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Q500433 Português
São velhas e persistentes as teorias que atribuem capacidades específicas inatas a “raças” ou a outros grupos humanos. Muita gente ainda acredita que os nórdicossão mais inteligentes do que os negros; que os alemães têm mais habilidade para a mecânica; que os judeus são avarentos e negociantes; que os norte-americanos são empreendedores e interesseiros; que os portugueses são muito trabalhadores e pouco inteligentes; que os japoneses são trabalhadores, traiçoeiros e cruéis; que os ciganos são nômades por instinto, e, finalmente, que os brasileiros herdaram a preguiça dos negros, a imprevidência dos índios e a luxúria dos portugueses.

Os antropólogos estão totalmente convencidos de que as diferenças genéticas não são determinantes das diferenças culturais. Segundo Félix Keesing, “não existe correlação significativa entre a distribuição dos caracteres genéticos e a distribuição dos comportamentos culturais. Qualquer criança humana normal pode ser educada em qualquer cultura, se for colocada desde o início em situação conveniente de aprendizado”. Em outras palavras, se transportarmos para o Brasil, logo após o seu nascimento, uma criança sueca e a colocarmos sob os cuidados de uma família sertaneja, ela crescerá como tal e não se diferenciará mentalmente em nada de seus irmãos de criação. Ou ainda, se retirarmos uma criança xinguana de seu meio e a educarmos como filha de uma família de alta classe média de Ipanema, o mesmo acontecerá: ela terá as mesmas oportunidades de desenvolvimento que os seus novos irmãos.

LARAIA, Roque de Barros. Cultura: um conceito antropológico. 24 ed. Rio de Janeiro:J. Zahar, 2009. p. 17-18

Em um texto, dependendo dos objetivos do autor, muitas vozes diferentes podem dialogar. Do trecho transcrito, infere-se que o autor
Alternativas

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Comentário da Questão – Interpretação de Texto / Coerência e Coesão

Tema central: Esta questão avalia a capacidade de interpretação de textos argumentativos, especialmente a identificação da tese do autor e a distinção entre opiniões comuns e posicionamento científico. Explora ainda a noção de coerência e coesão textual, fundamentais para atribuir sentido aos argumentos presentes.

Justificativa da alternativa correta – Letra E:

A alternativa E está correta porque evidencia a contraposição entre uma crença costumeira (determinismo biológico) e a posição fundamentada dos antropólogos (que atribuem diferenças culturais a fatores de aprendizagem e não a herança genética). O autor do texto apresenta várias crenças populares (vozes sociais), para depois mostrar — citando o antropólogo Félix Keesing — a visão científica de que “qualquer criança humana normal pode ser educada em qualquer cultura”. Aqui, usamos tanto a leitura atenta do texto, reconhecendo a progressão argumentativa, quanto a habilidade de diferenciar opinião social de argumento de autoridade (fundamento científico).

Análise das alternativas incorretas:

A) Errada – O autor critica, e não reforça, o determinismo biológico.

B) Errada – Os antropólogos, segundo o texto, não afirmam que genética determina cultura, mas sim o oposto.

C) Errada – O texto não defende que as diferenças biológicas influenciam traços culturais, apenas cita a perspectiva culturalista.

D) Errada – Contradiz o texto, que afirma que a criança será moldada pelo ambiente em que crescer, e não “continuaria apresentando traços comportamentais de um indígena”.

Dicas para interpretação:

Busque no texto expressões de oposição (“porém”, “mas”, “no entanto”) e palavras que indicam argumento de autoridade, como a citação do antropólogo. Atente também para exemplos que ilustram os conceitos defendidos. Esse olhar crítico é essencial para eliminar alternativas e identificar a ideia central.

Referência:
Koch e Travaglia (A Coerência Textual), Antunes (Lutar com Palavras) reforçam que a leitura interpretativa exige a identificação de relações lógicas e o contexto histórico-social dos discursos.

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GAB E.

O texto apresenta uma ideia central que consta na alternativa E segundoa a qual independemtimente da genética (biologia) uma pessoa se adpta a determinada cultura pelo seu convivio diário  

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