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Q2301284 Português
         A publicidade e o consumo parecem ser aspectos estruturantes da prática do culto ao corpo. A primeira, por tornar presente diariamente na vida dos indivíduos temáticas acerca do corpo, seja pelas mais avançadas tecnologias ou pelo mais recente chá descoberto, ditando cotidianamente estilos e tendências. A segunda, pelo horizonte que torna o corpo um objeto passível de consumo. A lógica do consumo se faz imperiosa nos modos de relação que estabelecemos com o nosso corpo. Somos permeados pela crença de que podemos consumir desde receitas até próteses perfeitas. O nosso corpo tornou-se extensão do mercado e os produtos de beleza suas valiosas mercadorias.
       Em nosso horizonte histórico percebemos o culto exacerbado do corpo e a perseguição de modelos estéticos estabelecidos socialmente. Falamos de um ideal vinculado pelo social que vende a saúde e a beleza como conjunto de curvas perfeitas, pele sedosa, cabelos lisos e, sobretudo, a magreza. O corpo como mensageiro da saúde e da beleza torna-se um imperativo tão poderoso que conduz à ideia de obrigação. Ser feliz e pleno na atualidade corresponde a conquista de medidas perfeitas, bem como a pele e o cabelo mais reluzente. O corpo ganhou uma posição de valor supremo, seu bem-estar parece ser um grande objetivo de qualquer busca existencial na atualidade.
          As representações sociais do corpo e de sua boa forma aparecem como elementos que reforçam a autoestima e dependem em grande parte da força de vontade, pois, quem quer pode ter um corpo magro, belo e saudável. A aparência de um corpo bem definido e torneado indicaria saúde, revelando o poder que a exaltação e a exibição do corpo assumiram no mundo contemporâneo. A mídia de um modo geral tornou-se, assim, uma importante forma de divulgação e capitalização do que estamos chamando de culto ao corpo.
        Entendemos que os cuidados com o corpo são importantes e essenciais não apenas no que se refere à saúde, mas também ao que se refere ao viver em sociedade. O problema reside na propagação de um ideal inatingível, na culpabilização do indivíduo por não atingir este ideal, no fato de tornarmos as mudanças naturais do corpo, objetos estéticos da medicina, o fato de não entendermos ou ouvirmos as verdadeiras necessidades corporais que temos. Como bem nos diz Sant'Anna (2001, p. 79): não se trata, portanto, de negar os avanços da tecnociência, nem de condená-la em bloco. Mas de reconhecer que o corpo não cessa de ser redescoberto, ao mesmo tempo em que nunca é totalmente revelado.

(DANTAS, Jurema Barros. Um ensaio sobre o culto ao corpo na contemporaneidade. Adaptado. Disponível em: https://www.e-publicacoes.uerj.br/ index.php/revispsi/article/view/8342/6136.)
Considerando as ideias apresentadas no texto em análise, assinale a afirmativa correta.
Alternativas

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Tema central: Interpretação de texto. O foco da questão é avaliar a capacidade do candidato de identificar a ideia central do texto e distinguir afirmações, contrapontos e críticas nos argumentos apresentados pelo autor, com atenção à coerência e à coesão textual, conforme pontuam gramáticos como Ingedore Koch e L.C. Travaglia.

Justificativa da alternativa correta (C):

A alternativa C está correta pois o texto destaca, de forma explícita, a presença de pressão social para que os indivíduos persigam padrões estéticos socialmente estabelecidos. No segundo parágrafo, lemos: “o culto exacerbado do corpo e a perseguição de modelos estéticos estabelecidos socialmente” e que “o corpo ganhou uma posição de valor supremo”. Afirma-se também que “ser feliz e pleno corresponde à conquista de medidas perfeitas”, indicando essa obrigatoriedade e realidade contemporâneas. Portanto, pela coerência textual (sentido global do texto), é correto afirmar que a busca por padrões é imposta socialmente.

Análise das alternativas incorretas:

A) Erro de interpretação: A frase “[...] ganhou posição de valor supremo” não é contra-argumento, mas sim uma afirmação reforçadora da ideia central sobre o extremo valor do corpo, conforme orientação de Coerência textual (Koch).

B) Equívoco semântico: A expressão “[...] suas valiosas mercadorias” não é ambígua. Refere-se de forma direta aos “produtos de beleza”, sem duplo sentido ou possibilidade de dúvidas no contexto - como ensina Bechara sobre ambiguidade.

D) Generalização indevida: O texto não confirma assertividade nem valida o ideal questionado; ao contrário, critica a propagação de um ideal inatingível e a culpabilização do indivíduo, apresentando um olhar reflexivo e crítico, principalmente no último parágrafo.

Estratégia para provas: Atenção a trechos que reforçam ou criticam ideias, e distinguem fato de opinião. Observe a postura do autor diante do tema e o uso do vocabulário que indica crítica ou afirmação.

Resumo: A alternativa C reflete fielmente a crítica e análise social do texto. As demais pecam por distorcerem sentido ou ignorarem a postura crítica do autor em relação ao culto ao corpo.

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Comentários

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Gabarito C

"O corpo como mensageiro da saúde e da beleza torna-se um imperativo tão poderoso que conduz à ideia de obrigação".

confusa , deferia ter usado a expressao padrao social de beleza. Por padrao social eu entendo um padrao de riqueza por exemplo.

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