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Q3954804 Português
Atenção: Para responder à questão, baseie-se no texto seguinte.


Ter atenção, poder analisar


   No latim, a palavra auditor indica "o que ouve", sobretudo aquele que ouve com atenção, derivada do verbo audio, que é estar com os ouvidos atentos. Numa acepção mais técnica, auditor indicava o responsável por ouvir e analisar os atos de um administrador, quando este expunha oralmente as atividades por que fosse responsável. Depois, o termo se estendeu para quem julga a documentação escrita de atividades financeiras, escolhas administrativas, relatórios, prestação de contas etc.

   Também se chama audição o momento em que alguém, desejando atuar numa peça teatral, num filme, num evento artístico, numa gravação, submete-se à comprovação de um talento específico desejável. Também aqui o auditor (produtor, diretor, responsável pelo futuro espetáculo) é aquele que olhará e ouvirá com atenção o desempenho do ou da postulante. Permanece atarefa final de um veredito, com a responsabilidade implícita de uma avaliação criteriosa.

   O verbo audio, no dicionário latino, está muito perto do verbo audeo, que significa ousar, ter a audácia de aventurar-se. A proximidade das palavras é caprichosa, mas também pode ser insinuante e provocadora. Neste caso de audio / audeo parece estar de algum modo presente uma advertência singela: a quem se empenha emjulgar o que ouve ou vé, cabe ouvir e ver muito bem, de modo aplicado.

    Ainda para ficarmos no latim, podemos lembrar a conhecida expressão "sapere aude", que significa "ouse saber", isto é, "ouse pensar por si mesmo" (Kant). Que aproveitemos, pois, a lição de ousadia do saber conhecer e do saber ouvir para bem analisar pessoas e fatos. As palavras podem ser sugestivas e inspiradoras em seus mais casuais entrelaçamentos.


(Alcebíades Villares, a editar) 
Está correta a seguinte observação acerca do emprego de um elemento do texto:
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: A

Fundamento decisivo: O elemento decisivo é o valor semântico de "implícita" no trecho "Permanece a tarefa final de um veredito, com a responsabilidade implícita de uma avaliação criteriosa.": trata-se de responsabilidade subentendida, não explicitada, o que sustenta a alternativa A.

Tema central: sentido contextual de palavras
Análise das alternativas
A
Certa
A alternativa A está correta porque identifica com precisão o sentido de "implícita" no trecho citado. A responsabilidade de avaliar com critério não aparece como declaração formal separada, mas como algo pressuposto no próprio ato de emitir um veredito. Nesse contexto, "implícita" tem valor semântico de "tácita", isto é, subentendida.
B
Errada
Está errada porque "insinuante e provocadora" não aparecem em sentido literal. No trecho "A proximidade das palavras é caprichosa, mas também pode ser insinuante e provocadora.", o texto atribui à proximidade entre palavras traços de ação e intenção, o que caracteriza emprego figurado, não denotativo.
C
Errada
Está errada porque "Ainda para ficarmos no latim" funciona como marcador de continuidade temática: o autor permanece no mesmo campo de discussão, o latim. A expressão não significa "ao retificarmos esse uso do latim"; não há ideia de correção ou retificação nesse ponto do texto.
D
Errada
Está errada porque "tenhamos aproveitado" não é voz passiva. Na frase "Que aproveitemos, pois, a lição de ousadia", a forma verbal está na voz ativa com valor optativo/exortativo. A transposição para a passiva exigiria uma estrutura como "Que a lição [...] seja aproveitada por nós". Portanto, a alternativa erra na análise gramatical.
E
Errada
Está errada porque, em "A proximidade das palavras é caprichosa", o termo "caprichosa" não significa "desleixada". No contexto, o sentido é o de algo casual, arbitrário, imprevisível ou regido por capricho, em coerência com a ideia de entrelaçamentos sugestivos entre palavras.
Pegadinha da questão
A banca misturou análise semântica correta de sinônimo contextual com trocas indevidas de sentido, além de explorar confusões frequentes entre linguagem figurada e literalidade e entre voz passiva e locução verbal composta.
Dica para questões semelhantes
  • Confirme o sentido da palavra dentro do trecho, não pelo significado solto que ela pode ter fora do contexto.
  • Quando o texto atribuir ação, intenção ou traços humanos a elementos abstratos, desconfie de leitura literal.
  • Marcadores como "ainda" podem indicar continuidade do assunto, não correção do que foi dito antes.
  • Na voz passiva, verifique se o objeto da ativa virou sujeito paciente; forma verbal composta, sozinha, não prova passiva.

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Comentários

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Vamos analisar cada alternativa com base no texto:

A:

“implícita” significa algo tácito, não declarado explicitamente, mas subentendido.

