O analfabetismo em matemática, uma incapacidade de lidar co...

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Q3954833 Português
O analfabetismo em matemática, uma incapacidade de lidar confortavelmente com as noções fundamentais de número e 52. 14 probabilidade, atormenta grande quantidade de cidadãos esclarecidos sob outros aspectos. As mesmas pessoas que têm arrepios quando palavras como "implicar" e "inferir" são confundidas, reagem sem o menor sinal de embaraço até aos mais egrégios solecismos numéricos. Lembro-me de que, certa noite, ouvi uma pessoa numa festa deitando falação sobre a diferença entre "continuamente" e "ininterruptamente". Mais tarde, naquela mesma noite, estávamos vendo o noticiário na tevê, e o serviço de previsão do tempo anunciou que havia uma probabilidade de 50% de chover no sábado e 50% de chover no domingo, concluindo que havia, portanto, 100% de probabilidade de chover no fim de semana. O comentário foi muito bem-aceito pelo pretenso gramático. Mesmo depois que lhe expliquei o erro, ele não ficou nem de longe tão indignado quanto teria ficado se o locutor tivesse cometido um erro com o sujeito de uma reduzida participial. De fato, ao contrário de outras deficiências, que são disfarçadas, o analfabetismo matemático é frequentemente alardeado: [...] "Gosto de pessoas, não de números." Ou: "Sempre odiei matemática."
Parte da razão desse orgulho obstinado pelo analfabetismo em matemática é que, em geral, suas consequências não são tão óbvias como as de outra natureza. Por isso, e porque acredito firmemente que as pessoas reagem melhor a detalhes ilustrativos do quea uта exрosição geral, este livro examinará muitos exemplos reais de analfabetismo em matemática -entre eles, trapaças com ações, escolha de uma esposa, psicologia de jornal, afirmações sobre dieta e medicina, o risco do terrorismo, astrologia, recordes esportivos, eleições, [...] loterias e testes de drogas.

(PAULOS, John Allen. Analfabetismo em matemática e suas consequências. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1994)

De acordo com a argumentação do autor, a causa do problema apresentado por ele no texto é
Alternativas

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Gabarito: D

Fundamento decisivo: No segundo parágrafo, o autor formula explicitamente a relação causal ao afirmar: "Parte da razão desse orgulho obstinado pelo analfabetismo em matemática é que, em geral, suas consequências não são tão óbvias como as de outra natureza."

Tema central: causa do problema
Análise das alternativas
A
Errada
A alternativa introduz uma rivalidade entre gramáticos e matemáticos que não aparece no texto. O contraste entre rigor diante de erros de língua e tolerância diante de erros numéricos serve apenas para mostrar uma assimetria de reação social. Isso é extrapolação indevida, não identificação da causa apontada pelo autor.
B
Errada
O texto menciona "orgulho obstinado" e até o alardeamento da aversão à matemática, mas não atribui a causa do problema à arrogância de pessoas que dominam profundamente a língua. Além disso, o caso do "pretenso gramático" é um exemplo pontual, não a formulação geral da causa. A alternativa generaliza indevidamente um episódio ilustrativo.
C
Errada
A alternativa contradiz literalmente o texto. O autor afirma que "as pessoas reagem melhor a detalhes ilustrativos do que a uma exposição geral", e não o contrário. Além disso, esse trecho justifica a forma de exposição do livro, não a causa do problema apresentado.
D
Certa
A alternativa D está correta porque traduz com fidelidade a relação causal expressa pelo autor. Se as consequências do analfabetismo em matemática "não são tão óbvias", então há dificuldade de perceber as implicações dessa deficiência. Essa paráfrase é legítima e preserva o sentido central do argumento: o problema se mantém porque seus efeitos não se mostram de modo evidente.
E
Errada
A alternativa reduz indevidamente o alcance do texto. O problema tratado é o analfabetismo em matemática em sentido amplo, não apenas a incapacidade de compreender probabilidade, nem apenas em pessoas com escolaridade alta. Esses elementos aparecem no texto como recortes exemplificativos, não como a causa geral pedida pela questão.
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre causa e exemplo: o primeiro parágrafo traz ilustrações do problema, mas a causa pedida aparece explicitamente no segundo, na estrutura "Parte da razão ... é que".
Dica para questões semelhantes
  • Quando o comando pedir causa, procure no texto marcas linguísticas explícitas de causalidade, como "a razão ... é que".
  • Separe exemplo, efeito e causa: nem toda ilustração do problema formula sua origem.
  • Valide a alternativa correta por paráfrase fiel do trecho causal, sem reduzir o alcance do argumento a um caso particular.

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Comentários

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D) a dificuldade de perceber as implicações da falta de familiaridade de muitas pessoas com ideias matemáticas básicas.

O próprio texto explicita a causa quando afirma: “Parte da razão desse orgulho obstinado pelo analfabetismo em matemática é que, em geral, suas consequências não são tão óbvias como as de outra natureza.”

Ou seja, o problema não é apenas a ignorância matemática em si, mas o fato de que suas consequências são pouco perceptíveis, o que faz com que as pessoas não se incomodem com esse tipo de erro, diferentemente dos erros linguísticos, que geram constrangimento imediato.

Da prova toda, essa foi a menos difícil. E ainda fiquei com medo de marcar.

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