No contexto do 3º parágrafo, ao se constatar que A proximida...

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Q3954805 Português
Atenção: Para responder à questão, baseie-se no texto seguinte.


Ter atenção, poder analisar


   No latim, a palavra auditor indica "o que ouve", sobretudo aquele que ouve com atenção, derivada do verbo audio, que é estar com os ouvidos atentos. Numa acepção mais técnica, auditor indicava o responsável por ouvir e analisar os atos de um administrador, quando este expunha oralmente as atividades por que fosse responsável. Depois, o termo se estendeu para quem julga a documentação escrita de atividades financeiras, escolhas administrativas, relatórios, prestação de contas etc.

   Também se chama audição o momento em que alguém, desejando atuar numa peça teatral, num filme, num evento artístico, numa gravação, submete-se à comprovação de um talento específico desejável. Também aqui o auditor (produtor, diretor, responsável pelo futuro espetáculo) é aquele que olhará e ouvirá com atenção o desempenho do ou da postulante. Permanece atarefa final de um veredito, com a responsabilidade implícita de uma avaliação criteriosa.

   O verbo audio, no dicionário latino, está muito perto do verbo audeo, que significa ousar, ter a audácia de aventurar-se. A proximidade das palavras é caprichosa, mas também pode ser insinuante e provocadora. Neste caso de audio / audeo parece estar de algum modo presente uma advertência singela: a quem se empenha emjulgar o que ouve ou vé, cabe ouvir e ver muito bem, de modo aplicado.

    Ainda para ficarmos no latim, podemos lembrar a conhecida expressão "sapere aude", que significa "ouse saber", isto é, "ouse pensar por si mesmo" (Kant). Que aproveitemos, pois, a lição de ousadia do saber conhecer e do saber ouvir para bem analisar pessoas e fatos. As palavras podem ser sugestivas e inspiradoras em seus mais casuais entrelaçamentos.


(Alcebíades Villares, a editar) 
No contexto do 3º parágrafo, ao se constatar que A proximidade das palavras é caprichosa, segue-se como inferência que
Alternativas

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Gabarito: E

Fundamento decisivo: O critério decisivo é a inferência semântica contextual: no 3º parágrafo, o trecho "A proximidade das palavras é caprichosa, mas também pode ser insinuante e provocadora." mostra, pelo valor adversativo de "mas", que a aproximação entre "audio" e "audeo" é casual, não uma prova de sentido comum, e que, apesar disso, pode gerar uma sugestão interpretativa; por isso, a inferência correta é a de que uma semelhança casual entre palavras de campos semânticos distintos pode ser sugestiva.

Tema central: inferência semântica contextual
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque troca efeito sugestivo por "grande semelhança de sentido". O texto não afirma semelhança semântica entre os vocábulos; ao contrário, parte da diferença entre "ouvir" e "ousar" para construir uma reflexão.
B
Errada
Está errada porque transforma uma possibilidade interpretativa em necessidade: "supõem um compartilhamento de sentido". O texto não autoriza essa generalização. A semelhança formal entre as palavras não é apresentada como prova de sentido comum, mas como aproximação casual com potencial sugestivo.
C
Errada
Está errada porque desloca "caprichosa" para a ordenação do dicionário. O parágrafo menciona que um verbo está perto do outro no dicionário, mas não diz que a organização dos vocábulos é aleatória. A expressão destacada qualifica a proximidade entre palavras e seu efeito interpretativo, não a ordem lexicográfica.
D
Errada
Está errada porque introduz um critério morfológico ausente no texto: "mesmo radical" e a suposta raridade dessa aproximação. O parágrafo não faz análise de radical, não discute etimologia como fundamento central e não trata de frequência desse tipo de caso.
E
Certa
A alternativa E traduz com fidelidade a ideia do parágrafo: "audio" e "audeo" aparecem próximos formalmente, mas com sentidos distintos, e o texto afirma que essa proximidade, embora "caprichosa", "pode ser insinuante e provocadora". Portanto, o autor não sustenta identidade semântica; sustenta que uma semelhança casual pode inspirar reflexão de sentido. É exatamente isso que a alternativa E enuncia.
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre semelhança formal e identidade de sentido: quem lê "caprichosa" como desordem dicionarística ou entende a proximidade entre palavras como prova de significado comum erra a inferência autorizada pelo "mas" do período.
Dica para questões semelhantes
  • Verifique se a aproximação entre palavras é apresentada como coincidência formal ou como relação real de sentido.
  • Quando houver "mas", preserve a oposição construída no texto antes de inferir a conclusão.
  • Não transforme efeito sugestivo de linguagem em afirmação de identidade semântica.
  • Elimine alternativas que introduzem análise morfológica, etimológica ou técnica sem base textual explícita.

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Comentários

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No 3º parágrafo, o autor afirma que a proximidade entre audio (ouvir) e audeo (ousar) é “caprichosa”, ou seja, casual, não baseada em uma relação etimológica necessária — mas ainda assim “insinuante e provocadora”, pois sugere uma reflexão interessante.

Portanto, a inferência correta é que mesmo uma semelhança casual entre palavras pode ser sugestiva e inspiradora.

Analisando as alternativas:

  • A: fala em grande semelhança de sentido → não necessariamente, pois o texto diz que é uma coincidência. ❌
  • B: afirma compartilhamento de sentido → o texto não garante isso, apenas sugere uma relação interpretativa. ❌
  • C: trata da ordem em dicionário → não é o foco. ❌
  • D: fala de radical comum → não é discutido. ❌
  • E: destaca que uma semelhança casual pode ser sugestiva → corresponde exatamente à ideia do texto

Jesus...

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