o entendimento examinado não autoriza concluir que qualquer condenação por improbidade provoca automaticamente cassação da aposentadoria.
  • Distinga a sanção prevista na LIA — perda da função pública — de sua concretização sobre a aposentadoria, admitida pela jurisprudência do STJ.
  • Não trate a aposentadoria ou a contributividade previdenciária como obstáculos à cassação quando ela decorrer da execução da perda da função pública.

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Comentários

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STJ - Informativo: 870

Em consonância com a atual jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, é possível a conversão da pena de perda de cargo público em cassação de aposentadoria na fase de cumprimento de sentença de ação por improbidade administrativa.

Teoria do fato consumado às avessas

Se o ato ilícito fosse conhecido à época de sua prática e fosse aplicada a pena de demissão, o servidor perderia o cargo e sequer teria direito à aposentadoria. Permitir que a aposentação funcione como escudo protetivo contra a responsabilização por improbidade seria premiar o ímprobo que conseguiu se aposentar antes do trânsito em julgado da condenação.

 A teoria do fato consumado às avessas é uma virada jurisprudencial recente do Supremo Tribunal Federal (STF) que impede a consolidação de uma situação ilegal ou indevida pelo decurso do tempo no processo

A Letra D é a correta.

O art. 12, incisos I e II, da Lei nº 8.429/1992 prevê a perda da função pública. A possibilidade de concretizar essa sanção pela cassação da aposentadoria decorre de interpretação jurisprudencial, e não de previsão literal de cassação na LIA. No MS 26.106/DF, julgado pela Primeira Seção em 05/06/2025, o STJ admitiu essa adequação do cumprimento da sanção à condição de aposentado e reconheceu sua compatibilidade com o regime previdenciário contributivo e solidário. A alternativa D reúne essas duas conclusões.

Autor: Marina Pacheco , Monitor com apoio de IA

A teoria do fato consumado às avessas

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