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Q1123588 Português

Universitários em fim de semestre: sobreviventes

Ruth Manus

           Surtados, sem dormir, sem tempo para nada, mas vivos.

       Tá certo que eu sou mais uma dentre uma espécie chamada “professor”, que semi morre todo final de ano. Mas do sofrimento dos professores ninguém duvida. Estamos até um pouco na moda, vira e mexe aparecem posts fofos a nosso respeito, com ursinhos, imagens de pôr do sol e tudo mais.

     Mas, sejamos justos, do drama dos universitários ninguém fala.

    Tento ser durona com meus alunos, mando parar com o mimimi do fim do semestre, mas acabo sempre admitindo, ainda que não conte para eles, que os coitadinhos estão mesmo lascados.

   Eu me lembro bem: segundo ano da faculdade, prova oral de processo civil e previdenciário no mesmo dia. Fatídico dia em que o termo “gastrite” saiu das bulas de remédios e foi parar na minha barriga pela primeira vez.

   Gastrite, torcicolo, enxaqueca, dor nas costas, aftas, espinhas monstruosas. Universitário em época de prova é o sonho de toda farmácia e o pesadelo de todo plano de saúde.

    Homens não fazem a barba, mulheres não depilam a perna. Suspeito, às vezes, que até do banho eles acabem esquecendo. Mas em nome do conhecimento, tá tudo liberado.

     Universitários no fim do ano ficam completamente xaropes. Erram o dia da prova, estudam a matéria errada, vão fazer exame de matéria na qual passaram direito, esquecem caneta, esquecem a mochila, esquecem o nome do professor, quando não esquecem o próprio nome.

    Por alguns dias, essas criaturas chegam ao ponto de passar mais tempo atualizando o portal para tentar verificar as notas (taca-lhe pau no F5) do que no facebook, no whatsapp e no instagram. Juntos.

      E entre novembro e dezembro, quando chego para dar aula antes das 8 da manhã ou ainda estou na faculdade depois das 22 (pois é…), tenho a sensação de estar em um episódio de The Walking Dead. Alunos com aspecto moribundo perambulam pelos corredores como se não houvesse esperança, pensando seriamente em devorar cérebros de professores para ver se facilita na hora da prova.

     E se o aluno estiver precisando de meio pontinho e encontrar o professor na cantina, pode aparecer o Caio Castro, a Ísis Valverde, o Ashton Kutcher ou a Megan Fox, que eles NÃO saem de lá. Oferecem um café, compram sonho de valsa, elogiam a roupa, tudo na maior sinceridade. Como diria Tim Maia, vale tudo.

     E não podemos esquecer da interminável angústia das faltas. “Professor, o sistema está marcando 26 faltas, mas eu juuuuuro que só faltei 3 vezes. Não sei o que houve.”. Clássico. Esses sistemas são mesmo uns canalhas.

      Mas dentre os surtados, o Prêmio Nobel do Surto Acadêmico vai para os que vão defender o TCC. Esses já nem se recordam que existe um negócio chamado “vida”. Passam na frente da banca de jornal e já têm dor de barriga só de pensar na palavra “banca”. O vocabulário se resume a: capa dura, capítulo, rodapé, orientador, espiral e pânico. Não tem água com açúcar, suco de maracujá ou calmante que resolva. O único remédio para essa dor é um composto de 8 letras: a + p + r + o + v + a + d + o.        Mas, falando sério, não é fácil mesmo. Tem que ter muita força de vontade e compromisso. Provas, trabalhos, fichamentos, estágio, emprego, trânsito, ônibus, metrô, chuvaradas no fim da tarde, correria para evitar atrasos, chororô para justificar atrasos. Tem um ou outro fanfarrão, mas a maioria dá duro mesmo.

     Tem conta pra pagar; casa para arrumar; relatório para entregar; filho para cuidar. Desses alunos que têm filho, por sinal, sou fã incondicional.

    Não vou dizer para vocês que quando se formarem melhora. Seria mentira. As responsabilidades crescem em uma proporção bem incompatível com a progressão do salário; as horas de sono não aumentam e ainda tem uma pós, um mestrado e um futuro te esperando.

