Sobre a síndrome de realimentação é correto afirmar que:
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Tema central: Síndrome de realimentação é um conjunto de alterações metabólicas e hidroeletrolíticas que ocorrem após reintrodução rápida de nutrientes em pacientes desnutridos/prolongadamente em jejum. A oferta de carboidratos aumenta a insulina, promovendo entrada de fósforo, potássio e magnésio para o meio intracelular, gerando hipofosfatemia (marcador clássico), além de hipocalemia, hipomagnesemia, sobrecarga hídrica e deficiência de tiamina (B1).
Alternativa correta (C): A prevenção é feita com reintrodução cautelosa de calorias. Iniciar com cerca de 30% do gasto energético basal é conduta aceitável em provas, pois traduz o conceito de “start low, go slow”. Diretrizes como NICE (CG32) e o consenso ASPEN recomendam iniciar em torno de 10 kcal/kg/dia (ou até 5 kcal/kg/dia em risco muito alto) e progredir gradualmente, o que, na prática, equivale a aproximadamente 20–30% das necessidades, com monitorização estreita de eletrólitos e reposição de fósforo, potássio, magnésio e tiamina antes e durante a realimentação.
Fisiopatologia aplicada: jejum prolongado → catabolismo e depleção intracelular de P, K, Mg e B1 → realimentação rica em carboidratos → ↑ insulina, ↓ glucagon → captação celular de eletrólitos → hipofosfatemia (falência respiratória, rabdomiólise, arritmias), sobrecarga hídrica e risco de encefalopatia de Wernicke se B1 não for suplementada (Harrison’s; UpToDate; ASPEN 2020).
Análise das alternativas incorretas:
A) Falso. Na realimentação há hipersecreção de insulina e redução de glucagon. A afirmação inverte o eixo hormonal.
B) Falso. O esperado é hipofosfatemia, hipocalemia e hipomagnesemia, não “hiper”. Esses déficits explicam as complicações cardiorrespiratórias.
D) Falso. Pode ocorrer com qualquer via (oral, enteral ou parenteral). Historicamente descrita na nutrição parenteral rápida; o risco depende da carga calórica/carboidratos e do estado nutricional, não da via em si (NICE; ASPEN).
E) Falso. Wernicke decorre de deficiência de vitamina B1 (tiamina), não B3. Deficiência de B3 (niacina) causa pelagra (dermatite, diarreia, demência).
Conduta prática e “pegadinhas” em provas:
- Identifique alto risco: IMC baixo, perda ponderal importante, ingestão mínima por >5–10 dias, eletrólitos baixos (NICE CG32).
- Antes de alimentar: corrigir P, K, Mg e administrar tiamina 100–300 mg 30–60 min antes e por 3–5 dias.
- Início lento: ~10 kcal/kg/dia ou ~30% das necessidades, progredindo em 4–7 dias; restringir carboidratos inicialmente.
- Monitorar eletrólitos 6–12/12 h nas primeiras 72 h; vigiar edema, arritmias e insuficiência respiratória.
- Pegadinha clássica: confundir B1 (Wernicke) com B3 (pelagra).
Referências: NICE CG32; ASPEN Consensus 2020; Harrison’s Principles of Internal Medicine; UpToDate – Refeeding syndrome.
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