C.R.M., mulher, 75 anos de idade. É viúva e vive sozinha...

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Q3990752 Psiquiatria
    C.R.M., mulher, 75 anos de idade. É viúva e vive sozinha. Foi admitida no serviço de ortopedia e traumatologia após fratura de fêmur por queda da própria altura durante o banho. Foi submetida a procedimento cirúrgico para osteossíntese com desfechos peri e intraoperatório satisfatórios. Ao ser chamado, o médico plantonista foi informado de que a paciente estava apresentando quadro de inquietação psicomotora e confusão. Pelo relato da enfermagem, em tom de bastante desagrado para com a paciente, esta permanecia caminhando pela unidade de traumatologia durante a noite, incomodando outros pacientes. O quadro teve início pouco tempo após alta de recuperação pós anestésica e admissão na enfermaria. À abordagem da equipe, demonstrava não recordar o que havia sucedido, tampouco o motivo da internação. Durante o dia, demonstrava leve agitação, sem motivo aparente. Não conseguia ler ou assistir à televisão e nem sempre reconhecia familiares que a visitavam. Por vezes, afastava os profissionais de enfermagem e fisioterapeutas a empurrões, quando queriam mobilizá-la para prestar os cuidados requeridos. Foi vista conversando com pessoas imaginárias e mirando fixamente um ponto no teto. Entre os episódios de agressividade, a paciente acalmava-se e chegava a dormir por curtos períodos (em média meia hora). Mas, à noite, parecia não conseguir repousar e sua agitação aumentava. Enquanto os outros pacientes adormeciam, ela vagava pelos corredores e os despertava. Entrava em outras enfermarias e deitava no leito de outros pacientes. Por várias vezes, tentou sair do hospital com vestes hospitalares, tendo sido impedida e trazida novamente a seu leito. Antes da cirurgia, a paciente comportava-se normalmente e seus filhos não haviam percebido prejuízos significativos em sua memória ou concentração. Ao exame psíquico sumário, a paciente foi encontrada sentada em seu leito, mussitando. Mostrava-se perplexa e não cooperativa. Estava globalmente desorientada e apresentava hipoprossexia. Não foi possível aplicar qualquer teste cognitivo. Não se notou qualquer alteração do humor ou afeto. Ao exame físico, incluindo neurológico, não foram identificadas alterações, apesar de ter sido incompleto pela falta de cooperação da paciente. Níveis pressóricos normais, no limite inferior. Hemograma e transaminases hepáticas mostraram-se normais. O eletrocardiograma mostrou infarto pequeno antigo.
Considerando o caso clínico apresentado, é correto afirmar que disfunção predominante é causada pelo neurotransmissor 
Alternativas

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Gabarito: D

Fundamento decisivo: O enunciado descreve delirium pós-operatório em idosa, com início agudo, flutuação do quadro, hipoprosexia, desorientação e alterações perceptivas. Nesse contexto, a questão cobra a associação neuroquímica clássica com déficit colinérgico, o que aponta para acetilcolina.

Tema central: Delirium pós-operatório
Análise das alternativas
A
Errada
Incorreta. Embora a dopamina possa aparecer em modelos explicativos do delirium, ela não é a associação predominante classicamente cobrada quando a questão pede uma única resposta. O vínculo preferencial exigido aqui é delirium com déficit colinérgico.
B
Errada
Incorreta. Serotonina não é a principal associação neuroquímica utilizada como fundamento central do delirium nesse padrão de questão. Não corresponde ao modelo predominante clássico que define a resposta.
C
Errada
Incorreta. Noradrenalina não é o neurotransmissor predominantemente vinculado ao mecanismo central do delirium na formulação usual de prova. Falha no critério decisivo de associação sindrômica clássica.
D
Certa
A alternativa D está certa porque o caso descreve síndrome confusional aguda no pós-operatório, isto é, delirium. O critério decisivo foi o conjunto início agudo, flutuação, prejuízo de atenção, desorientação, alteração perceptiva e desorganização do ciclo sono-vigília. Na formulação psicofarmacológica clássica cobrada em prova, a disfunção predominante associada ao delirium é a hipofunção colinérgica, portanto o neurotransmissor pedido é a acetilcolina.
Pegadinha da questão
A confusão real era olhar apenas para agitação, agressividade e alucinações e marcar dopamina, ignorando que o núcleo do quadro é delirium: instalação aguda, flutuação e desatenção no pós-operatório.
Dica para questões semelhantes
  • Se o quadro tiver início agudo, curso flutuante e déficit de atenção, pense primeiro em delirium.
  • Em idoso no pós-operatório, piora noturna e alterações perceptivas reforçam a leitura sindrômica de delirium.
  • Quando a prova pedir o neurotransmissor predominante do delirium, a associação clássica é déficit de acetilcolina.
  • Não confunda fisiopatologia multifatorial com resposta de prova: 'predominante' aqui não significa mecanismo exclusivo.

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