    Mas posso dizer: vale a pena. Segurem a onda, força na peruca, inspira, respira, não pira. Já já o Natal tá aí. E uma hora o diploma também chega. Talvez vocês já não tenham cabelos, as unhas estejam completamente roídas, as olheiras tenham cor de berinjela e a miopia alcance 8 graus em cada olho, mas acreditem gatinhos, vocês chegam lá. Palavra de quem chegou (com algum cabelo, alguns dentes e alguma sanidade, até que se prove o contrário )

Fonte: http://vida-estilo.estadao.com.br/blogs/ruth-manus/universitarios-em-fim-de-semestre-sobreviventes/

O termo destacado no trecho “Professor, o sistema está marcando 26 faltas, mas eu juuuuuro que só faltei 3 vezes.” é classificado sintaticamente como
Alternativas

Gabarito comentado

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Tema central da questão: Identificação de vocativo – termo acessório usado para interpelar ou chamar o interlocutor na frase. Trata-se de sintaxe dos termos da oração, assunto frequente em concursos para Assistente Administrativo.

Justificativa para a alternativa correta (B):

No trecho analisado, o termo destacado “Professor” aparece isolado por vírgula antes do restante da oração, funcionando como uma chamada direta ao interlocutor. Ele não exerce função gramatical no sujeito nem no predicado: serve somente para atrair a atenção da pessoa a quem se fala.

Regra: Segundo Bechara (Moderna Gramática Portuguesa), vocativo é o termo pelo qual chamamos ou interpelamos o interlocutor, sendo separado por vírgula(s) e não tendo ligação sintática com o restante da oração.

Exemplos práticos:
- Maria, feche a porta, por favor.
- Venha aqui, amigo.

Portanto, alternativa B) vocativo é a correta, pois “Professor” cumpre esse papel no trecho analisado.

Análise das alternativas incorretas:

  • A) Aposto: O aposto explica ou detalha outro termo da oração. “Professor” não está explicando ou especificando nada; está chamando o interlocutor.
  • C) Predicativo do sujeito: Predicativo atribui característica ao sujeito, geralmente após verbo de ligação. Não é o caso.
  • D) Adjunto adnominal: Termo que qualifica ou determina um substantivo. “Professor” é usado isoladamente, não qualificando outro substantivo.
  • E) Complemento nominal: Completa sentido de nome (substantivo, adjetivo, advérbio) com preposição. Não há esta relação no caso apresentado.

Estratégias de prova: Atenção à presença de vírgula(s) isolando o termo e ao contexto de chamada/interpelação. Não confunda o vocativo com sujeito, aposto ou adjunto adnominal. Revise bem os termos acessórios na gramática, pois costumam ser alvo de pegadinhas!

Referências: Bechara, Moderna Gramática Portuguesa; Cunha & Cintra, Nova Gramática do Português Contemporâneo.

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Comentários

Veja os comentários dos nossos alunos

GABARITO: LETRA B

? Professor, o sistema está marcando 26 faltas, mas eu juuuuuro que só faltei 3 vezes.?

? Temos um vocativo, é o termo responsável pelo chamamento, pela interpelação de alguém.

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? FORÇA, GUERREIROS(AS)!! 

GAB: B

VOCATIVO: TERMO QUE TEM COMO FUNÇÂO O CHAMAMENTO. E ESTARÁ SEMPRE COM VÍRGULA

EX: MARIA, VÁ FAZER SUAS LIÇÔES

Gab. B.

Vocativo:

*É um termo (acessório e independente) da oração;

*É um termo que invoca/chama algo ou alguém no discurso; ex: mãe, a comida está pronta?

*É um termo para quem se dirige algo no discurso;

*Coloca algo ou alguém em evidência;

*Vem separado por vírgula ou travessão;

*Pode se deslocar na oração; 

Só reforçando!

O vocativo é isolado dos demais elementos da frase por vírgula;

o vocativo em alguns casos, pode vir acompanhado por ponto de exclamação; (Ex.: Marcos! seu quarto está uma bagunça!)

o vocativo não necessariamente precisa ser uma pessoa; (Ex. Obrigado, sol, por cada raio que emite, e que nos ilumina e nos aquece.)

os vocábulos “Ó” e “Eh” podem ser usados para acompanhar vocativos;

o vocativo é considerado um termo à parte da oração. Portanto, não pertence nem ao sujeito nem ao predicado.

não confunda pronomes de tratamento com o vocativo. Os pronomes de tratamento, como o pronome “você”, por exemplo, são usados para se referir à pessoa com quem falamos, e não para chamá-la.

Fonte: canaldoensino

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