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[...] Рodemos interpretar a ciência como um maра, como uma r...

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Q3954828 Português
[...] Рodemos interpretar a ciência como um maра, como uma representação de como vemos a natureza (o território). Neste caso, Borges está criticando cientistas que acreditam, inocentemente, que o que fazem é produzir um mapa perfeito da realidade.
A analogia é bem apropriada, dado que captura tanto os objetivos quanto as frustrações da pesquisa cientifica: queremos aprender o máximo possível sobre o mundo e traduzir o que aprendemos em um mapa que outros podem ler. Quanto mais aprendemos, mais detalhado fica o mapa. Entretanto, como o filósofo francês Bernard Le Bovier de Fontenelle já sabia em 1686, podemos ver apenas uma fração do que existe. Por consequência, qualquer mapa que produzimos é necessariamente incompleto. [...]


(Marcelo Gleiser, 12/08/2018. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/marcelogleiser/2018/08/mapeando-a-realidade- em-busca-de-uma-perfeicao-Inatingivel.shtml)

Considere cinco pesquisas científicas fictícias cujos objetivos fossem desenvolver:

I. uma droga capaz de curar todos os tipos de lesões cancerígenas.
II. uma liga metálica capaz de resistira temperaturas mais altas do que as ligas atuais.
III. uma ferramenta de inteligência artificial capaz de compor uma sinfonia.
IV. uma bateria para carros elétricos com vida útil dez vezes maior do que a das atuais.
V. um robô humanoide capaz de conduzir um ônibus em uma grande cidade.

Entre essas pesquisas científicas, aquela que poderia ser criticada usando um argumento análogo ao apresentado no texto de Marcelo Gleiser é
Alternativas

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Gabarito: C

Fundamento decisivo: O critério decisivo é reconhecer, por analogia, a alternativa cujo objetivo expressa pretensão de totalidade incompatível com o limite do conhecimento científico destacado no texto-base: “Borges está criticando cientistas que acreditam, inocentemente, que o que fazem é produzir um mapa perfeito da realidade. [...] podemos ver apenas uma fração do que existe. Por consequência, qualquer mapa que produzimos é necessariamente incompleto.” Entre as opções, só a I traz o quantificador totalizante “todos os tipos”, o que a aproxima da crítica à ideia de perfeição completa e conduz ao gabarito C.

Tema central: analogia e totalidade
Análise das alternativas
A
Errada
A alternativa IV é incorreta porque propõe aumento de desempenho em termos comparativos: vida útil “dez vezes maior do que a das atuais”. Isso indica aperfeiçoamento quantitativo, não pretensão de totalidade, completude ou perfeição absoluta. O erro está em confundir meta muito ambiciosa com a estrutura argumentativa criticada no texto.
B
Errada
A alternativa V é incorreta porque descreve uma capacidade funcional específica: um robô humanoide capaz de “conduzir um ônibus em uma grande cidade”. Trata-se de tarefa delimitada, sem marca linguística de universalização ou completude total. A complexidade tecnológica da meta não a torna análoga à ideia de “mapa perfeito da realidade”.
C
Certa
A alternativa I é a correta porque formula um objetivo com alcance universal absoluto: uma droga capaz de curar “todos os tipos” de lesões cancerígenas. Esse quantificador totalizante é o ponto decisivo. O texto de Gleiser critica não a pesquisa científica em si, mas a crença de que ela possa alcançar um resultado completo e perfeito, como um “mapa perfeito da realidade”, quando “qualquer mapa que produzimos é necessariamente incompleto”. Entre as opções, só a I reproduz com clareza essa pretensão de completude total.
D
Errada
A alternativa II é incorreta porque seu enunciado é comparativo e incremental: uma liga metálica capaz de resistir a temperaturas “mais altas do que as ligas atuais”. Há superação de um patamar técnico, mas não promessa de domínio total da realidade nem formulação absoluta. Falta o traço semântico de totalidade exigido pela analogia com o texto-base.
E
Errada
A alternativa III é incorreta porque apresenta uma capacidade singular e específica: uma ferramenta de inteligência artificial capaz de “compor uma sinfonia”. O enunciado não contém ideia de exaustividade, universalidade ou perfeição total. Novidade ou sofisticação não equivalem, aqui, à pretensão epistemológica criticada no texto.
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre pesquisa difícil e pesquisa totalizante. O comando pede um “argumento análogo”, então não basta escolher a meta mais sofisticada ou futurista; é preciso localizar a que repete a pretensão de completude absoluta, marcada na alternativa I por “todos os tipos”.
Dica para questões semelhantes
  • Quando o enunciado pedir analogia argumentativa, transfira a estrutura da crítica do texto, e não o tema superficial.
  • Procure quantificadores ou marcas semânticas de totalidade, como “todos”, “qualquer”, “perfeito”, “completo”.
  • Diferencie objetivo incremental ou comparativo de pretensão universal absoluta.
  • Não trate complexidade tecnológica como prova de correspondência com o texto-base.