A reescrita (“considera-se tácita a responsabilidade...”) preserva corretamente o sentido. ✅

B:

“insinuante e provocadora” não estão no sentido literal (denotativo), mas conotativo, figurado. ❌

C:

“Ainda para ficarmos no latim” significa continuarmos no latim, não “retificarmos esse uso”. ❌

D:

A frase “Que aproveitemos...” (voz ativa, subjuntivo) na passiva não vira “tenhamos aproveitado”. Isso muda tempo e estrutura — está incorreto. ❌

E:

“caprichosa” aqui significa casual, arbitrária, não “desleixada”. ❌

A) implícita / tácita (Correta): No vocabulário jurídico, algo implícito é o que não está escrito expressamente, mas se deduz logicamente. Tácito é seu sinônimo direto (ex: consentimento tácito). O texto afirma que a responsabilidade de avaliar com critério é inerente à função do auditor, ou seja, está subentendida (tácita).

B) insinuante e provocadora (Denotativo): Erro de classificação. Adjetivar a "ordenação de palavras" como insinuante ou provocadora é um uso conotativo (figurado). No sentido denotativo (literal), um dicionário é apenas uma lista técnica; ele não possui "intenção" de provocar.

C) Ainda para ficarmos / ao retificarmos: Erro de substituição. "Ainda para ficarmos" indica continuidade da exemplificação no latim. "Retificarmos" significa corrigir, o que alteraria completamente o sentido (o autor não está corrigindo o latim, mas trazendo mais um exemplo).

D) Aproveitemos / tenhamos aproveitado: Erro de Voz Passiva. "Aproveitemos" está no Presente do Subjuntivo (Voz Ativa). A transposição correta para a voz passiva analítica seria "Seja aproveitada" (mantendo o tempo e o modo). "Tenhamos aproveitado" é o Pretérito Perfeito do Subjuntivo na voz ativa composta.

E) caprichosa / desleixada: Erro semântico. No texto, a proximidade das palavras é "caprichosa" no sentido de arbitrária, casual ou fruto do acaso (um "capricho" do alfabeto). "Desleixada" significaria falta de cuidado ou desorganização por preguiça, o que não cabe ao contexto.

GAB A

Implícito = Tácito = Subentendido: É o que está "nas entrelinhas".

Voz Passiva (Regra de Ouro): O tempo verbal não pode mudar na transposição. Se o verbo original é "Aproveitemos" (Presente do Subjuntivo), o auxiliar da voz passiva deve ser "Seja" (Presente do Subjuntivo).

  • Ativa: Aproveitemos (Presente Subj.)
  • Passiva: Seja aproveitada (Presente Subj. + Particípio)

Denotação vs. Conotação: Adjetivos que dão sentimentos ou intenções a objetos (palavras, dicionários, pedras) são quase sempre conotativos.

A alternativa correta é a A) Em com a responsabilidade implícita de uma avaliação criteriosa (2º parágrafo), considera-se tácita a responsabilidade de se avaliar algo com critério.

A palavra "implícita" significa algo que não está expresso claramente, mas que está subentendido. O adjetivo "tácita" é o seu sinônimo perfeito (um acordo tácito, por exemplo, é um acordo não escrito, mas compreendido por ambas as partes). Portanto, a alternativa A traduz o trecho com precisão milimétrica.

  • B) Incorreta. Aqui temos o tópico de Denotação e Conotação. A proximidade de duas palavras no dicionário não pode, literalmente (no sentido denotativo), "insinuar" ou "provocar" alguém. Essas são características humanas (personificação). Logo, os adjetivos foram usados com valor conotativo (figurado), e não denotativo.
  • C) Incorreta. A expressão "Ainda para ficarmos no latim" significa continuarmos ou permanecermos usando exemplos do latim. O verbo retificar significa corrigir. A banca tentou te confundir com "ratificar" (confirmar), mas ainda assim o sentido seria inadequado ao contexto de "permanência".
  • D) Incorreta. Na voz ativa temos: "Que (nós) aproveitemos a lição" (verbo no presente do subjuntivo). Para passar para a voz passiva analítica, o objeto vira sujeito e adicionamos o verbo ser: "Que a lição seja aproveitada (por nós)". A forma "tenhamos aproveitado" continua na voz ativa (é o pretérito perfeito composto do subjuntivo).
  • E) Incorreta. "Caprichosa", no contexto ("A proximidade das palavras é caprichosa"), traz a ideia de algo peculiar, curioso, movido por um "capricho" do acaso. "Desleixada" significa exatamente o oposto (algo feito sem cuidado, bagunçado, negligente).

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