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Q2301282 Português
         A publicidade e o consumo parecem ser aspectos estruturantes da prática do culto ao corpo. A primeira, por tornar presente diariamente na vida dos indivíduos temáticas acerca do corpo, seja pelas mais avançadas tecnologias ou pelo mais recente chá descoberto, ditando cotidianamente estilos e tendências. A segunda, pelo horizonte que torna o corpo um objeto passível de consumo. A lógica do consumo se faz imperiosa nos modos de relação que estabelecemos com o nosso corpo. Somos permeados pela crença de que podemos consumir desde receitas até próteses perfeitas. O nosso corpo tornou-se extensão do mercado e os produtos de beleza suas valiosas mercadorias.
       Em nosso horizonte histórico percebemos o culto exacerbado do corpo e a perseguição de modelos estéticos estabelecidos socialmente. Falamos de um ideal vinculado pelo social que vende a saúde e a beleza como conjunto de curvas perfeitas, pele sedosa, cabelos lisos e, sobretudo, a magreza. O corpo como mensageiro da saúde e da beleza torna-se um imperativo tão poderoso que conduz à ideia de obrigação. Ser feliz e pleno na atualidade corresponde a conquista de medidas perfeitas, bem como a pele e o cabelo mais reluzente. O corpo ganhou uma posição de valor supremo, seu bem-estar parece ser um grande objetivo de qualquer busca existencial na atualidade.
          As representações sociais do corpo e de sua boa forma aparecem como elementos que reforçam a autoestima e dependem em grande parte da força de vontade, pois, quem quer pode ter um corpo magro, belo e saudável. A aparência de um corpo bem definido e torneado indicaria saúde, revelando o poder que a exaltação e a exibição do corpo assumiram no mundo contemporâneo. A mídia de um modo geral tornou-se, assim, uma importante forma de divulgação e capitalização do que estamos chamando de culto ao corpo.
        Entendemos que os cuidados com o corpo são importantes e essenciais não apenas no que se refere à saúde, mas também ao que se refere ao viver em sociedade. O problema reside na propagação de um ideal inatingível, na culpabilização do indivíduo por não atingir este ideal, no fato de tornarmos as mudanças naturais do corpo, objetos estéticos da medicina, o fato de não entendermos ou ouvirmos as verdadeiras necessidades corporais que temos. Como bem nos diz Sant'Anna (2001, p. 79): não se trata, portanto, de negar os avanços da tecnociência, nem de condená-la em bloco. Mas de reconhecer que o corpo não cessa de ser redescoberto, ao mesmo tempo em que nunca é totalmente revelado.

(DANTAS, Jurema Barros. Um ensaio sobre o culto ao corpo na contemporaneidade. Adaptado. Disponível em: https://www.e-publicacoes.uerj.br/ index.php/revispsi/article/view/8342/6136.)
Pode-se afirmar que o tema abordado no texto está corretamente indicado em:
Alternativas

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Gabarito Comentado – Interpretação de Texto para o cargo de Assistente Social

Tema central da questão:
A questão aborda interpretação de texto e exige a identificação do tema principal. Conforme as gramáticas de referência (BECHARA, 2009; KOCH & ELIAS, 2006), localizar o tema requer perceber a ideia mais persistente e abrangente desenvolvida ao longo do texto, aquele que une as partes e articula os argumentos apresentados.

Justificativa para a alternativa correta (D):
A alternativa D) Busca idealizada por um modelo preestabelecido socialmente referente a aspectos físicos do indivíduo está correta porque expressa fielmente o núcleo do texto. A autora discute como a sociedade dita padrões estéticos (modelos de corpo magro, beleza, pele e cabelos perfeitos) e como há uma perseguição por parte dos indivíduos a esse padrão, reforçada pela mídia, consumo e pressão social. O texto é claro ao refletir sobre um ideal corporificado, socialmente imposto e perseguido.

Análise das alternativas incorretas:

A) Limites do corpo frente às exigências da sociedade: A autora não discute os limites do corpo, mas sim o esforço por atingir padrões impostos. Ressalta-se o modelo buscado, não os impedimentos naturais.

B) Saúde e beleza como elementos fundamentais na sociedade contemporânea: O texto não apresenta saúde e beleza como fundamentos sociais, mas como ideais vendidos e perseguidos de forma muitas vezes inalcançável.

C) Conflitos físicos e mentais decorrentes do desenvolvimento humano: Não há menção a conflitos oriundos do desenvolvimento, mas sim sobre a culpabilização e imposição de um padrão estético.

Estratégias para provas: Sempre leia o texto buscando recorrências e articulações (palavras relacionadas a “modelo”, “padrão”, “idealização”, “sociedade”) e descarte alternativas que restringem, ampliam ou desviam do foco central, conforme orienta KOCH (2006): o tema é sempre o eixo articulador mais explícito e repetido no texto.

Em síntese, acertar este tipo de questão exige prática em localizar o assunto central e diferenciar o essencial do secundário. Aprofunde sua leitura, identifique argumentos centrais e refine o olhar crítico para enunciados sutis ou genéricos estrelando as alternativas.

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Comentários

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Interpretei como "Limites do corpo frente às exigências estabelecidas pela sociedade", já que não vi uma oposição absoluta do autor sobre a busca do melhor bem estar da saúde e do corpo.

"(...) Entendemos que os cuidados com o corpo são importantes e essenciais não apenas no que se refere à saúde, mas também ao que se refere ao viver em sociedade. O problema reside na propagação de um ideal inatingível, na culpabilização do indivíduo por não atingir este ideal, no fato de tornarmos as mudanças naturais do corpo, objetos estéticos da medicina, o fato de não entendermos ou ouvirmos as verdadeiras necessidades corporais que temos. Como bem nos diz Sant'Anna (2001, p. 79): não se trata, portanto, de negar os avanços da tecnociência, nem de condená-la em bloco. Mas de reconhecer que o corpo não cessa de ser redescoberto, ao mesmo tempo em que nunca é totalmente revelado. (...)".

"Em nosso horizonte histórico percebemos o culto exacerbado do corpo e a perseguição de modelos estéticos estabelecidos socialmente.(...)" Só há exagero se houver limite.

"O corpo ganhou uma posição de valor supremo, seu bem-estar parece ser um grande objetivo de qualquer busca existencial na atualidade. (...)". O existencial não se limita aos aspectos físicos do corpo.

Por isso, não concordo com a assertiva "D", já que a busca idealizada não se refere aos aspectos físicos do corpo, e sim ao bem estar da pessoa no mundo.

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