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Comentários

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Isso porque o câncer não é uma única doença, mas um conjunto vastíssimo de condições distintas. Pretender uma cura universal implica, na prática, supor um conhecimento completo e definitivo de uma realidade extremamente complexa — o tipo de ambição que o texto considera ingênua.

resposta gerada com chatgpt

Quando o texto diz "podemos ver apenas uma fração do que existe" a resposta que mais se encaixa é a I. uma droga capaz de curar todos os tipos de lesões cancerígenas.

Na minha lógica no futuro ainda podem descobrir outros tipos de lesões.

"Quanto mais aprendemos, mais detalhado fica o mapa. Entretanto, como o filósofo francês Bernard Le Bovier de Fontenelle já sabia em 1686, podemos ver apenas uma fração do que existe. Por consequência, qualquer mapa que produzimos é necessariamente incompleto."

Entre essas pesquisas científicas, aquela que poderia ser criticada usando um argumento análogo ao apresentado no texto de Marcelo Gleiser é

I. uma droga capaz de curar todos os tipos de lesões cancerígenas.

A alternativa correta é a C) I.

O ponto central do texto de Marcelo Gleiser (e da crítica de Borges) é a impossibilidade da perfeição absoluta na ciência.

O texto nos diz que a ciência é como um mapa e que é inocência acreditar que podemos produzir um "mapa perfeito da realidade", pois "qualquer mapa que produzimos é necessariamente incompleto". Ou seja, a ciência avança passo a passo, mas nunca atinge uma resposta que englobe o todo de forma impecável e definitiva.

Agora, vamos analisar as pesquisas:

  • A pesquisa I busca "uma droga capaz de curar todos os tipos de lesões cancerígenas". A palavra "todos" indica uma busca por uma solução universal, absoluta e perfeita. Essa pesquisa recai exatamente na inocência criticada pelo texto: a ilusão de que se pode mapear e dominar a totalidade de um problema complexo com uma única resposta perfeita, ignorando a incompletude natural do nosso conhecimento.

As opções II, III, IV e V representam exatamente como a ciência real funciona segundo o texto ("Quanto mais aprendemos, mais detalhado fica o mapa"). Elas buscam melhorias incrementais e específicas, e não a perfeição absoluta:

  • A pesquisa II busca uma liga metálica resistente a temperaturas mais altas (apenas melhor que as atuais, não "inquebrável" a qualquer temperatura).
  • A pesquisa III foca em uma sinfonia (um feito específico).
  • A pesquisa IV propõe uma bateria dez vezes maior (uma melhoria quantificável, não uma bateria "infinita").
  • A pesquisa V treina um robô para dirigir em uma cidade (uma aplicação delimitada).

Nenhuma delas tem a pretensão de ser o "mapa perfeito", por isso não seriam alvo da crítica apresentada no texto.

C

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